Há momentos de vencer bonito, e há momentos de vencer, apenas vencer. A partida contra o San Lorenzo no Morumbi se encaixava na segunda categoria para o São Paulo. E, para conseguir esses três pontos, os são-paulinos tiveram de aprender a superar seus próprios fantasmas.

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Foi um jogo de pressão tricolor durante quase todo o tempo, mas foi um jogo em que o torcedor teve motivo para ficar inseguro. A equipe ainda não deslanchou. Com Paulo Henrique Ganso sem conseguir ser o homem que cria a jogada diferente, que quebra a defesa adversária, o ataque do São Paulo se torna previsível e, portanto, fácil de anular. Ainda assim, o Tricolor conseguiu mandar duas bolas na trave e fazer um gol que foi mal anulado.

E aí era o momento de os fantasmas aparecerem. O primeiro fantasma era a falta de conexão da torcida com seu time. Afinal, o futebol não vem agradando nesse começo de temporada e a diretoria em nada ajudou ao estabelecer ingressos caros e com sistema de compra online problemático. Apenas 26 mil torcedores estavam no Morumbi e não seria surpreendente se a imagem de muitos lugares vazios com as vaias dos lugares ocupados desestabilizassem o pessoal em campo. Mas isso não aconteceu. A torcida empurrou até o fim, e não se tornou mais um obstáculo aos jogadores.

A equipe ajudou. Os dois grandes jogos do São Paulo em 2015 foram problemáticos. Uma derrota contundente para o Corinthians em Itaquera e uma inexplicável (em casa, com um a mais o segundo tempo quase inteiro) para o mesmo adversário no Morumbi deixaram marcas. Na primeira, a impotência de uma equipe que não conseguiu criar espaços pelo meio. Na segunda, um time que lutou bastante, mas não conseguiu fazer nada além de dar chuveirinhos na área.

O San Lorenzo se encastelou em seu campo e não tinha velocidade para criar contra-ataques perigosos (houve apenas um, muito mal finalizado por Barrientos). Os são-paulinos teriam de propor o jogo, mas qual estratégia seguir: a que fracassou no primeiro jogo contra o Corinthians ou a que fracassou no segundo? O São Paulo transcendeu isso. Na verdade, fez a melhor escolhe: não importa a estratégia, o que importa é não se traumatizar com o primeiro revés que aparecesse. Bola na trave? Continua tentando. Outra bola na trave? Tenta mais um pouco. Gol mal anulado? Sinal de que dá para fazer gol.

Foi assim que o São Paulo achou o espaço. Aos 44 minutos do segundo tempo, Michel Bastos virou o jogo para acionar Carlinhos na esquerda. O lateral teve tempo para se ajeitar e fazer o cruzamento. Barrientos ficou parado e não acompanhou Michel Bastos, que se projetou atrás da marcação argentina e ficou livre para tocar de cabeça.

Não foi uma vitória bonita, não redimiu o São Paulo de seus problemas táticos e técnicos. Mas foi a vitória necessária de um time que soube superar os obstáculos que ele próprio vinha criando.