Miguel Herrera atingiu seu objetivo. Classificou o México para a Copa, e nem precisou usar seu superpoderes. Bastou atender ao apelo da imprensa e da torcida, convocou uma penca de jogadores do América (o clube que dirigia) e completou o elenco com gente que atuava no México. Só gente com amor à camisa, que não perdeu o vínculo com a mexicanidade após se empanturrar de euros do outro lado do Atlântico. Aquele discurso que já ouvimos algumas vezes no Brasil.

Bem, deu certo no caso mexicano. O time tinha mais entrosamento e passou por cima da Nova Zelândia na Cidade do México, resolvendo a repescagem já no jogo de ida. Sinal de que sua decisão foi a correta? Em termos.

Ainda que o México com europeus tenha feito partidas ridículas, incluindo empate com Jamaica e derrota par Honduras, ambas em casa, o grupo teria condições de vencer a Nova Zelândia mesmo com o futebol burocrático que vinha mostrando. Aliás, se Miguel Herrera montasse La Tri com uma mistura de Pumas e Atlante, lanternas do Apertura, a chance de vencer os neozelandeses ainda seriam grandes.

O risco é os mexicanos se iludirem e acharem que apenas o entrosamento e a garra dos jogadores locais servirão na Copa do Mundo. O nível é outro, e a Nova Zelândia não é parâmetro. La Tri tem uma marca impressionante de ter sido eliminada na fase de grupos pela última vez em 1978 (não jogou em 82 e 90, passou de fase em 86, 94, 98, 2002, 06 e 10) e terá trabalho para manter essa sequência.

Não há tantos europeus fundamentais à seleção mexicana, mas é preciso recolocar no grupo Guardado, Chicharito Hernández, Vela e Giovani dos Santos. Esses quatro podem elevar o nível da equipe se jogarem em seus potenciais máximos. E, no momento, eles estão queimados diante da opinião pública. Dos Santos e Guardado por não jogarem tão bem, Chicharito por ter sido omisso ofensivamente no hexagonal final da Concacaf e Vela por pedir dispensa após a demissão do técnico José Manuel de la Torre em setembro.

Mais do que o trabalho tático, Herrera precisará de habilidade para trazer esses jogadores de volta. Pode se apegar à sua política, insistir com o grupo fechado da repescagem e aumentar grandemente o risco de fracasso no Brasil. Ou terá de fazer algum jogo de cena, dizer que conversou um a um dos estrangeiros para convencer o público que eles também amam a camisa verde para fazer o necessário: reconvocá-los.