Carlo Ancelotti completou 60 anos em junho de 2019 – recentemente fez 61 no dia 10 de junho – e o então treinador do Napoli promoveu um grande jantar, com muitos convidados. O presidente do seu clube, Aurelio De Laurentiis, era um deles. Gennaro Gattuso, que foi seu jogador no Milan e já atuava como treinador, era outro. O encontro entre o dirigente e o ex-jogador, que ainda não se conheciam, seria decisivo para que Gattuso se tornasse, então, o treinador que substituiria Ancelotti meses depois.

“Eu liguei para ele três anos atrás com Totti, eu pensava em fazer um filme com os dois”, contou o empresário de cinema dono do Napoli. “Rino me lembrou disso outra noite, depois da partida contra a Inter”.

“Nos encontramos de novo no aniversário de Ancelotti. Uma mesa de 40 pessoas, Carlo convidou o mundo inteiro. Amigos, ex-jogadores, parecia um casamento, eu e Carlo sentados dos lados”, contou ainda o dirigente. “Rino estava sentando ao lado dele. Eu o imaginava diferente, eu descobri alguém que fala muito bem, muito presidente e capaz de lidar com a maioria dos assuntos”.

Nós conversamos por três horas daquela noite. Depois do problema de concentração ou não concentração, eu liguei para ele e disse: ‘Rino, fique calmo, não tome qualquer decisão se alguém te ligar, fique firme’. Na noite da partida da Champions League, quando nós vencemos, eu convidei Carlo para jantar e expliquei que eu tinha decidido mudar, também para manter a grande amizade entre nós”, contou De Laurentiis.

Foi o encontro da fome com a vontade de comer, com o perdão do trocadilho para uma conversa que aconteceu em um jantar. Gattuso oferece algo que De Laurentiis valoriza muito, a liderança, a forma de lidar com mais autoridade em relação aos jogadores. Ancelotti resolve conflitos, é considerado um bom gestor de grupos, mas não costuma se impor de maneira autoritária. Em um conflito, De Laurentiis parece querer alguém que seja um espelho seu, que faria o que ele faria. E Gattuso é esse técnico. Ancelotti não é.

Contratar Ancelotti foi um erro para De Laurentiis

Carlo Ancelotti foi contratado em julho de 2018, substituindo Maurizio Sarri. O treinador ficou até dezembro de 2019, quando acabou demitido depois do último jogo da fase de grupos da Champions League. Houve um motim entre os jogadores sobre uma questão de se concentrarem ou não para um jogo. Contamos sobre o caos que o Napoli vivia em novembro.

A situação continuou por algum tempo, até que a demissão, tão especulada nas semanas anteriores, foi concretizada. De Laurentiis fez vários elogios a Ancelotti, mas entende que ele não era a pessoa certa para o trabalho e que não deveria ter contratado o treinador.

“Ele me lembrava muito do meu pai. Eu o escolhi por sua serenidade, compostura, sua proximidade agradável. Meu pai era um filósofo, um homem extremamente doce. Como Carlo”, contou De Laurentiis.

“Mas ao contratá-lo, poder recorrer à sua cláusula de rescisão, eu deveria ter dito a ele: ‘Carlo, eu não acho que você é feito para o tipo de futebol que eles querem em Nápoles, vamos manter uma grande amizade, porque o futebol aqui é diferente. Eu te apresentei a uma cidade que você agora ama e que te surpreendeu, melhor terminar por aqui’. Em vez disso, cometi um segundo erro”, disse o presidente do Napoli.

Gattuso ganhou confiança do presidente

“O time esqueceu o 4-3-3 de Sarri, eu pedi que Rino revise essa formação, antecipando que o preço a ser pago seria três, quatro derrotas seguidas. Ele perdeu menos do que isso”, afirmou o presidente do clube. “Carlo, como meu pai, era o embaixador, Rino e eu somos similares, dois guerreiros, que não mandam ninguém falar, dois líderes”.

De Laurentiis revelou que irá se encontrar com Gattuso em agosto para avaliar a temporada e discutir o futuro com o ex-técnico do Milan. Em pauta, está a continuidade do trabalho do treinador, que vem agradando o dirigente. De Laurentiis é um dirigente passional e que interfere sempre que pode e quer que seu comandante seja assim também – e Ancelotti não era, deu liberdade aos jogadores e ficou ao lado deles quando não quiseram cumprir ordens que pareciam vir da presidência para se concentrar.

“Eu dei a ele um contrato de um ano e meio, em que os dois tinham uma rota de fuga. Nós não precisamos usar isso. Se formos bem na final da Copa da Itália e na Champions League, subirmos algumas posições no campeonato, eu irei encontrá-lo no começo de agosto, em Capri, onde poderemos falar sobre uma renovação por três ou quatro temporadas”, disse De Laurentiis.

“Carlo Verdone [ator, roteirista e diretor] está comigo por 20 anos, exclusivamente. Entre as pessoas que estimam contratos, eles têm um valor relativo. A motivação e os incentivos contam, todo mundo deve ser livre para decidir se continuam ou não”.

“Nápoles é a melhor parte da minha vida”

“Nápoles é a melhor parte da minha vida. Eu amo apenas duas cidades, meus dois lugares, não há outros lugares. Nápoles e Los Angeles. Eu decidi alugar uma casa em Capri e transferir meus escritórios da Filmauro, o cinema e o futebol para lá”, contou o cineasta.

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