Como o futebol explica o regime da Alemanha Oriental

A Alemanha Oriental atravessava uma enorme transformação em novembro de 1989. A reunificação era iminente. Ainda assim, a Oberliga seguia seu curso. No dia 8, o Dynamo Berlim recebeu o modesto Eisenhüttenstädter FC Stahl, pela oitava rodada do campeonato. Não conseguiu ir além do 0 a 0, em um resultado sintomático de como o país havia mudado nos meses anteriores. Horas depois, os arredores do estádio foram tomados por milhares de pessoas, motivadas pelo comunicado oficial do governo. O muro que dividia Berlim já não representava mais nada, o trânsito entre as metades da metrópole estava permitido. Naquele momento, as enormes paredes de pedra começaram a cair.

TEMA DA SEMANA: A queda do Muro de Berlim faz 25 anos, e mostramos o que ela representou ao futebol

O empate sem gols do Dynamo Berlim é muito mais representativo do que o placar zerado pode sugerir. O clube da capital era bem mais do que o decacampeão alemão-oriental entre 1979 e 1988. Também simbolizava como nenhum outro a forma como o regime comunista se apossou do futebol para o seu próprio benefício. Joguetes políticos, troca de favores, benefícios de órgãos estatais: tudo isso os berlinenses representavam, em uma manipulação que atravessou quatro décadas. Um processo dentro do esporte, mas que também ajuda a entender a política e a sociedade na República Democrática Alemã.

O futebol se torna um assunto de Estado

Quando a República Democrática da Alemanha se estabeleceu, em 1949, adotou os modelos da União Soviética. Algo natural, diante das ofensivas do Exército Vermelho no final da Segunda Guerra Mundial e que deram aos soviéticos a administração da porção leste do país a partir da rendição dos nazistas. Após quatro anos de zona de ocupação militar, o país ganhou autonomia da URSS, embora tenha vivido a afirmação de um regime comunista satélite a Moscou. E não foi só a política ou a economia que seguiram as diretrizes soviéticas, mas também o futebol. O esporte local passou a ser reestruturado a partir de 1946, deixado nas mãos da Juventude Livre Comunista, um dos braços do Partido Comunista no país.

O Leipzig, campeão em 1903

O Leipzig, campeão em 1903

A apropriação do futebol pela máquina estatal já havia sido experimentada na URSS durante o início da década de 1920, sob o comando de Lenin. O regime percebeu a influência do esporte sobre uma camada da população que lhe interessava: jovens e trabalhadores urbanos. Além disso, a popularidade da modalidade era crescente, ferramenta potencial para a integração do povo e a construção de uma identidade. Enquanto a seleção era um meio diplomático, os clubes deixavam em evidência as organizações estatais. Assim, foram transformados ou criados os times do exército (CSKA), do Ministério do Interior (Dynamo), dos ferroviários (Lokomotiv) e das mais diversas indústrias (Spartak, Torpedo, Zenit).

VEJA MAIS: Os 25 maiores motivos de orgulho para o futebol da Alemanha Oriental

O modelo do futebol soviético já tinha 30 anos de desenvolvimento e similares espalhados por outros países do leste europeu quando foi adotado na Alemanha Oriental. E as premissas eram as mesmas, ainda mais em uma região na qual o futebol já tinha força desde a primeira metade do século. Não há toa, a federação alemã foi fundada na cidade de Leipzig, assim como dois clubes importantes no cenário nacional foram formados no leste: o VfB Leipzig, primeiro campeão alemão, e o Dresdner, bicampeão nos últimos anos do torneio sob o nazismo.

Tanto quanto para controlar as massas e torná-las mais próximas ao regime, o futebol também interessava à RDA para tentar afastar a população dos resquícios do nazismo e do capitalismo. Por isso mesmo, a administração dos clubes se tornou assunto de Estado. E, através da modalidade, o regime comunista tentava manter todos sob sua vigilância.

A reorganização dos clubes na Alemanha Oriental

A estrutura do futebol acabou se transformando em um enorme tabuleiro estratégico para a Alemanha Oriental. Vestida de azul, a cor da juventude do Partido Comunista, a seleção entrou em campo pela primeira vez em 1952, servindo para estreitar relações com países vizinhos e levar a bandeira na nova nação ao resto da Europa. Já os assuntos internos do esporte eram bem mais delicados. Por isso mesmo, a ditadura comunista não se furtava a dissolver, realocar ou ligar aos órgãos estatais os clubes já existentes. Eram formadas as Associações Esportivas, identificadas pela sigla “BSG”, que recebiam remessas extras de recursos públicos – e, algumas, mais do que outras, montando elencos mais fortes e evitando a debandada dos craques para a Alemanha Ocidental.

NO BRASIL: Da criação do Brasileirão aos elefantes brancos, como o futebol entrou no Plano de Integração Nacional

Após duas edições primitivas, ainda com equipes e disputas regionalizadas, o Campeonato Alemão-Oriental surgiu de fato em 1949/50. A primeira edição da Oberliga contava com os clubes que começavam a ser reorganizados pelo governo. E teve a primeira mostra de como o regime determinava as regras. Renomeado para Friedrichstadt, a fim de deixar para trás a sua história, o Dresdner faria na rodada final confronto direto com o Horch Zwickau, ambos empatados na liderança da liga. Entretanto, a arbitragem beneficiou o time ligado ao proletariado comunista, que goleou por 5 a 1. A revoltada torcida do Friedrichstadt invadiu o campo e agrediu um jogador do Zwickau. Então, classificando o antigo Dresdener como “muito burguês”, o governo decidiu desmantelar o clube e redistribuir seus jogadores.

Progressivamente, os times passavam a ser incorporados pela estrutura do regime comunista. Em abril de 1950, a legislação elevou a reorganização esportiva aos níveis de produção. Por isso mesmo, a temporada 1950/51 da Oberliga é recheada por equipes ligadas às indústrias, muitas delas apenas renomeadas – como o Chemie Leipzig, o Turbine Erfurt, o Motor Zwickau e o Lokomotive Stendal.

Tabela com os nomes e as cidades de clubes da Alemanha Oriental

Tabela com os nomes e as cidades de clubes da Alemanha Oriental na época dos BSG

Além disso, o fim do Dresdner ajudava a impulsionar outro clube em uma das maiores cidades do país: o Volkspolizei Dresden, que foi formado a partir dos jogadores trazidos de outros 11 clubes ligados à polícia popular. Quarto colocado naquela temporada, o novo time de Dresden seria rebatizado como Dynamo dois anos depois e ligado à Stasi, considerada uma das polícias secretas mais repressivas e eficazes do mundo. E, ao contrário da maioria de seus rivais, o Volkspolizei não era uma BSG, e sim uma SG, o que significava ligações maiores com entidades populares. Também era o caso do Union Oberschöneweide, o atual Union Berlim, que só passou a ser administrado pela indústria automotiva no ano seguinte. Já na temporada seguinte, surgiu o Vorwärts Leipzig, ligado ao exército, que pouco depois se mudaria a Berlim.

Como o Milagre de Berna afetou o futebol na Alemanha Oriental

De certa forma, a conquista do Mundial de 1954 pela Alemanha Ocidental acabou sendo usada como propaganda ideológica do lado oriental. Até mesmo a Juventude Livre Comunista chegou a proclamar a vitória por 3 a 2 sobre a Hungria como o “grande sucesso germânico na história do futebol”. A ideia, óbvio, era superar as questões nacionais para tentar construir a identidade do povo e autoproclamar a força local. Entretanto, o sucesso dos capitalistas também merecia uma resposta dos comunistas nos anos seguintes, na tentativa de ganhar relevância no futebol europeu.

VEJA TAMBÉM: O que o seu clube fez durante a Ditadura

Por isso mesmo, a temporada 1954/55 da Oberliga passou por mudanças sensíveis, principalmente na redistribuição dos times. Berlim Oriental ganhou uma potência. Campeão nacional em 1953, o Dynamo Dresden se transformou em Dynamo Berlim, ficando mais próximo do controle da Stasi. Ao mesmo tempo, esvaziado por suas estrelas, o time de Dresden teria que reiniciar sua reconstrução a partir das divisões inferiores. A cidade ainda contava com o Einheit Dresden, que juntara parte dos espólios do Dresdner. Entretanto, transferir clubes populares era mais difícil do que os artificiais.

Outras cidades viveram revoltas diante das mudanças. Vice-campeão em 1953, o Wismut iria da pequena Aue para a vizinha Karl-Marx-Stadt, importante centro industrial da Saxônia. E os protestos dos trabalhadores da mineração, com direito a ameaça ao elenco, obrigaram a desistência dos planos, ainda que o time tenha sido rebatizado para Wismut Karl-Marx-Stadt. Já o Empor saiu da minúscula Lauter, na fronteira com a Tchecoslováquia, para a proeminente Rostock, na Pomerânia. Uma transferência pensada por Harry Tisch, importante político pomerano, depois que o Empor assumiu a liderança da Oberliga em 1954. Na saída de Empor a Rostock, as caminhonetes que levavam os jogadores foram atacadas por torcedores indignados.

O Dynamo Dresden, campeão em 1953

O Dynamo Dresden, campeão em 1953

E o futebol passou a uma centralização progressiva pelo regime, reduzindo a importância das Associações Esportivas. As instituições ligadas à indústria passaram a se tornar menos numerosas, embora continuassem existindo. Em contrapartida, os organismos estatais dominavam o controle das principais equipes da Oberliga. Ao todo, 21 antigos “BSG” mudaram de administração em 1954/55. Eram cada vez mais clubes de futebol, deixando de lado os compromissos com a formação desportiva generalizada que ainda tinham nas raízes no país. Já em 1957, a federação de futebol alemã-oriental também foi reestruturada.

O homem que controlava o futebol e a Stasi

A partir do final da década de 1950, Erich Mielke se torna um personagem central na Alemanha Oriental. O general é nomeado em 1957 como Ministro para Segurança do Estado – a temível Stasi. E o berlinense, que já fazia parte da alta cúpula do ministério, amplia ainda mais sua influência sobre o futebol, pelo qual é apaixonado. Não é por menos que Mielke é apontado ainda em 1954 como principal responsável pela criação do Dynamo Berlim em sua cidade natal.

No entanto, não foi a ascensão de Mielke que impediu uma maior estabilidade entre os clubes da Alemanha Oriental. As mudanças de cidades passaram a ser sistematicamente rechaçadas por jogadores, torcedores e dirigentes, a ponto de obrigar o regime a criar uma legislação em 1963 para permitir transferências “apenas consensuais”. Assim, o último grande episódio do tipo só aconteceu em 1971, quando o Vorwärts Berlin, dono de seis títulos nacionais ao longo da década de 1960, passou a ser sediado em Frankfurt/Oder, na fronteira com a Polônia. A decisão foi tomada para o Vorwärts suplantasse o antigo SG Dynamo local, que tinha sido desmanchado. Acabou permitindo o domínio do Dynamo Berlim na capital. Não surpreendentemente, o time presidido também por Mielke a partir de 1968.

Mielke, em um dos muitos eventos de futebol no qual se envolvia

Mielke, em um dos muitos eventos de futebol no qual se envolvia

Ainda assim, a década de 1960 serviu para que a maioria dos clubes mais célebres da antiga Alemanha Oriental se estabelecessem na Oberliga. Abraçado pela população da cidade e apostando na formação de jogadores, o Dynamo Dresden reapareceu na elite do futebol local em 1962/63. Na mesma temporada, o campeão inédito foi o Motor Jena, rebatizado três anos depois como Carl Zeiss Jena em homenagem a sua fundação em 1903, pelas mãos de operários da indústria ótica da cidade. Ligado à construção civil, o Aufbau Magdeburgo passou a frequentar a primeira divisão. Já Leipzig via o futebol na cidade renascer com a reconstituição do Chemie e do SC Leipzig – que, pouco depois passaria a se chamar Lokomotive.

Esse crescimento, todavia, não foi mera coincidência. O investimento do regime nos times da primeira divisão, visando a formação de jogadores, ajudou a impulsioná-los. A RDA criou em 1965/66 uma elite de 11 equipes, que podia recrutar jovens atletas de qualquer parte do país. Nesta mesma época, o futebol alemão-oriental via o surgimento de sua geração mais talentosa. Os clubes eram ferramenta estatal para tentar melhorar o nível da seleção, o que gerou resultados principalmente na década de 1970.

A Stasi cada vez mais infiltrada no futebol

O problema é que a relevância que o futebol na Alemanha Oriental tornou o regime mais sedento por bons resultados. Um episódio emblemático aconteceu na década de 1960, quando a seleção era treinada pelo húngaro Károly Sós. Herdeiro intelectual de muitos compatriotas e técnico do Honvéd após o desmanche do time naRevolução de 1956, o técnico era conhecido pelo jogo bonito do time. Conseguiu até mesmo bons resultados em amistosos, vencendo Uruguai e Holanda, além de fazer jogos parelhos contra Inglaterra e União Soviética. Porém, a ausência em grandes torneios custou o seu emprego em 1967.

Dois anos depois, o futebol passou ao centro do programa de investimentos da Alemanha Oriental. O governo criou uma diretiva para direcionar recursos às modalidades que tivessem mais chances de conquistar medalhas olímpicas. Por sua popularidade e pela influência de Mielke, o futebol acabou incluído como “Esporte I”, ao lado da natação, do atletismo e do halterofilismo. Essa posição garantia não apenas mais dinheiro para os clubes na formação de jogadores. Ela também permitia que o pagamento de bonificações aos jogadores em teoria amadores. E também abria possibilidades no programa estatal de doping, que permitiu ótimos resultados olímpicos ao país.

Georg Buschner, técnico da seleção alemã-oriental

Georg Buschner, técnico da seleção alemã-oriental

Dentro do futebol, outro nome importante para centralizar essa política foi Georg Buschner. O técnico do Carl Zeiss Jena assumiu a seleção alemã-ocidental a partir de 1970, orquestrando esse processo. Sob as suas ordens, o país se classificou a sua única Copa do Mundo e ganhou três medalhas olímpicas – bronze em 1972, ouro em 1976 e prata em 1980. O regime reduziu ainda mais a elite de clubes, com a criação de seis centros de excelência para a formação de atletas em 1976: Dynamo Berlim, Dynamo Dresden, Magdeburgo, Carl Zeiss Jena, Lokomotive Leipzig e Vorwärts Frankfurt/Oder. Como consequência, os resultados dos clubes nas copas continentais começaram a melhorar.

As vozes que se levantaram contra o regime

O problema é que nem sempre essa interferência era bem aceita por jogadores, técnicos e torcedores. Então campeão da Recopa, o Magdeburgo cruzou com o poderoso Bayern de Munique nas oitavas de final Copa dos Campeões de 1974/75. Um jogo que representava muito para a política. No intervalo de um dos jogos, membros da Stasi tentaram passar ao técnico Heinz Krügel as instruções que Udo Lattek tinha dado aos bávaros. Krügel recusou, pela falta de ética, e o Bayern avançou na competição. Em 1976, o regime destituiu o treinador do cargo, justificando que “ele não estava desenvolvendo jogadores como deveria nas estruturas estatais”. Um ano antes, o Magdeburgo ainda recebera Joachim Streich, maior artilheiro da história da Oberliga, que deixou o Hansa Rostock contra a sua vontade.

O duelo entre Magdeburgo e Bayern, em 1975

O duelo entre Magdeburgo e Bayern, em 1975

A paranoia de Mielke também aumentou a partir de um tratado firmado entre as duas Alemanhas em 1974, estreitando as relações esportivas entre os dois territórios. A partir de então, os clubes passaram a ser costumeiramente espionados pela Stasi. Técnicos, jogadores e árbitros se tornaram informantes extraoficiais da polícia secreta. E o controle também era grande nas arquibancadas, para tentar evitar uma “ocidentalização” e possíveis movimentos contra o governo. No Dynamo Dresden, por exemplo, 18 dos 72 jogadores registrados entre 1978 e 1990 prestaram serviços à Stasi. Uma vigilância exagerada que gerou um escândalo em 1981, quando três atletas convocados para a seleção foram presos, acusados de planejarem a deserção ao futebol da Alemanha Ocidental.

Entretanto, nenhuma tragédia foi maior do que a vivida por Lutz Eigendorf. O meio-campista de 23 anos deixou o Dynamo Berlim para se juntar ao Kaiserslautern, durante um amistoso na cidade alemã-ocidental. Em 1983, três anos depois, o então jogador do Eintracht Braunschweig morreu em um acidente de carro, com álcool encontrado em seu sangue. Após a reunificação, documentos revelados comprovaram a participação da Stasi em seu assassinato.

Dynamo Berlim, o apogeu das falcatruas e o fim do país

Nada supera, entretanto, o estágio que o poder de Mielke teve na Oberliga a partir da década de 1980. A elite de seis clubes se transformaria em apenas um, o seu Dynamo Berlim. A Stasi direcionaria todos os seus esforços para transformar o clube da capital em potência nacional absoluta, conquistando dez títulos consecutivos e buscando sucessos maiores na Copa dos Campeões. Para tanto, os berlinenses passaram a ter ainda mais liberdade para buscar promessas em outras equipes e também com arbitragens convenientes.

O ponto de virada aconteceu a partir de 1977/78, quando o Dynamo Dresden comemorava o tricampeonato nacional. Mielke entrou nos vestiários para parabenizar os jogadores, mas também para avisar que, a partir de então, também chegava o momento do Dynamo Berlim começar a ganhar. Promessa cumprida já na temporada seguinte, com os berlinenses abrindo sete pontos de vantagem sobre os rivais de Dresden ao final da campanha. Causava ainda mais ira na cidade, que já tinha perdido seus craques para a capital na década de 1950.

O Dynamo Berlim campeão em 1979

O Dynamo Berlim campeão em 1979

A principal estratégia de Mielke para manter o Dynamo no topo era simples: ele dava privilégios aos árbitros que beneficiassem seu clube, garantindo as suas indicações para os jogos da Uefa. Assim, o time da capital tinha costumeiramente muitos pênaltis a favor, muitos gols sofridos anulados por impedimento e craques adversários suspensos para os jogos contra o Dynamo. O episódio mais notável aconteceu em um duelo contra o Lokomotive Leipzig, no qual um pênalti fajuto dado aos 50 do segundo tempo acabou decidindo os rumos do título em 1985/86, o oitavo consecutivo dos berlinenses.

O sucesso do Dynamo Berlim não fazia o clube querido pelos torcedores. Pelo contrário: as médias de público dos decacampeões se aproximavam dos cinco mil pagantes, apenas um terço da média da Oberliga. Assim como estava longe de garantir o sucesso dos berlinenses na Copa dos Campeões. Embora o clube tenha cruzado com alguns favoritos na primeira metade da década de 1980 (Nottingham Forest, Aston Villa, Hamburgo e Roma), o desempenho na metade final foi risível. Após cair para Áustria Viena, Brondby e Bordeaux, o maior vexame aconteceu justamente contra o Werder Bremen, em 1988/89. O Dynamo vencera por 3 a 0 em Berlim, mas acabou eliminado e goleado por 5 a 0 na Alemanha Ocidental. Uma alegria principalmente para aqueles que viam o sistema sucumbir.

Naquela época, a pressão dentro do próprio regime contra as decisões de Mielke era enorme. Em 1985, um documento da federação alemã-oriental culpava “os privilégios sociais, os pagamentos ilegais e o modo territorial de pensar” como motivos para o desenvolvimento do futebol no país ter sido prejudicado. Já na Oberliga, as três últimas edições não foram mais vencidas pelo Dynamo Berlim, e sim por Dynamo Dresden (88/89 e 89/90) e pelo Hansa Rostock (90/91), em um feito inédito do clube. Além disso, não havia mais como controlar os torcedores, com o hooliganismo se tornando mais comum nas arquibancadas. O Estado e a Stasi tinham perdido os seus poderes no futebol, e o reflexo disso na sociedade foi evidente com a queda do Muro de Berlim.


Os comentários estão desativados.