Como o Espanyol se tornou uma das bases mais produtivas da Europa

Entrevistamos Hugo Blanco, o administrador de identidade e assistente do departamento esportivo, que fala sobre a formação de jogadores no Espanyol

Por Mirela Silva

No início de 2019, o CIES Football Observatory incluiu a academia de formação de atletas do Espanyol entre as 22 melhores e mais produtivas do mundo. Algumas posições acima de conhecidas academias, como as do Ajax e a do Milan — embora o clube catalão tenha muito menos poder econômico. A conquista das categorias de base do Espanyol, no entanto, faz parte de uma estratégia adotada pela equipe.

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“O Espanyol sempre foi uma referência no que diz respeito ao desenvolvimento de jogadores e nosso modelo atual ajuda a permitir a progressão e adaptação dos jogadores com as demandas do futebol profissional em mente. Nesse sentido, nosso diretor esportivo está diretamente envolvido em todos os processos, desde o desenvolvimento da metodologia, passando pela fase de controle e monitoramento até a fase de recrutamento. Isso torna a progressão e o acesso à primeira equipe muito mais fáceis”, explicou Hugo Blanco, o administrador de identidade e assistente do departamento esportivo do clube.

É graças às oportunidades reais de progresso, que o clube criou a capacidade de formar atletas que irão ingressar nas maiores ligas e clubes do mundo. O exemplo mais recente é o meio-campista Marc Roca, que se juntou ao atual vencedor da Champions League, Bayern de Munique, em 2020.

“Trabalhamos de forma linear em toda a estrutura. Combinamos a mais alta exigência profissional com um tratamento familiar e um sentimento de pertencimento claramente único. As estatísticas mostram que o Espanyol é um dos clubes espanhóis onde existe a maior probabilidade de alcançar o nível superior”, acrescentou.

Existem graduados da academia do Espanyol em todo o continente, com 39 deles jogando nas cinco principais ligas europeias nos últimos anos. Entre eles estão Joan Jordán (Sevilla), Eric Bailly (Manchester United), Pau López (Roma), Gerard Moreno (Villarreal), Marc Cucurella (Getafe) e Pol Lirola (Fiorentina).

Na temporada 2019/20, havia mais de 10 atletas formados na base no time principal, disputando a La Liga. Isso fez do clube um dos times com mais formandos na categoria. E nesta temporada, eles mantêm a proporção, com 11 jogadores vindos da base (o que corresponde a cerca de 45% do plantel): Lluís López, Pedrosa, Dídac, David López, Sergi Darder, Pol Lozano, Alex López, Nico Melamed, Puado, Melendo e Campuzano.

Para o Espanyol, não é fácil conviver na mesma cidade com um gigante do futebol mundial como o Barcelona. Não é simples em nenhum nível, o que inclui a própria academia de base. No entanto, o clube conseguiu estabelecer uma identidade genuína com a qual os cerca de 200 jovens da academia aderiram. Como destacou Blanco: “Temos nossa própria identidade e história esportiva, temos um projeto único. Não construímos nada para fins de comparação. Temos nosso próprio modelo e estamos orgulhosos dele”.

Espanyol e a exportação do modelo de academia do clube ao redor do mundo

Um bom exemplo das boas práticas do clube é visto desde o recrutamento, envolvendo jogadores muito jovens. Como afirmou Blanco: “Estabelecemos definições para os elementos técnicos, táticos, físicos e psicológicos que um jogador deve ter, para cada faixa etária e para cada posição no futebol. Como tal, podemos garantir que eles se encaixam no estilo que estamos implementando, desde os primeiros estágios. Acreditamos muito em detectar e capturar talentos nos estágios iniciais, mesmo no futebol de sete, porque isso nos permite fomentar seu talento esportivo por meio da metodologia que estamos implementando”.

E foi com esta receita de tratamento adequado às faixas etárias que, nos últimos anos, fez o Espanyol decidir exportar seu modelo de futebol juvenil para outros países. Atualmente, o Espanyol conta com onze academias em oito países diferentes: EUA, Suécia, Finlândia, Iraque, Argélia, China, Japão e Austrália. Os três locais na China têm sido particularmente bem-sucedidos, impulsionados pelo fato de o chinês Wu Lei estar na primeira equipe do Espanyol.

“A estratégia de expansão internacional por meio de projetos esportivos tem sido muito positiva, e a metodologia de sucesso teve um grande impacto porque ajuda a construir os contextos educacionais certos para os jogadores”, explicou Blanco.

Para maximizar o potencial das ações, o Espanyol se beneficiará de duas novas ferramentas que vêm da La Liga e do departamento de Projetos Esportivos do campeonato: a La Liga Training Hub – uma série de módulos educacionais com profissionais de peso – e o novo software de gestão e controle de academias.

“É uma boa coisa fornecer acesso a essas ferramentas tecnológicas que a La Liga está desenvolvendo, como este software de gerenciamento e controle de academias. Apoiamos firmemente o uso de tecnologia no Espanyol e estamos centralizando todos os dados derivados de nossas partidas e sobre nossos jogadores e treinadores. Que tudo seja feito na mesma plataforma de análise nos permite ser ágil na hora de tomar decisões e minimizar as margens de erro”, concluiu o gerente do time.