Cruzeiro e River Plate se reencontram nesta terça-feira para definir o primeiro classificado às quartas de final da Copa Libertadores. A ocasião parece pender à Raposa, diante do placar interessante que o time de Mano Menezes arrancou na visita ao Monumental de Núñez, com o empate por 0 a 0. E uma lembrança inescapável aos celestes é a vitória na decisão continental de 1976, que consagrou o clube pela primeira vez na competição, derrotando justamente os argentinos. O gol de Joãozinho, aos 43 minutos do segundo tempo no jogo-desempate em Santiago, para determinar a vitória por 3 a 2, possui ares lendários aos cruzeirenses.

Assim, aproveitando o gancho, resgatamos um pouco das impressões após o título do Cruzeiro em 1976. Abaixo, as declarações concedidas por importantes personagens daquele time ao Jornal dos Sports, publicado dois dias após a vitória. Também a crônica de Nelson Rodrigues no mesmo jornal, recontando a partida. Para ampliar a fotografia, clique com o botão direito do cursor e em ‘abrir imagem em nova guia’. Confira:

As declarações dos cruzeirenses

Piazza: “Acho que minha emoção de ganhar a Libertadores foi superior à conquista do tricampeonato mundial. Talvez seja devido às circunstâncias, já que disputei essa Taça com muito esforço, enfrentando uma contusão quase crônica, mas sempre incentivado por minha família, o que me deu mais forças para superar tudo isso”.

Jairzinho: “Como sofri naquele banco, vendo o time jogar sem poder entrar em campo. Mas uma coisa me dizia que seríamos campeões, tanto que, quando o jogo estava 2 a 2, quase no final dos 90 minutos e com todos já pensando numa possível prorrogação, eu disse à turma do banco: o Cruzeiro ainda vence e vai ser naquela falta. E foi. Agora, quero ser campeão mundial interclubes. Com esse título, acho que minha carreira estará completa”.

Raul: “Eu sabia que, de tanto apanhar nessa Libertadores, um dia o Cruzeiro aprenderia a bater. A gente tem que ter cabeça fria para suportar esse pessoal, em determinados momentos. Mas também tem que saber a hora exata de fazer uma guerra de nervos neles, porque contra uruguaios e argentinos a tática e a técnica às vezes são insuficientes para mostrar o melhor”.

Zé Carlos: “Nossa união foi o ponto forte para conquistar essa Libertadores. Embora o Cruzeiro nas duas últimas partidas não tenha realizado tudo o que pode e sabe, todo mundo deve reconhecer que a conquista foi merecida, levando-se em conta a campanha em todo o torneio, onde nossos números são infinitamente superiores aos do adversário. Estou feliz e atribuo grande parte do êxito à experiência do seu Zezé”.

Palhinha: “Sinceramente, acho que a Libertadores veio recompensar uma injustiça que sempre persegue o Cruzeiro no Campeonato Brasileiro. Sempre chegamos à final do campeonato. Às vezes, nosso time é, disparado, o melhor durante todo o Nacional e, chega na hora da decisão, há um fator extra-campo que rouba o título da gente. Agora, acho que não resta mais dúvida a ninguém desse país: o Cruzeiro tem que ser considerado, na época atual, o melhor time brasileiro, queiram ou não”.

O técnico Zezé Moreira: “O futebol mineiro, representado pelo Cruzeiro, deu ao Brasil a posição que sempre foi sua. Eu fico satisfeito ao ver colhido o fruto de um trabalho sério, de um trabalho coletivo e, principalmente, de ter mais um título que, aliás, já consegui dirigindo o Peñarol”.

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