Nem todo mundo valoriza a Liga Europa, ou Copa da Uefa antes dela, como um título importante. Foi muitas vezes tratada como um prêmio de consolação ou até um estorvo, o que diminuiu a partir do momento em que a Uefa passou a conceder vaga na Champions League por meio dela. Calhou, porém, que a final desta sexta-feira seja entre dois clubes com vasta história na competição: o Sevilla, maior campeão com cinco títulos, e a Internazionale, em segundo lugar na lista (empatado com outros três), com três troféus, todos nos anos noventa. Como foram essas conquistas?

Internazionale

1991: Tempero alemão

Se o Milan tinha seu trio de estrangeiros, a Internazionale queria o dela. Não era difícil atrai-los porque a Serie A havia se tornado o campeonato no qual todos os craques desejavam atuar. Além da qualidade, buscaria também uma mentalidade vencedora, após oito anos com apenas um troféu da Copa Itália para comemorar, e não encontraria alguém mais perfeito nesse quesito do que Lottar Mathäus, um meia que sabia fazer tudo em campo, inclusive melhorar seus companheiros. Andreas Brehme, outra lenda alemã que estava no Bayern de Munique, chegaria no mesmo mercado e ajudaria a arrumar a defesa de Giovanni Trapattoni, que levou apenas 19 gols na conquista do scudetto de 1988/89. No mercado seguinte, Jürgen Klinsman completaria a colônia alemã em Milão, depois de levar o Stuttgart à final da Copa da Uefa.

Com o trio completo, a Internazionale não conseguiu repetir o título italiano – o Napoli tinha um canhotinho que jogava por cinco -, mas comemorou cada um dos dez gols que eles anotaram na Copa do Mundo que a Itália sediou. Matthäus marcou quatro, Klinsmann fez três. Brehme, também com três, foi responsável pelo mais importante, o último do torneio, na vitória por 1 a 0 sobre a Argentina na final. Embalados pelo título mundial, os alemães queriam retribuir o carinho da torcida da Internazionale e nada melhor do que encerrar um jejum de 26 anos sem títulos europeus.

A última conquista continental do clube havia sido o bicampeonato da Copa dos Campeões, com Helenio Herrera, em 1965. Não daria para tentar o tri, mas a Copa da Uefa apresentava uma chance interessante. A Inter abriu a campanha com uma derrota para o Rapid Viena, por 2 a 1. Na Itália, o 0 a 0 perdurava até Nicola Berti abrir o placar, aos 22 minutos do segundo tempo. Ele voltou a marcar, aos 39, no que parecia ser uma classificação épica. No entanto, os austríacos forçaram a prorrogação, aos 43. Foi a vez de Klinsmann sair ao resgate com o gol do alívio no tempo extra.

Mais problemas em Birmingham, onde o Aston Villa representava o retorno da Inglaterra às competições europeias, após a exclusão por causa da tragédia de Heysel. Kent Nielsen e David Platt fizeram 2 a 0 no Villa Park. Klinsmann, Nicola Berti e Alessandro Bianchi fizeram 3 a 0 no San Siro. Enfim fazendo a primeira partida em casa, a Inter fez o trabalho cedo contra o Partizan, ganhando por 3 a 0, e apenas confirmou a vaga com o empate por 1 a 1 na Sérvia, gol de Matthäus.

As próximas duas fases começariam com um empate sem gols fora de casa antes de a Internazionale vencer por 2 a 0 o jogo de volta, com gol de Matthäus nos dois duelos. Primeiro, foi a Atalanta de Cannigia e Evair, seguida pelo Sporting. A final apresentaria outro adversário familiar. Não apenas por ser a Roma, mas por ser uma Roma que contava com Rudi Völler, companheiro de seleção alemã do trio da Internazionale.

Matthäus abriu o placar da decisão, de pênalti, aos 10 minutos do segundo tempo, e Berti ampliou, após linda jogada de Klinsmann pela ponta esquerda. A vantagem construída no San Siro era muito boa, e o gol solitário de Ruggiero Rizzitelli na capital apenas a arranhou. A Internazionale conquistou a Copa da Uefa pela primeira vez em sua história, na última grande campanha do seu trio de alemães. Trapattoni sairia ao fim daquela temporada e um péssimo oitavo lugar era o sinal claro de que o ciclo havia terminado. Em 1992, Brehme sairia para o Zaragoza, Matthäus retornaria ao Bayern de Munique e Klinsmann tentaria a sorte no Monaco.

1994: O brilho efêmero de Bergkamp

A passagem de Dennis Bergkamp pela Internazionale foi tudo menos memorável. Houve choque de estilos, tanto em campo quanto fora dele, e o holandês também não encontrou a gigante italiana em um momento particularmente competente. Mas nos dois anos em que vestiu azul e preto teve pelo menos uma campanha da qual se orgulhar: a Copa da Uefa de 1993/94.

Bergkamp foi uma contratação badalada. Havia impressionado pelo Ajax e vinha de um terceiro e um segundo lugar na Bola de Ouro. Chegou ao lado do compatriota Wim Jonk, mas pouco pode ajudar o companheiro de ataque uruguaio Rubén Sosa na Serie A. Faria apenas oito gols, cinco de pênalti, na pior campanha da Inter na história da competição. O treinador Osvaldo Bagnoli foi substituído por Giampiero Marini e os resultados pioraram. Ele venceria apenas duas das últimas 12 rodadas, com oito derrotas. Ter escapado do rebaixamento por apenas um ponto foi um milagre.

Mas, paralelamente, ele conduziu o time à decisão da Copa da Uefa. No final de 1993, a Internazionale havia passado sem grandes sustos por Rapid Bucareste, quando Bergkamp fez os torcedores salivarem com uma tripleta no jogo de ida que incluiu um lindo voleio da entrada da área. Apollon e Norwich foram despachados com um gol do holandês em cada uma das quatro partidas. O grande desafio viria nas quartas: o Borussia Dortmund, finalista da edição anterior, prestes a ser campeão alemão e a alguns anos de conquistar a Europa.

O brilho no primeiro jogo no Westfalenstadion foi de Jonk, que abriu o placar invadindo a área e o ampliou com um golaço. Tudo em um intervalo de quatro minutos. Michael Schulz descontou para o Dortmund, mas Igor Shalimov disparou em contra-ataque, nos acréscimos, para restaurar a importante vantagem de dois gols dos italianos. Importante porque o Dortmund abriria 2 a 0 no San Siro antes de Antonio Manicone castigá-lo no contra-ataque e colocar a Inter na semifinal.

O Cagliari, cujo grande nome era o brasileiro-belga Luis Oliveira, ou “Oliverrà”, e contava com Massimiliano Allegri em seu elenco, fez jogo duro na ida e venceu por 3 a 2, mas foi presa fácil para Bergkamp no San Siro. O holandês abriu o placar de pênalti e deu assistência para os gols de Berti e Jonk que garantiram a vaga na final contra o Casino Salzburg, precursor do clube que hoje em dia é batizado pela Red Bull.

Na Áustria, Berti dominou, dividiu com o marcador e emendou um chute cruzado de perna esquerda para fazer o único gol da partida. Na Itália, um novo 1 a 0, cortesia de uma elegante cavadinha de Jonk. E apesar dos percalços em âmbito doméstico, a Internazionale era bicampeã da Copa da Uefa.

1998: Fenomenal

Em 1997/98, a Internazionale, treinada por Luigi Simoni, tinha vários rostos conhecidos. A começar que já contava com Javier Zanetti. Tinha Diego Simeone no meio-campo. Tinha Youri Djorkaeff, Taribo West, Aaron Winter, Álvaro Recoba, Kanu e Iván Zamorano. E tinha uma dupla de brasileiros: Zé Elias e Ronaldo, o melhor jogador do mundo na temporada anterior, tanto pela Fifa, quanto pela Bola de Ouro. Havia sido a contratação mais cara da história e se esperava que levasse a Inter a um outro patamar, o que acabou não fazendo por diversos motivos. No entanto, naqueles dois anos, comeu a bola como poucas vezes em sua carreira.

A Juventus foi responsável por estender o jejum na Serie A, e a goleada do Milan por 5 a 0 na Copa Itália havia sido dolorida, mas a Internazionale tinha na Copa da Uefa a chance de lavar a alma. A campanha havia sido iniciada com duas vitórias protocolares contra o suíço Neuchatel Xamax, por 2 a 0, que contou com um dos poucos gols – três – que Zé Elias anotou pela Internazionale. O Lyon ameaçou a campanha na segunda rodada, com uma vitória por 2 a 1 no San Siro, mas Francesco Moriero marcou duas vezes na França e ajudou na vingança por 3 a 1.

Ronaldo abriu o placar com um chute rasteiro de fora da área, em mais uma eliminatória que a Inter precisou correr atrás, após levar 2 a 0 do Estrasburgo no jogo de ida. Zanetti encheu o pé para empatar, e Simeone, em uma mistura de raça e habilidade, marcou o gol da classificação às quartas de final. Como um raio, Ronaldo fez o único gol da primeira partida contra o Schalke 04. O empate por 1 a 1 na segunda foi suficiente para avançar.

Cansada de sofrer, a Internazionale venceu as duas contra o Spartak Moscou nas semifinais. Zé Elias voltou a marcar na vitória por 2 a 1 no San Siro, e Ronaldo anotou todos os gols do mesmo placar na Rússia. Pela primeira vez, a Copa da Uefa seria decidida com jogo único em estádio pré-estabelecido, e o Parque dos Príncipes se preparava para um duelo italiano entre os nerazzurri e a Lazio de Alessandro Nesta, Roberto Mancini e Pavel Nedved.

Zamorano marcou o primeiro da decisão, no quinto minuto, completando um lindo lançamento de Simeone. Ele e Ronaldo acertaram a trave antes de Zanetti ampliar com outra bomba da entrada da área. Ronaldo saiu nas costas da defesa, driblou o goleiro com facilidade e assegurou o terceiro título da Inter na Copa da Uefa. Todos nos anos noventa.

Sevilla

2006: Início de uma dinastia

O Sevilla havia virado o século na segunda divisão, mas a venda de José Antonio Reyes ao Arsenal e os astutos negócios do diretor Monchi o haviam fortalecido o bastante para chegar à metade da década na parte de cima da tabela, batendo na trave da Champions League. O mercado daquela temporada havia gerado um bom dinheiro com as vendas de Sergio Ramos e Júlio Baptista ao Real Madrid, rapidamente reinvestido em Luis Fabiano, Frédéric Kanouté e Ivica Dragutinovic. A vaga na principal competição europeia havia sido perdida para o Osasuna no confronto direto, mas havia uma boa campanha em andamento no torneio secundário.

O time treinado por Juande Ramos foi o líder do grupo e passou pelo Lokomotiv Moscou na primeira fase eliminatória. Precisou de gols de Luis Fabiano e Kanouté para despachar o Lille, após perder a ida por 1 a 0. Nas quartas de final, Javier Saviola, emprestado pelo Barcelona, marcou duas vezes no 4 a 1 sobre o Zenit que encaminhou a vaga no Ramón Sánchez Pizjuán. Os duelos contra o Schalke pelo direito de disputar a final em Eindhoven terminaram em 0 a 0. Antonio Puerta, que morreria de ataque cardíaco em agosto de 2007 após se sentir mal durante um jogo contra o Getafe, acertou um bonito chute de primeira do bico da grande área para colocar o Sevilla em sua primeira fina europeia. O adversário seria o Middlesbrough.

O clube inglês, treinado por Steve McLaren, tinha algumas figurinhas carimbadas, como Fábio Rochemback, Stewart Downing, Mark Viduka e Jimmy Floyd Hasselbaink, mas não foi páreo para o poder de fogo dos espanhóis. Daniel Alves cruzou da intermediária para Luis Fabiano completar de cabeça. Maresca fez 2 a 0, no rebote de Kanouté, e ampliou com um chute cruzado de fora da área. Schwarzer impediu a sua tripleta, mas Kanouté conferiu no rebote para garantir a goleada e o título do Sevilla. O primeiro de muitos.

2007: Sucesso em triplo

Foi um raro mercado de poucas movimentações para o Sevilla, que não perdeu nenhum jogador importante e contou com o entrosamento de seu time para ter a temporada mais vitoriosa da sua história. Havia conquistado o Campeonato Espanhol na década de quarenta, mas, em 2006/07, levantaria três taças diferentes. A primeira foi a Supercopa da Uefa com uma enfática vitória por 3 a 0 sobre o Barcelona de Ronaldinho Gaúcho. Também ganharia do Getafe na final da Copa do Rei, com gol solitário de Kanouté, e repetiria o sucesso da temporada anterior na Copa da Uefa.

Superou o Steaua Bucareste com duas vitórias e fez um duelo eletrizante contra um Shakhtar Donetsk que contava com os brasileiros Fernandinho, Elano, Matuzalém, Jadson, Brandão e Luiz Adriano. Enzo Maresca garantiu o empate por 2 a 2 no Ramón Sánchez, aos 43 minutos do segundo tempo. Em Donetsk, o 1 a 1 já era insuficiente quando Elano escapou pela esquerda e fez o segundo dos ucranianos, a sete minutos do fim. Mas sabe como os times costumam mandar o goleiro para a área nos instantes finais e nunca dá certo? Pois bem.

Javier Chevantón lutou para ganhar um escanteio, aos 48 minutos do segundo tempo. Daniel Alves na cobrança, Palop, o goleiro, posicionado na marca do pênalti. O centro foi perfeito, e a desatenção do Shakhtar, imperdoável. Palop nem precisou saltar muito para cabecear no canto e forçar a prorrogação. Um passe de Luis Fabiano deixou Chevantón na cara do gol para fechar uma classificação das mais épicas.

O Tottenham, que na temporada seguinte contrataria Juande Ramos, foi a próxima vítima. Até começou bem, com um gol de Robbie Keane, aos dois minutos do jogo de ida, mas Kanouté e Kerzhakov viraram para o Sevilla. No White Hart Lane, nem deu para ter muita esperança porque um gol contra de Steed Malbranque e outro de Kanouté, a favor, deram uma vantagem grande para os espanhóis. Os Spurs ainda empataram com Defoe e Aaron Lennon, mas precisavam de mais dois gols.

O mesmo Osasuna que havia lhes negado a vaga na Champions League na campanha anterior foi superado na semifinal. Roberto Soldado deu a vitória ao clube de Pamplona, mas Luis Fabiano e Renato garantiram a vaga em mais uma final no jogo de volta. E mais um duelo local, contra o Espanyol de Luis García, Raúl Tamudo, um jovem Pablo Zabaleta e dos brasileiros Eduardo Costa e Jônatas.

Adriano disparou pela esquerda e não parou até colocar a bola nas redes. Sevilla 1 a 0. Albert Riera empatou com um chute desviado da entrada da área. A partida foi para a prorrogação. Kanouté apareceu na pequena área para completar o cruzamento rasteiro de um garotão chamado Jesús Navas, mas Jônatas voltou a igualar o marcador com uma batida de fora da área.

Palop completou uma incrível jornada de herói defendendo o pênalti de Luis García, após Kanouté colocar o Sevilla na frente. Dragutinovic também acertou, Walter Pandini converteu o primeiro do Espanyol. Daniel Alves, porém, isolou, mas, antes que o Sevilla pudesse lamentar, Palop fez outra defesa, na batida de Jônatas. Puerta fez 3 a 1 para o Sevilla. Torrejón tinha que acertar sua cobrança, mas adivinha o que aconteceu? Palop novamente.

Bicampeonato do Sevilla que, no entanto, não teve a chance de buscar o tri porque havia finalmente se classificado à Champions League com o terceiro lugar no Campeonato Espanhol, fechando uma temporada histórica com chave de ouro.

2014: Um novo começo

O Sevilla se manteve nas primeiras posições do Campeonato Espanhol até ter uma queda brusca com Marcelino Toral e Míchel. Dois nonos lugares consecutivos foram a pior sequência do clube desde o começo do século. Uma oscilação até esperada para quem compra e vende tantos jogadores. Quem assumiu o comando da equipe antes da temporada 2013/14 foi outro nome comum aos times do segundo escalão da Espanha: Unai Emery, que havia feito um ótimo trabalho à frente do Valencia.

Foi, para variar, um mercado movimentado. O Sevilla vendeu bem Álvaro Negredo e Jesús Navas para o Manchester City e Kondogbia para o Monaco. Ainda tirou uns bons trocados enviando Gary Medel ao Cardiff e Luis Alberto ao Liverpool. Reinvestiu em um pacotão de jogadores, muitos dos quais viriam a ser importantes: Daniel Carriço, Vitolo, Vicente Iborra, Kévin Gameiro e Carlos Bacca.

O Sevilla não conseguiria retornar à Champions League por meio do Campeonato Espanhol, mas terminara em um respeitável quinto lugar e havia novamente engrenado na Liga Europa, sua primeira boa campanha no torneio repaginado. Foi líder do seu grupo, à frente de Slovan Liberec, Freiburg e Estoril, e despachou o Maribor na primeira fase do mata-mata. Nas oitavas de final, nada mais nada menos do que um clássico contra o Betis. A derrota por 2 a 0 no Ramón Sánchez Pizjuán no jogo de ida complicou as coisas.

Entre outros motivos porque o Sevilla não vencia o rival no Benito Villamarín desde 2008 e o precisaria fazer por pelo menos dois gols de diferença. Duas assistências de Alberto Moreno para Reyes e Bacca asseguraram os pênaltis. Vitolo desperdiçou a primeira cobrança dos homens de branco e todo mundo converteu até N’Diaye acertar a trave. Ivan Rakitic colocou o Sevilla à frente, e Nono parou no goleiro Beto – com um chute que francamente foi bem ruinzinho.

Embriagado pela grande reviravolta contra o Betis, o Sevilla não tomou conhecimento do Porto nas quartas de final. Até perdeu por 1 a 0 no Estádio do Dragão, mas respondeu com goleada por 4 a 1 no Ramón Sánchez Pizjuán. Mas ainda havia espaço para mais emoção. Venceu o Valencia por 2 a 0 no jogo de ida e estava perdendo por 3 a 0 no Mestalla até o quarto minuto dos cinco programados de acréscimo no segundo tempo. Lateral cobrado na área, desvio na primeira trave, e Mbia garantiu mais uma final.

O último jogo seria contra o Benfica de Jorge Jesus. O placar não saiu do zero durante os 120 minutos de bola rolando. Na disputa de pênaltis, Beto, como Palop antes dele, foi decisivo, defendendo as batidas de Óscar Cardozo e Rodrigo. Bacca, Mbia, Coke e Gameiro converteram para o Sevilla, tricampeão da Liga Europa.

2015: Um troféu e uma vaga

Outro mercado bem movimentado para o Sevilla. As vendas de Alberto Moreno, ao Liverpool, Ivan Rakitic, ao Barcelona, e Federico Fazio, ao Tottenham, geraram € 50 milhões e nem metade foi reinvestido em nomes como Éver Banega, Aleix Vidal e Krychowiak, que renderiam um bom lucro no futuro. Monchi também confirmou Stéphane Mbia e Daniel Carriço e atacou com os empréstimos de Gerard Deulofeu, Denis Suárez e Iago Aspas.

Mais uma vez o Sevilla bateu na trave na vaga à Champions League, novamente em quinto lugar, mas a um ponto do quarto colocado Valencia. Havia, porém, uma luz no fim do túnel porque a Liga Europa passaria a dar classificação direta ao torneio ao seu campeão, uma maneira de a Uefa valorizar um pouco mais sua competição secundária – especialmente aos clubes ingleses que historicamente a desprezavam.

Boa notícia para o Sevilla que sabe navegar pela Liga Europa como ninguém. Fez uma campanha dominante até a final. Derrubou o Borussia Mönchengladbach e o Villarreal com vitória nos quatro jogos, mas teve certo trabalho contra o Zenit. Estava perdendo no Ramón Sanchez até os 28 minutos do segundo tempo, quando Bacca empatou. Denis Suárez garantiu a vitória por 2 a 1, aos 43. No jogo de volta, aos russos forçavam a prorrogação até Gameiro empatar em 2 a 2 e colocar os espanhóis na semifinal.

A Fiorentina de Vincenzo Montella e Mohamed Salah não deu nem para o cheiro: 3 a 0 na Espanha, 2 a 0 na Itália. E era pouco provável também que o Dnipro, surpreendente finalista que havia eliminado o Napoli na fase anterior, causasse problemas ao Rei da Liga Europa. Mas até que causou alguns.

O ataque da equipe ucraniana era competente, com Konoplyanka como o grande craque, Nikola Kalinic no comando de ataque e o brasileiro Matheus, que hoje em dia faz seus golzinhos na China. Kalinic abriu o placar de cabeça, aos sete minutos, completando o cruzamento de Matheus. Krychowiak empatou e, rapidinho, o Sevilla passou à frente. Reyes descolou um lindo passe para a escapada de Bacca, nas costas da defesa. O colombiano driblou o goleiro Denys Boyko e tocou ao gol vazio.

No entanto, ainda antes do intervalo, o capitão Ruslan Rotan voltou a igualar o marcador com uma perfeita cobrança de falta. Apenas aos 28 minutos do segundo tempo, o Sevilla garantiria o título. Um passe esperto de Vitolo encontrou Bacca dentro da área. E um potente chute de perna esquerda foi suficiente para o tetracampeonato da Liga Europa e para a vaga na Champions League.

2016: Antes do fim, mais um título

O grande lance da vaga na Champions League é o que você fará com ela, e o Sevilla não tratou tão bem a sua. Verdade que pegou um grupo difícil e até abriu a campanha vencendo o Borussia Monchengladbach. No entanto, perdeu as quatro partidas seguintes. A derrota para os alemães na penúltima rodada colocaria em risco até o terceiro lugar, mas conseguiu ganhar da Juventus e contou com a vitória do Manchester City sobre o Gladbach para pelo menos se manter na Liga Europa.

O Sevilla gostou do que viu de Konoplyanka e o trouxe do Dnipro. Fernando Llorente, ao fim de seu contrato com a Juventus, também acertou com o clube, que tentou recuperar Ciro Immobile da passagem apagada pelo Borussia Dortmund, mas o emprestaria ao Torino em janeiro. Talvez valesse ter insistido um pouco mais. A aposta em Nzonzi, do Stoke City, porém, foi certeira e, além de retorno esportivo, ainda traria um bom lucro no futuro.

Foi uma temporada de mais algumas decepções ao Sevilla, que perdeu a Supercopa da Europa na prorrogação – depois de 4 x 4 no tempo normal – e a Copa do Rei, ambas para o Barcelona. Não passou do sétimo lugar no Campeonato Espanhol, mas é o que diziam naquele filme velho: “Sempre teremos a Liga Europa”. Além do título, mais uma vez a vaga na Champions League teria que vir por meio do título da competição secundária da Uefa.

O Molde e o Basel foram despachados com autoritárias vitórias por 3 a 0 nas duas primeiras fases, mas o Athletic fez jogo duro nas quartas de final. Perdeu por 2 a 1 no San Mamés, mas devolveu o placar no Ramón Sánchez. Todo mundo converteu seu pênalti, menos Beñat, que facilitou bem a vida de Soria com um chute fraco, não muito alto e no meio do gol.

Um pênalti convertido por Gameiro, aos 37 minutos do segundo tempo, arrancou o empate por 2 a 2 contra o Shakhtar Donetsk, na Ucrânia. Na volta, Gameiro marcou duas vezes antes de Mariano fechar a vitória por 3 a 1 que colocou o Sevilla em sua terceira final consecutiva. E contra um adversário de peso: o Liverpool em sua primeira temporada sob o comando de Jürgen Klopp.

O mesmo Alberto Moreno que havia sido essencial naquela virada sobre o Betis, agora com a camisa do Liverpool, teve uma péssima atuação defensiva e permitiu que Mariano cruzasse para Gameiro cancelar o golaço que Sturridge havia marcado no primeiro tempo. Coke virou com um chute preciso de fora da área, após bela jogada de Vitolo, e depois ampliou, novamente no setor que deveria estar protegido por Moreno.

O resultado deu ao Sevilla o primeiro tricampeonato consecutivo da história da competição – o Real Madrid havia sido bi nos anos oitenta – e ampliava sua vantagem na lista de títulos. Com cinco, tem dois a mais que Liverpool, Juventus, Internazionale e Atlético de Madrid. Garantiu mais uma vaga na Champions League, mais um troféu para celebrar, mas todo sucesso vem com um preço. Emery foi embora para tentar tocar o projeto do PSG e demorou quatro anos para que o clube retornasse à partida que conhece tão bem.