Como foram os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro?

Foram os Jogos em que duas lendas, no atletismo e na natação, terminaram de escrever suas histórias com a grandeza que tiveram ao longo de suas carreiras. Aumentaram seus feitos, reforçaram seus legados. Fizeram a torcida dançar, vibrar e se emocionar. Como metáfora da vida, surgiram possíveis sucessores, um apropriado lembrete de que o fim de um ciclo também representa o início do próximo. E quer exemplo melhor do que uma nova geração de atletas brasileiros, sobrinho e filha, na praia e no mar, ter conseguido duas das medalhas de ouro para a delegação anfitriã?

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Foram os Jogos em que uma garota da Cidade de Deus mostrou que uma pessoa pode superar qualquer coisa, das condições de onde cresceu à também ilimitada ignorância que a deprimiu, quando um erro bobo prejudicou a oportunidade de realizar o seu sonho, quatro anos atrás. Mas tinha 2016 aí, e sempre tem um 2016 aí, e ela sempre terá 2016 para se lembrar como o momento mais feliz da sua vida.

Foram os Jogos do ginasta que caiu de bunda e de cara no chão, antes de finalmente conseguir cair de pé no chão, e sair de cabeça erguida, orgulhoso da sua medalha prateada com alta incidência de ouro, ciente de que nunca é tarde para ser excepcional. Da ginasta que nunca erra – exceto aquela única vez que errou – e da pequena ginasta que sabe que ainda vai errar bastante, mas tem potencial para alcançar grandes feitos.

Foram os Jogos do filho de Ubaitaba, a cidade das canoas, com 20 mil habitantes, onde os barcos são os principais meios de transporte e a garotada pilota-os para ganhar um troco e, assim, em 22 anos, foi formado um trimedalhista olímpico. Os Jogos do feirante e ajudante de pedreiro que transferiu as lutas das ruas para os ringues e se tornou o maior atleta que o boxe olímpico brasileiro já teve.

Foram os Jogos em que se quebrou um recorde de 17 anos, que mostraram outro time aparentemente invencível no basquete, que encerram amargamente a carreira de uma exemplar jogadora de futebol, que derrubaram precocemente dois gigantes do tênis, porque não dá para vencer sempre, e que consagraram ainda mais a carreira de um judoca que esqueceu como se perde, porque aparentemente dá, sim, para vencer sempre.

Foram os Jogos em que os cabelos do boxeador equatoriano chamado Mina foram da hora, do “1, 2, 3, porrada no francês”, do “oooooo zika!”, do clima de Libertadores em um jogo de basquete, do “yakissoba” para atletas chineses, do “ah, é Shevchenko” para os ucranianos, e de um público que passou do ponto de vez em quando, mas, no geral, apresentou o calor da torcida como o melhor que a primeira Olimpíada da América do Sul poderia oferecer.

Foram os Jogos de Usain Bolt, Michael Phelps, Bruno Schmidtt e Alison, Martine Grael, Rafaela Silva, Diego Hypólito, Simone Biles, Flávia Saraiva, Isaquias Queiroz, Robson Conceição, Wayde van Niekerk, Kevin Durant, Carmelo Anthony e Kyrie Irving, da Formiga, de Djokovic e Serena Williams e de Teddy Riner. Mas também foram os Jogos das histórias em que o protagonista não precisa de um nome para inspirar cada um a tentar tirar o máximo do seu talento e nos lembrar de que o potencial do ser humano pode muito bem ser ilimitado.

Foram Jogos Olímpicos sensacionais.