Bayern de Munique e Sevilla disputam nesta quinta-feira o primeiro título continental da temporada. Após os respectivos sucessos na Champions League e na Liga Europa em agosto, as duas equipes medem em força em Budapeste pela Supercopa Europeia – com pontapé inicial marcado para as 16 horas, em partida transmitida ao Brasil pelo EI Plus e pelo Facebook do Esporte Interativo. E será uma taça com grande valia aos dois clubes. Mesmo com seis troféus da Champions aos alemães e seis da Liga Europa / Copa da Uefa aos espanhóis, cada um faturou a Supercopa apenas uma vez no passado. Enquanto os bávaros tentarão provar sua supremacia, os andaluzes tentam uma façanha como a protagonizada em 2006. Abaixo, relembramos esses triunfos anteriores:

Bayern campeão em 2013

A Supercopa da Europa marcava, até 2013, um histórico de frustrações ao Bayern de Munique. Na década de 1970, o timaço de Franz Beckenbauer e Gerd Müller não conseguiu ser campeão. Não disputou o recém-criado troféu em 1974, por falta de datas para encarar o Magdeburgo, vencedor da Recopa. Já nas duas edições seguintes, os bávaros seriam derrotados por Dynamo Kiev e Anderlecht. Já em 2001, em partida única em Mônaco, o esquadrão de Ottmar Hitzfeld também perdeu por 3 a 2 diante do Liverpool, vencedor da Copa da Uefa.

O tabu do Bayern, enfim, seria quebrado após o seu quinto título da Champions, em 2012/13. E a final da Supercopa marcava uma revanche contra o Chelsea, que havia faturado a Copa da Uefa uma temporada depois da vitória na Champions dentro da Allianz Arena. Pep Guardiola iniciava sua trajetória na Baviera, em timaço que trazia Arjen Robben, Franck Ribéry, Philipp Lahm e praticamente todas as feras do período, com a ausência mais sentida de Bastian Schweinsteiger. Já o Chelsea contava com a volta de José Mourinho à casamata. Tinha Petr Cech, Frank Lampard e Ashley Cole como velhos senadores, além de John Terry saindo do banco. Eden Hazard e Fernando Torres comandavam o ataque.

Aquela foi a primeira edição da Supercopa realizada fora de Mônaco desde 1998, sediada na Eden Arena de Praga. E, apesar do duelo de estilos, o placar se manteve equilibrado. O Chelsea saiu na frente logo aos oito minutos, num belo chute de primeira de Fernando Torres, o que levou o Bayern à pressão. A defesa inglesa se segurou até o início do segundo tempo, quando uma bomba de Ribéry igualou o marcador. Diante de uma partida aberta, os bávaros até insistiam um pouco mais, mas os londrinos exigiram duas defesaças de Manuel Neuer. E, aos 40, Ramires recebeu o segundo amarelo, o que deixava os Blues em condições difíceis à prorrogação.

Logo aos três minutos do tempo extra, Hazard conseguiu recolocar o Chelsea na frente, numa rara falha de Neuer. A partir de então, se veria um bombardeio do Bayern. Foram 17 finalizações na prorrogação, com algumas grandes defesas de Cech. O empate só saiu nos acréscimos do segundo tempo, com o substituto Javi Martínez, que aproveitou uma bola espirrada na área para estufar o barbante. Então, com o 2 a 2 sacramentado no placar, os dois times voltariam a se encontrar nos pênaltis – como um ano antes.

Os batedores foram perfeitos nas quatro primeiras séries. Alaba, Kroos, Lahm e Ribéry converteram ao Bayern, assim como fizeram David Luiz, Oscar, Lampard e Ashley Cole pelo Chelsea. A definição ficou para os últimos chutes. Enquanto Xherdan Shaqiri guardou aos alemães, mesmo com a bola resvalando nas mãos de Cech, Neuer cresceria para cima de Romelu Lukaku e defenderia o chute do belga. Valeu a taça inédita.

Sevilla campeão em 2006

Como o Bayern, o Sevilla conquistou uma Supercopa Europeia, em cinco participações anteriores. Porém, a conquista veio logo em sua primeira aparição, quando os andaluzes encararam o Barcelona em 2006 e ganharam de maneira inapelável. O bicampeonato não viria em 2007, com a derrota para o Milan por 3 a 1. Já no tricampeonato recente da Liga Europa, seriam três derrotas aos rivais domésticos na Supercopa. Os rojiblancos sucumbiram ao Real Madrid em 2014 e 2016, bem como tomaram a revanche do Barcelona em 2015, num animado 5 a 4 que adentrou na prorrogação.

A façanha em 2006, de qualquer forma, é daquelas que ficam marcadas na história. O Sevilla era treinado por Juande Ramos e tinha a forte base que levou o bi da Copa da Uefa. A legião brasileira era composta por Dani Alves, Renato, Adriano e Luis Fabiano, enquanto Andrés Palop e Frédéric Kanouté eram outros nomes relevantes. Jesús Navas, o atual capitão, já estava presente. O Barcelona tinha o esquadrão liderado por Ronaldinho e Samuel Eto’o. O jovem Lionel Messi aparecia pelo lado direito do ataque, enquanto Xavi e Carles Puyol eram outras bandeiras em campo. Andrés Iniesta e Ludovic Giuly estavam no banco, assim como os recém-contratados Lilian THuram e Gianluca Zambrotta. Todos sob as ordens de Frank Rijkaard.

O Sevilla começou o jogo botando pressão em Monaco e anotou o primeiro gol aos sete minutos. Luis Fabiano parou em Victor Valdés, mas Renato, que havia iniciado a jogada, anotou no rebote. Na sequência do primeiro tempo, os sevillistas continuaram com as melhores chances e ampliaram a diferença aos 45. Após uma cobrança de escanteio, Valdés saiu mal para cortar o cruzamento. Navas mandou a bola para o meio do pagode e, com o goleiro mal posicionado, Kanouté marcou.

O segundo tempo veria o Barcelona sair mais para o jogo e tentar a reação, mas não que os blaugranas exigissem tantas defesas de Palop. O Sevilla continuava mais perigoso e eficiente. Renato poderia ter feito mais um, em outro erro de Valdés. Os rojiblancos desperdiçaram algumas chances de matar o jogo, até que Palop fizesse sua principal intervenção, em batida de Messi. Mas o terceiro ainda viria, num pênalti de Puyol sobre o saudoso Antonio Puerta. Enzo Maresca assumiu a cobrança e fechou a contagem em 3 a 0, aos 44 minutos. A superioridade dos andaluzes foi inquestionável. Dani Alves ainda ganhou o prêmio de melhor em campo.