*Colaborou Leandro Stein

O Lyon estreou na fase de grupos da Champions League, na última terça-feira, com um decepcionante empate em casa contra o Zenit. O grande lance, porém, foi o retorno de um treinador brasileiro ao banco de reservas da principal competição europeia do planeta. Ex-auxiliar de Tite na seleção brasileira, Sylvinho foi o primeiro desde que Leonardo perdeu para o Schalke 04, nas quartas de final de 2011, sem contar as fases preliminares (alô, Paulo Autuori).

O fato nos fez ir atrás de quantos treinadores brasileiros já treinaram equipes europeias na Copa dos Campeões/Champions League, desde a fundação, em 1955, e o quanto de bagunça eles conseguiram fazer. Pelas nossas contas, Sylvinho é o 12º, considerando a partir da primeira fase/fase de grupos, e teve um que conseguiu até chegar à final.

Flávio Costa (1956/57)

Flávio Costa, ex-técnico da seleção brasileira

Lendário treinador brasileiro, com títulos por Flamengo e Vasco da Gama, e comandante da Seleção na Copa do Mundo de 1950, Flávio Costa teve duas passagens pelo Porto. Na primeira, chegou após o título português e teve a oportunidade de disputar a segunda edição da Copa dos Campeões. Sua experiência, porém, foi muito breve. Foi derrotado duas vezes pelo Athletic Bilbao de José Artexe, que anotou os três gols da vitória por 3 a 2 dos espanhóis no jogo de volta, em San Mamés. Nas Antas, os anfitriões haviam perdido por 2 a 1.

Otto Glória (1957/58, 1961/62, 1966/67, 1967/68, 1968/69, 1969/70)

Otto Glória, ex-técnico do Benfica (Foto: Getty Images)

Otto Glória mereceria um texto próprio. Ele não desembarcou por acaso em uma equipe que tinha vaga para a Copa dos Campeões, mas a disputou seis vezes, com três clubes diferentes, conseguiu a primeira vitória de um técnico brasileiro na competição e é o único, entre todos os 11, que conseguiu chegar à decisão.

Um de seus títulos portugueses veio na temporada 1956/57, destronando o Porto do compatriota Flávio Costa. No entanto, como o colega, sua primeira experiência na Copa dos Campeões limitou-se a dois jogos contra um time espanhol. O Sevilla fez 3 a 1 no Ramón Sánchez, no jogo de ida, e precisou apenas confirmar a vaga com um empate sem gols no Estádio da Luz.

Dos Encarnados, Glória passou pelo Belenenses e chegou a Alvalade, em 1961, para comandar o Sporting, que havia sido vice-campeão português, mas atrás do próprio Benfica. O ex-clube de Glória venceu o título nacional e o europeu na mesma temporada, permitindo que o segundo colocado disputasse a Copa dos Campeões. Mais uma vez, apenas rapidamente. Os Leões ficaram no 1 a 1 com o Partizan, em casa, e perderam por 2 a 0 em Belgrado.

O renome de Glória cresceu com a campanha de Portugal na Copa do Mundo de 1966, a ponto de atrair o interesse do então campeão espanhol Atlético de Madrid, que contava com um irresistível Luis Aragonés. E no Malmö Stadion, saiu a primeira vitória de um técnico brasileiro na Copa dos Campeões. José Cardona e Aragonés fizeram os gols do 2 a 0 no jogo de ida, fora de casa, seguido por um 3 a 1, em Madri. Na segunda rodada, o adversário seria o Vojvodina.

Os espanhóis perderam na Iugoslávia por 3 a 1 e ganharam por 2 a 0 em casa. Foi necessário um jogo desempate, em Madri, para decidir quem ficaria com a vaga. Empate, de novo, apesar de o Atlético ter aberto 2 a 0 em seis minutos. Na prorrogação, Silvester Takac marcou o gol que eliminou os colchoneros de Otto Glória.

Depois de comandar o Atleti, Glória retornou ao Benfica para um período de muito sucesso, com dois títulos portugueses em três anos. Logo em seu retorno, aproveitou o troféu da temporada anterior para fazer barulho na Copa dos Campeões. E como fez. Nunca um brasileiro chegou tão próximo do título quanto ele em 1967/68.

O Benfica começou a campanha eliminando o Glentoran, da Irlanda do Norte, passou pelo Saint-Étienne e eliminou o Vasas, da Hungria, nas quartas de final. Derrotou duas vezes a Juventus para marcar a passagem a Londres, onde, por azar, enfrentaria um time inglês. O Manchester United havia renascido do desastre de Munique sob o comando de Matt Busby e candidatava-se a ser o primeiro inglês campeão europeu, com George Best e Bobby Charlton, que abriu o placar da decisão, no começo do segundo tempo. O Benfica conseguiu o empate, a 11 minutos do fim, com Jaime Graça, mas sucumbiu na prorrogação, quando assistiu ao United marcar três vezes.

Otto Glória teria mais duas campanhas interessantes pelo Benfica no cenário continental. Primeiro, perdeu para o Ajax, com um homem chamado Johan Cruyff no time, nas quartas de final, graças a um jogo desempate, após trocarem vitórias por 3 a 1 fora de casa. A partida, realizada em Paris, terminou 0 a 0, e os Encarnados mais uma vez não resistiram à prorrogação, quando Cruyff e Inge Danielsson anotaram três gols para despachar os portugueses.

Na temporada seguinte, a campanha acabou de maneira ainda mais cruel. Não havia mais jogo desempate em caso de igualdade após duas partidas. Logo, quando, em casa, o Benfica conseguiu devolver o 3 a 0 que havia sofrido em Glasgow contra o Celtic, o futuro dos times foi decidido no cara ou coroa. Não se sabe qual o capitão de Glória escolheu, mas se sabe que foi o lado errado da moeda.

Didi (1974/75)

Didi

Didi foi um craque, tido por muitos como o melhor jogador da Copa do Mundo de 1958, e um treinador de relativo sucesso. Após passagens pelo futebol peruano e pelo River Plate, quebrou as fronteiras da Europa treinando o Fenerbahçe e conquistou duas vezes o Campeonato Turco. O primeiro título, em 1973/74, valeu vaga na Copa dos Campeões da temporada seguinte. Disputou quatro partidas. Depois de despachar o Jeunesse Esch, de Luxemburgo, perdeu as duas para o Ruch Chorzów, da Polônia, e se despediu nas oitavas.

Osvaldo Silva (1974/75)  

Osvaldo Silva, ex-atacante do Sporting

Osvaldo Silva foi um atacante nascido em Belo Horizonte que atuou pouco no futebol brasileiro. Formado pelo América Mineiro, chegou ao Porto, ainda na década de cinquenta, e passou pelo Leixões antes de desembarcar em Alvalade. Pelo Sporting, ganhou notoriedade pelos gols que marcou na única conquista europeia do clube, a Recopa de 1964, que teve uma série de momentos marcantes.

Silva provavelmente lamentou não estar em campo no jogo de ida da segunda rodada contra o Apoel, do Chipre. O Sporting quis fazer questão de que garantiria a vaga na Alvalade e aplicou uma goleada por 16 a 1, até hoje a maior vitória em competições europeias masculinas. Ele, porém, teria muita oportunidade de fazer histórias nas fases seguintes, especialmente contra o Manchester United.

Os ingleses ganharam em Old Trafford por 4 a 1, com três gols de Dennis Law, e Osvaldo descontando para os portugueses. Na volta, a Luz assistiu ao brasileiro anotar uma tripleta e ao Sporting alcançar a reviravolta com uma goleada por 5 a 0. Osvaldo ainda foi autor do único gol da vitória dos Leões no jogo desempate contra o Lyon, nas semifinais. O título foi conquistado sobre o MTK Budapeste.

Essa história contribuiu para que Osvaldo ganhasse uma chance como treinador do Sporting, em 1974/75, temporada em que o então campeão português disputaria a Copa dos Campeões e a primeira que contou com dois treinadores brasileiros (a outra seria em 2009/10). Não passou da primeira fase. Perdeu para o forte Saint-Étienne, que perderia do Bayern de Munique nas semifinais e faria várias campanhas relevantes nas competições continentais naquela década, incluindo a final do ano seguinte, contra os mesmos bávaros.

Carlos Alberto Silva (1992/93)

Carlos Alberto Silva, à esquerda, pelo Porto

Carlos Alberto Silva conquistou o Campeonato Brasileiro com o Guarani, treinou a Seleção e uma dúzia de clubes do país, e ainda conseguiu disputar a primeira edição da repaginada Uefa Champions League, no comando do Porto, em 1992/93. E não foi nada mal. Passou protocolarmente pelo Union Luxembourg, com 9 a 1 no agregado, na fase preliminar, e depois despachou o suíço Sion.

Chegou à fase de grupos, com duas chaves de quatro equipes que definiriam os dois finalistas. O Porto não foi mal, mas sequer teve chance de brigar pela vaga porque o Milan de Franco Baresi, Marco Van Basten e Frank Rijkaard, treinado por Fabio Capello, ganhou todas as seis partidas, com 11 gols marcados e apenas um sofrido (marcado por um brasileiro chamado Romário).

O Porto acabou em terceiro lugar no grupo, atrás do Göteborg. Além das duas derrotas para o Milan, perdeu dos suecos, fora de casa, e empatou por 2 a 2 com o PSV nas Antas (mais dois gols de um brasileiro chamado Romário). As vitórias vieram nas duas rodadas finais, quando tudo já estava perdido, por 1 a 0 sobre os holandeses e 2 a 0 contra os suecos.

Sebastião Lazaroni (1996/97)

Sebastião Lazaroni

Se eu perguntasse qual foi o técnico responsável por derrubar a invencibilidade do Manchester United em casa por competições europeias, que durava 40 anos, quantas chances você precisaria até responder Sebastião Lazaroni? O Independent, na época, contou quantos times haviam tentado: 56. “Incluindo os grandes – Di Stéfano e o Real Madrid, Maradona e o Barcelona. Todos falharam, agora o Fenerbahçe, sem se anunciar, de maneira improvável, triunfou”, escreveu o jornal. Lazaroni havia recebido o campeão turco das mãos de outro treinador brasileiro de Copa do Mundo, Carlos Alberto Parreira, e alcançou a histórica vitória com um gol do bósnio Elvir Bolic, a 13 minutos do final da partida, às vésperas de Alex Ferguson completar dez anos à frente dos Red Devils.

“Não acho que tenha sido um bom jogo, mas foi um jogo histórico. Ainda estamos vivos”, disse Lazaroni, após a partida. Ferguson avaliou que o United “não mereceu perder”, mas também não mereceu vencer. E o acaso daquela histórica vitória pode ser atestado pelo restante da campanha do Fenerbahçe na Champions League de 1996/97. Passou no sufoco pela preliminar contra o Maccabi Tel-Aviv e havia chegado àquela quarta rodada com apenas um ponto, cortesia de um empate contra o Rapid Viena fora de casa, e duas derrotas para Juventus e Manchester United, em Istambul.

Os três pontos contra os ingleses realmente mantiveram o Fenerbahçe vivo na competição. O total foi dobrado com um 2 a 0 sobre os austríacos na rodada seguinte, mas, para avançar de fase, os turcos precisariam ganhar da Juventus em Turim e torcer para o Manchester United tropeçar contra o Rapid Viena. Nenhuma das duas coisas aconteceu.

Ricardo Gomes (1997/98 e 2006/07)  

Ricardo Gomes contra o Liverpool de Benítez (Foto: Getty Images)

Ricardo Gomes não esperou nem o corpo da sua carreira de jogador de futebol esfriar antes de embarcar em uma nova aventura. Havia acabado de pendurar as chuteiras quando assumiu o comando do Paris Saint-Germain, o qual havia defendido como jogador com distinção entre 1991 e 1995. Conhecia quase todo mundo e aproveitou que a Uefa havia aberto espaço para os vices das principais ligas europeias para disputar a Champions League de 1997/98.

E não fez feio. Longe disso. Eram seis grupos definindo as quartas de final com os líderes de cada chave, mais os dois melhores segundos colocados, e a classificação do PSG não se deu por meros detalhes. Os franceses abriram a campanha ganhando bem do Göteborg, mas perderam do Besiktas, fora de casa, por 3 a 1, e do Bayern de Munique, na Alemanha, por 5 a 1, placar que acabaria sendo decisivo.

O PSG se recuperou derrotando os bávaros, por 3 a 1, o Göteborg e o Besiktas, nas três partidas finais, e somou os mesmos 12 pontos do Bayern de Munique. Ficou atrás no critério de desempates. Ainda assim, era ótima a possibilidade de passar como segundo colocado. No entanto, a Juventus também somou 12 pontos, mas teve um saldo um pouco melhor: 4 a 1. Maldita goleada.

Quase dez anos depois, Gomes teve outra oportunidade, novamente à frente de um clube francês. O segundo lugar com o Bordeaux valeu vaga direta na fase de grupos da Champions League. Esteve ao lado de Liverpool, PSV e Galatasaray, no Grupo C, e foi meramente razoável, com apenas um ponto nos primeiros três jogos, dois dos quais disputados em casa. Começou o segundo turno perdendo novamente para o Liverpool, mas conseguiu emendar vitórias contra turcos e holandeses para conquistar uma vaga na Liga Europa.

Vanderlei Luxemburgo (2004/05 e 2005/06)

“Me tira, não, professor” (Foto: Getty Images)

Você já deve ter ouvido a história: Vanderlei Luxemburgo estava no comando do Real Madrid contra a Juventus, nas oitavas de final de 2004/05, e percebeu Ronaldo e Zidane cansados. Substituiu ambos apenas para assistir à Velha Senhora partir para cima, fazer o gol do empate no placar agregado, com Trezeguet, e conseguir a vaga nas quartas de final na prorrogação. Tudo isso porque Luxemburgo não conhecia o futebol europeu, como Zidane o explicou no vestiário. Pelo menos, é assim que ele conta.

“Fiquei com aquele negócio na cabeça: como é que eu perdi esse jogo ganho? Aí eu perguntei para o Zidane e ele me disse assim: ‘Mister, é porque você não conhece o futebol europeu. Eles não vieram para cima de nós por causa de mim e do Ronaldo, porque eles têm medo da gente. Então, a nossa presença dentro de campo fazia com que eles ficassem com medo. A partir do momento que o senhor tirou a gente, eles vieram. Se o senhor estivesse há mais tempo aqui na Europa, o senhor ia deixar a gente até de bengala dentro de campo”, contou Luxemburgo, em entrevista ao Esporte Espetacular.

Há provavelmente uma boa dose de mito em uma das anedotas favoritas de Luxemburgo, a começar pelo fato de que Ronaldo nunca foi substituído naquela partida, mas expulso aos oito minutos do segundo tempo da prorrogação. Zidane foi realmente substituído por Guti, mas quem saiu do ataque foi Raúl González, trocado por Michael Owen (e não Fernando Morientes, como disse Luxemburgo, que nem no banco de reservas estava). O gol de Trezeguet, aliás, aconteceu um minuto depois da saída de Zidane, o que tornaria o impacto psicológico da substituição mais veloz do que um miojo.

De qualquer maneira, foi realmente um batismo de sangue para Luxemburgo na Champions League. Ele havia assumido o Real Madrid no começo daquele ano e sua primeira partida europeia foi em mata-mata, contra uma leoa como a Juventus. Teria mais tranquilidade para aprender os macetes da competição na fase de grupos de 2005/06, mas também não foi muito bem.

O gigante espanhol passou em segundo lugar, a seis pontos do Lyon. Somou apenas um ponto em duas partidas contra os franceses e ainda perdeu do lanterna Olympicos na rodada final – o outro time do grupo era o Rosenborg, da Noruega. Foi demitido no fim do ano e retornou ao Santos.

Zico (2007/08 e 2009/10)

Zico e Avram Grant (Foto: Getty Images)

O Fenerbahçe é o clube favorito de técnicos brasileiros em Champions League. Depois de Didi e Lazaroni, quem teve o gostinho de representar a apaixonada torcida turca em palcos europeus foi ninguém menos do que Zico e sua campanha foi uma das melhores. Depois de passar pelo Anderlecht na fase preliminar, o Fener ficou atrás da Internazionale, em grupo que ainda tinha PSV e CSKA Moscou, e poderia ter enfrentado um adversário mais difícil do que o Sevilla nas oitavas de final.

Não se engane: os espanhóis vinham de um bicampeonato da Copa da Uefa, eram cascudos em competições europeias, mas pelo menos daria jogo. Semih Sentürk arrancou uma vital vitória por 3 a 2 em Istambul, com um gol aos 42 minutos do segundo tempo, mas o Sevilla começou a partida de volta no Ramón Sánchez com tudo, fazendo 2 a 0 em nove minutos, gols de Daniel Alves e Seydou Keita, aproveitando falhas do goleiro Volkan Demirel.

Deivid descontou, pouco depois, mas Kanouté abriu 3 a 1, pouco antes do intervalo. A dez minuto do fim, o atacante brasileiro marcou o segundo gol do Fenerbahçe e levou as oitavas de final para os pênaltis. A redenção de Demirel: o goleirão defendeu três cobranças, incluindo a de Daniel Alves, e garantiu vaga nas quartas de final, contra o Chelsea de Avram Grant.

Um gol contra de Deivid, no comecinho do primeiro jogo, complicou um pouco as coisas, mas Kazim-Richards (aquele) e o próprio brasileiro viraram a partida para o Fenerbahçe. Em Stamford Bridge, porém, não houve conversa. Michael Ballack fez o gol que o Chelsea precisava logo aos quatro minutos e Frank Lampard carimbou a vaga, a três minutos do final da partida.

Depois de ver qual era a do Rivaldo no Uzbequistão e passar rapidinho pelo CSKA Moscou, Zico assumiu o Olympiacos, em setembro de 2009, e teve mais uma chance na Champions League. Seu antecessor, Bozidar Bandovic, havia aberto a campanha com vitória contra o AZ Alkmar. O Galinho comandou o barco até o segundo lugar, com uma campanha regular, cujo ponto alto foi vencer o Arsenal em Atenas, mas, demitido em janeiro, nem disputou as oitavas de final.

Luiz Felipe Scolari (2008/09)  

Felipão, pelo Chelsea (Foto: Getty Images)

Chegar à final da Champions League pela primeira vez na história do Chelsea não foi suficiente para convencer Roman Abramovich, e Avram Grant, que havia assumido no lugar de José Mourinho, caiu fora. Em seu lugar, o russo trouxe um nome forte, um campeão do mundo que acabara de fazer grande trabalho com a seleção portuguesa: Luiz Felipe Scolari.

A passagem de Felipão por Stamford Bridge foi infelizmente muito curta. Demitido em fevereiro de 2009, pelo menos deu tempo de o treinador brasileiro sentir o gostinho da Champions League. Comandou o Chelsea na fase de grupos daquela temporada, com três vitórias, dois empates e uma derrota. Entre os pontos negativos, estiveram um empate sem gols contra o Cluj e uma derrota por 3 a 1 para a Roma, no Estádio Olímpico.

Passou em segundo lugar, mas quem levou o Chelsea à semifinal contra o Barcelona de Guardiola, com aquele gol de Iniesta aos 48 minutos do segundo tempo e os vinte dois mil pênaltis não marcados a favor dos ingleses, foi o interino Guus Hiddink.

Leonardo (2009/10, 2010/11) 

Leonardo treinou os dois times de Milão na Champions League (Foto: Getty Images)

Quando começou sua carreira como técnico, Leonardo fez aquilo que não se deve fazer: treinou os dois clubes de Milão, um atrás do outro. Começou no Milan, que havia defendido como jogador, com a difícil missão de suceder a passagem extremamente vitoriosa de Carlo Ancelotti. Não foi tremendamente bem, com apenas o terceiro lugar no Campeonato Italiano, e a brincadeira na Champions League também não foi muito longeva.

No comando de Alexandre Pato, Pippo Inzaghi, Seedorf, Nesta, Pirlo, Thiago Silva e Ronaldinho Gaúcho, Leonardo empatou três vezes na fase de grupos e passou em segundo lugar, atrás do Real Madrid, embora tenha conseguido vencer no Bernabéu, por 3 a 2, com dois gols de Pato. Nas oitavas de final, enfrentou o Manchester United, que vinha de duas finais consecutivas e um título. Foi bem destroçado, perdendo no San Siro, por 3 a 2, e sendo goleado em Old Trafford, por 4 a 0.

Na temporada seguinte, Leonardo estava de volta ao mata-mata da Champions League, desta vez no comando da então atual campeã Internazionale, grande rival do Milan. Mourinho havia ido embora para o Real Madrid, e ele substituiu um muito criticado Rafa Benítez, em dezembro. Com o brasileiro no banco de reservas, a Internazionale conquistou uma classificação agônica contra o Bayern de Munique, fora de casa, com um gol decisivo de Pandev, aos 43 minutos do segundo tempo do jogo de volta.

Mas de pouco adiantou porque, na fase seguinte, a Internazionale passou vergonha no San Siro, ao perder por 5 a 2 do Schalke 04, e depois foi derrotada novamente, em Gelsenkirchen, por 2 a 1. Leonardo saiu ao fim da temporada.