Como foi o torneio de futebol na outra vez em que Tóquio sediou os Jogos Olímpicos, em 1964

No fim de julho próximo, os Jogos Olímpicos voltam a Tóquio após 56 anos. Em 1964, vivendo a escalada da hegemonia dos países socialistas no torneio de futebol, a corrida ao ouro olímpico foi marcada por muitos gols e resultados surpreendentes, além de precedida por controvérsias e até mesmo uma grande tragédia na fase de classificação, o chamado pré-olímpico. Relembramos aqui em detalhes como a bola rolou daquela vez na capital nipônica.

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A tragédia no Pré-Olímpico

Os Jogos de Roma, quatro anos antes, foram os primeiros a estabelecerem um número fixo de 16 participantes e a divisão deles em quatro grupos de quatro equipes, rompendo com o formato de eliminatória simples na qual o torneio se baseara historicamente. Em 1960, porém, apenas os campeões de cada chave avançavam, passando direto às semifinais. Agora, em Tóquio, com dois classificados por grupo, as quartas de final estavam de volta.

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Ao longo de 1964, porém, o torneio pré-olímpico seria marcado por polêmicas e uma grande tragédia. A Itália conquistou sua vaga em campo batendo a Turquia e a Polônia, mas acabou desqualificada pelo Comitê Olímpico Internacional por ter usado atletas profissionais, vetados pelo regulamento. Pelo mesmo motivo, a própria federação da Grécia retirou sua seleção da disputa às vésperas de decidir a vaga com a Tchecoslováquia.

Na Ásia também houve problemas: depois de sua seleção de futebol se classificar passando por Myanmar e Tailândia sem sofrer nenhum gol, a Coreia do Norte retirou sua delegação inteira da competição após o COI ter suspendido alguns atletas do país por disputarem os Jogos das Novas Forças Emergentes em Jacarta, na Indonésia, no fim de 1962. Enquanto isso, na América do Sul, o torneio classificatório não chegaria ao fim.

O pré-olímpico sul-americano foi realizado no Estádio Nacional de Lima com as sete seleções se enfrentando em turno único. A Argentina venceu seus quatro primeiros jogos e disparou na ponta. Em 24 de maio, jogava contra o Peru e vencia por 1 a 0, quando os anfitriões tiveram um gol de empate anulado aos 40 minutos da etapa final. Muitos torcedores invadiram o campo e foram reprimidos pela polícia com gás lacrimogênio, o que aumentou o pânico.

Tentando escapar dos efeitos do gás, milhares de torcedores se dirigiram às portas de saída do estádio, que estavam fechadas. A multidão que descia as arquibancadas começou a pressionar a que lotava os túneis de saída, até as portas arrebentarem. Ao todo, 328 torcedores morreram por hemorragia causada pelo esmagamento, ou por asfixia ao inalar o gás.  Outros 500 ficaram feridos numa das tragédias mais devastadoras da história do futebol.

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O torneio foi imediatamente cancelado. A Argentina, que já havia garantido matematicamente uma das duas vagas para a América do Sul, teve sua classificação confirmada. Mas Brasil e Peru, que vinham empatados na segunda colocação (a Seleção com um jogo a menos), tiveram que decidir a vaga num confronto direto transferido para o Maracanã, duas semanas depois. Os brasileiros venceram por 4 a 0 e também carimbaram seu passaporte.

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Nas outras regiões, o México não teve trabalho para levar a única vaga da América do Norte, Central e Caribe. Na África, a República Árabe Unida – nome então adotado pelo Egito – garantiu presença passando por Uganda e Sudão, enquanto Gana eliminou Libéria e Tunísia e o Marrocos despachou Nigéria e Etiópia. Na Ásia, além do Japão classificado automaticamente como país-sede, a Coreia do Sul e o Irã confirmaram presença.

Na Europa, a Iugoslávia – detentora da medalha de ouro – também teve classificação automática. Além da posteriormente desclassificada Itália, as outras vagas ficaram com Romênia (que deixou para trás Dinamarca e Bulgária), Hungria (que passou por Suécia e Espanha), Alemanha Oriental (que eliminou a vizinha Ocidental, a Holanda e a União Soviética) e Tchecoslováquia (que superou a França, antes de levar a vaga contra a Grécia sem entrar em campo).

O confronto entre as Alemanhas Ocidental e Oriental repetia o que já havia acontecido no torneio pré-olímpico de Roma por uma diretriz do COI: como a entidade reconhecia apenas um comitê olímpico alemão, ela propôs uma disputa em ida e volta entre as duas seleções para definir qual delas teria o direito de representar a Alemanha nos Jogos. Essas partidas deveriam ser realizadas em sigilo, sem a presença de torcedores, apenas dirigentes e jornalistas.

O torneio começa

Findada a fase de classificação, as chaves do torneio olímpico foram anunciadas. No Grupo A, a Alemanha (representada somente pelos orientais) e a Romênia teriam a companhia de México e Irã. No B, diante da retirada da Coreia do Norte, participavam Hungria, Iugoslávia e Marrocos. O Brasil ficou no Grupo C, ao lado de Tchecoslováquia, República Árabe Unida e Coreia do Sul. Já o D, sem a Itália, teve o anfitrião Japão enfrentando Argentina e Gana.

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Como era de se esperar, as seleções da Europa socialista dominaram a primeira fase. No Grupo A, nem mesmo contando com um punhado de jogadores que formariam boa base nas Copas de 1966 e 1970 (esta, em casa) o México pôde fazer frente a alemães orientais e romenos. Afinal, se não contava exatamente com a seleção principal, a dupla europeia trouxe algo próximo disso, também incluindo futuros nomes de Copa do Mundo.

No time alemão oriental, apenas um nome disputaria dez anos depois a Copa no lado ocidental: o atacante Eberhard Vogel. Mas alguns destaques do futebol do país nos anos 60, como o lateral-direito Klaus Urbanczyk e o atacante Henning Frenzel, figuraram no time olímpico. Já entre os romenos, o goleiro Stere Adamache, o zagueiro Dan Coe e o meia Radu Nunweiller – todos presentes no Mundial do México, em 1970 – eram alguns dos destaques.

Assim, a Alemanha não teve trabalho para bater o Irã por 4 a 0 e o México por 2 a 0. A Romênia, com um pouco mais de dificuldade, bateu os asiáticos por 3 a 1 e os astecas por 1 a 0. O empate em 1 a 1 no confronto europeu da segunda rodada deixou, no fim das contas, os germânicos na primeira colocação. México e Irã, por sua vez, tiveram de se conformar com o ponto ganho no empate entre si, também por 1 a 1, e foram eliminados.

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Assim como o Grupo A, o B também começou no mesmo dia 11 de outubro em que o torneio foi aberto. E logo com uma grande goleada. O Marrocos tinha na equipe dois nomes que fariam bom papel na Copa de 1970: o goleiro Allal Ben Kassou e o meia Driss Bamous. Mas nem eles puderam conter a atuação avassaladora do atacante húngaro Ferenc Bene, autor dos seis gols na vitória magiar por 6 a 0. Uma estreia e tanto para uma das seleções favoritas.

A Iugoslávia, que renovara sua equipe após enfim chegar ao ouro olímpico em 1960, também contava com um esquadrão de respeito, que incluía o goleiro Ivan Ćurković, o meia Ivica Osim, o atacante Slaven Zambata e o ponta-esquerda Dragan Džajić. Mas encontrou bem mais problemas para dobrar os mordidos marroquinos, que surpreenderam ao saírem na frente logo aos dois minutos com um gol do ponta-direita Ali Bouachra.

O empate, porém, não demorou a chegar, vindo aos oito minutos com Spasoje Samardžić. E a virada, concretizada quatro minutos depois e consolidada com o placar de 3 a 1 na etapa final, sairia dos pés do meia Rudolf Belin. O resultado favorecia a Hungria, que precisaria apenas do empate para terminar em primeiro lugar na chave. Mas magiares e eslavos ainda reservariam para a última rodada um dos jogos mais espetaculares daquele torneio.

Dispostos a reverterem a vantagem húngara, os iugoslavos abriram o placar logo no primeiro minuto, com Ivica Osim. Mas dois gols de Tibor Csernai, aos cinco e aos 11 minutos, colocaram os magiares em vantagem. Que duraria pouco: no minuto seguinte, Rudolf Belin tornou a igualar. Aos 18, János Farkas marcaria o terceiro para a Hungria, que ainda ampliaria aos 25 com Ferenc Bene. Mas a sequência frenética de gols não pararia por aí.

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Ainda na primeira etapa, a Iugoslávia foi buscar a nova igualdade: Slaven Zambata descontou aos 31 e Rudolf Belin marcou de novo aos 35. Mas, um minuto antes do intervalo, a Hungria tomou de novo a frente com mais um gol de Tibor Csernai. Para quem perdeu a conta, o primeiro tempo terminou 5 a 4 para os magiares. Na etapa final, os goleadores foram mais “econômicos”: Csernai ampliou aos 18 e Ivica Osim diminuiu aos 37, fechando o placar em 6 a 5.

Goleadas e surpresas

Os placares absurdos também deram o ar da graça no desfecho do Grupo C, que começou no dia 12 com a goleada da Tchecoslováquia sobre a Coreia do Sul por 6 a 1 e o surpreendente empate do Brasil com a República Árabe Unida em 1 a 1. A Seleção, dirigida por Vicente Feola, tinha como base os amadores de Botafogo e Fluminense (14 dos 20 convocados), mas poucos ali vingariam: o único a ter sucesso no escrete principal seria o atacante Roberto Miranda.

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Na segunda rodada, os tchecos voltariam a golear, agora aplicando 5 a 1 na República Árabe Unida, enquanto o Brasil também pareceu deslanchar fazendo 4 a 0 sobre a Coreia do Sul com dois gols do meia santista Elizeu, um do meia-atacante são-paulino Zé Roberto e mais um do botafoguense Roberto Miranda, que já balançara as redes na estreia. Porém, na última rodada, disputada no dia 16, o grupo foi concluído com tintas surrealistas.

O Brasil perdeu para a Tchecoslováquia por 1 a 0, gol de Frantisek Valosek, proporcionando ao técnico Rudolf Vytlačil uma pequena revanche após ter sido derrotado com o time principal do país para os comandados de Aymoré Moreira na final do Mundial do Chile, dois anos antes. Ainda assim, a Seleção só cairia fora daquele torneio olímpico se os egípcios massacrassem os sul-coreanos por pelo menos sete gols de diferença, algo tido como improvável.

Mas acreditem: aconteceu. A República Árabe Unida foi para o intervalo vencendo por 3 a 0, três gols de Ibrahim Riad. Logo no início da etapa final, ele anotaria o quarto, zerando o saldo do time. Aos cinco, Seddik Mohamed faria o quinto. Aos 16, Rifaat Elfanagili marcaria o sexto. E aos 21, Ali Kamal Etman anotaria o sétimo, que daria a classificação aos egípcios. E eles não pararam por aí: nos minutos finais marcaram mais três, fechando a goleada em 10 a 0.

Ibrahim Riad, herói da classificação da República Árabe Unida, anotou dois desses três últimos, igualando os seis gols marcados num mesmo jogo por Ferenc Bene contra o Marrocos dias antes. Seria um dos protagonistas de resultados surpreendentes ocorridos naquele torneio. E outros se destacariam no Grupo D, também iniciado no dia 12 com o confronto entre a Argentina, da dupla racinguista Agustín Cejas e Roberto Perfumo, e a seleção de Gana.

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A Albiceleste abriu a contagem aos 26 minutos com gol do atacante Carlos Alberto Bulla e, a dez minutos do fim do jogo, parecia encaminhar uma vitória tranquila, ainda que um tanto apertada. Até que Edward Acquah – camisa 10 da seleção de Gana e destaque dos Estrelas Negras no título da Copa Africana de Nações em casa no ano anterior – decretou o empate em 1 a 1 que significou o começo do passeio da zebra por aquela chave.

Os anfitriões japoneses só estreariam na segunda rodada, após a desistência da Itália. A equipe era dirigida pelo alemão-ocidental Dettmar Cramer, que mais tarde chegaria a auxiliar da seleção de seu país, membro do conselho técnico da Fifa e bicampeão europeu no comando do Bayern de Munique. Contratado em 1960 para um trabalho de longo prazo, construiria um time jovem, organizado e solidário, que potencializava alguns nomes promissores do elenco.

Foram os argentinos, porém, que marcaram primeiro no confronto do dia 14, com o atacante Juan Carlos Domínguez, e foram para o intervalo em vantagem. Na etapa final, Ryuichi Sugiyama empatou aos nove minutos, mas Domínguez voltou a colocar os sul-americanos na frente aos 17. A Albiceleste, porém, seria surpreendida com dois gols seguidos dos orientais: Saburo Kawabuchi anotou aos 36 e Aritatsu Ogi marcou aos 37, concretizando uma virada histórica.

Assim, na última rodada só a vitória do Japão sobre Gana por dois gols de diferença, ou ainda por 1 a 0 ou 2 a 1, salvaria a Argentina. E ela chegou a acontecer em momentos do jogo: Sugiyama abriu a contagem, mas Gyau Agyemang empatou para os africanos no primeiro tempo. Na etapa final, Shigeo Yegashi deixou de novo os nipônicos na frente, mas Sam Acquah e Edward Aggrey Fynn viraram para 3 a 2 e frustraram os dois adversários do grupo.

A reta final

A surpreendente primeira colocação do grupo levou os ganeses a um então inusitado confronto africano contra a República Árabe Unida nas quartas de final do torneio. Enquanto isso, no outro lado da chave, o Japão teria pela frente a forte Tchecoslováquia. Nos outros jogos, bons duelos europeus: a Alemanha Oriental encarava a Iugoslávia, enquanto a Hungria pegava a Romênia – partida cujo vencedor encararia um dos africanos na semifinal.

Todas as partidas das quartas de final foram simultâneas e disputadas sob chuva. Em Tóquio, no estádio Prince Chichibu (que será demolido para abrigar um estacionamento durante os Jogos deste ano), a Alemanha Oriental despachou a Iugoslávia com um gol de Henning Frenzel logo no primeiro minuto. Já em Yokohama, no estádio Mitsuzawa, a Hungria derrotou a Romênia por 2 a 0 com dois gols de Tibor Csernai, um em cada tempo.

No estádio do Parque Olímpico de Komazawa, a Tchecoslováquia não se importou com a torcida da casa e disparou um categórico 4 a 0 sobre o Japão. Jan Brumovský marcou no fim do primeiro tempo e ampliou no começo do segundo, antes de Josef Vojta e Ivan Mráz balançarem as redes. Já no duelo africano no estádio Omiya, em Saitama, a República Árabe Unida saiu atrás, mas acabou goleando Gana por 5 a 1. Desta vez, Ibrahim Riad anotou só um.

As semifinais seriam jogadas no dia 20 de outubro. A Tchecoslováquia seguiu em Komazawa e voltou a vencer, batendo a Alemanha Oriental de virada. O meia Jürgen Noldner abriu o placar para os germânicos no primeiro tempo, mas Karel Lichtnegl igualou logo de saída do segundo tempo e Ivan Mráz deu a classificação aos tchecos a um minuto do fim do jogo. Enquanto isso, no estádio Prince Chichibu, o sonho egípcio se desmanchava aos pés dos húngaros.

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A esquadra magiar não teve trabalho para derrotar a República Árabe Unida, a começar por neutralizar completamente Ibrahim Riad, que só deu um chute no gol em 90 minutos. No tira-teima dos goleadores, Ferenc Bene levou a melhor com facilidade: abriu o placar para a Hungria logo aos sete minutos de jogo e marcou também o segundo aos 20, antes de Imre Komora fazer o terceiro aos 29 minutos, levando grande vantagem para o intervalo.

Na volta para o segundo tempo, os mesmos goleadores definiram a goleada: Komora anotou seu segundo na partida (e o quarto dos húngaros) aos 13 minutos, enquanto Bene marcou mais dois, aos 21 e 32 minutos, totalizando quatro tentos naquela tarde e fechando o placar em 6 a 0. Três dias depois, na decisão do bronze, os alemães orientais também não tiveram problemas para bater os egípcios por 3 a 1 e faturar sua primeira medalha olímpica na modalidade.

Aquela partida foi a preliminar da grande decisão do ouro entre Hungria e Tchecoslováquia, no dia 23 de outubro, no Estádio Nacional de Tóquio, inaugurado há apenas seis anos para receber os Jogos Asiáticos e que fora palco da cerimônia de abertura (e seria também do encerramento). Ao longo das décadas, ele também se converteria num campo histórico para o futebol japonês e mundial, recebendo a final do Mundial Interclubes por muitos anos.

A grande decisão

Para se ter uma ideia da força do time húngaro, no onze titular havia três jogadores que tinham disputado a Copa do Chile dois anos antes e participariam do Mundial da Inglaterra dali a dois anos: o goleiro Antal Szentmihályi, o defensor Kálmán Ihász e o ponta János Farkas. Outros dois – o defensor Gusztav Szepesi e o artilheiro Ferenc Bene – também estariam na Copa de 1966. O técnico, aliás, era o mesmo Lájos Baroti dos Mundiais de 1958, 1962 e 1966.

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A Tchecoslováquia tinha elenco bem menos experiente e com poucos nomes que vingariam. Apenas o goleiro Frantisek Schmucker tinha participação em Copas na bagagem (fora reserva no time vice-campeão mundial no Chile). Mas trazia um nome, digamos, ancestral no futebol da região: o defensor Vladimir Weiss, pai do meia de mesmo nome que disputaria a Copa de 1990 e avô do ponta também homônimo que defenderia a Eslováquia na Copa de 2010.

Mesmo assim, a campanha até ali as igualava: ambas haviam vencido todos os seus jogos – cinco partidas no caso dos tchecos e quatro no caso dos húngaros. Embora tivesse feito uma partida a menos, a Hungria tinha marcado mais gols (20 contra 18) e também sofrido mais (cinco contra apenas três dos tchecos). Esse equilíbrio se refletiu no primeiro tempo da final, em que as defesas levaram a melhor sobre os ataques e o placar seguiu em branco.

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Na etapa final, com as duas equipes jogando mais soltas, suas qualidades ofensivas apareceram mais para o público de cerca de 75 mil espectadores que enfrentavam até nevoeiro e chuva fina para assistir ao jogo. E aos dois minutos, o defensor Dezso Novak ligou o contragolpe húngaro com ótimo lançamento para Farkas, que arrancou e chutou forte da entrada da área para abrir o placar. Pouco depois, Bene quase marcou o segundo, acertando a trave.

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O próprio Bene teria outra chance aos 14 minutos e desta vez não desperdiçaria, ampliando a vantagem dos magiares ao marcar seu 12º gol no torneio. Desorganizados após os dois gols dos adversários, os tchecos partiram para o ataque, mas enfrentaram uma defesa bem postada. Só a dez minutos do fim é que viria o gol de honra, marcado pelo ponta Jan Brumovsky. Ao apito final, os húngaros celebravam a reconquista do ouro olímpico após 12 anos.

Como nota de rodapé vale destacar que, fora do programa, foi disputado o tradicional torneio de consolação, envolvendo os eliminados das quartas de final. Na semifinal, a Iugoslávia goleou o Japão em Osaka por 6 a 1 – com Zambata marcando quatro vezes – e a Romênia bateu Gana em Kyoto por 4 a 2. Na decisão do quinto lugar, também em Osaka, os romenos levaram a melhor: Pavlovici, Pircalab e Constantin marcaram os gols dos 3 a 0 sobre os iugoslavos.

Além de colaborações periódicas, quinzenalmente o jornalista Emmanuel do Valle publica na Trivela a coluna ‘Azarões Eternos’, rememorando times fora dos holofotes que protagonizaram campanhas históricas. Para visualizar o arquivo, clique aqui.

Confira o trabalho de Emmanuel do Valle também no Flamengo Alternativo e no It’s A Goal.