* Por Emmanuel do Valle, jornalista e dono do Flamengo Alternativo

A grande campanha do time do País de Gales liderado pelo astro Gareth Bale nesta Eurocopa guarda algumas semelhanças com seu outro grande feito histórico numa competição de seleções, a participação na Copa do Mundo da Suécia, em 1958. Naquela ocasião, assim como hoje, os galeses faziam sua estreia no torneio. Eram, na melhor das hipóteses, incógnitas quanto às chances de cumprirem um bom papel. Contavam com um time basicamente sem estrelas, exceto por um craque que já brilhava num grande clube além do Canal da Mancha. E derrubaram seleções mais cotadas para chegar às quartas de final. Nesta sexta-feira, os britânicos encaram a Bélgica buscando dar um passo além no torneio continental, mas certos de que já atingiram uma façanha comparável à de 58 anos atrás. No entanto, aquela trajetória merece ser relembrada.

As Eliminatórias e seu desfecho insólito

A participação dos galeses no Grupo 4 das Eliminatórias europeias foi bastante discreta, apesar de iniciada com uma boa vitória por 1 a 0 sobre a favorita Tchecoslováquia de Novak e Masopust. O ponta Roy Vernon marcou o gol na partida, realizada em 1º de maio de 1957 no Ninian Park, de Cardiff. Ainda naquele mês, no entanto, as derrotas para a Alemanha Oriental em Leipzig (2 a 1) e para os mesmos tchecoslovacos em Praga (2 a 0) deixaram a seleção em má situação na chave. Em sua última partida, o time britânico goleou os alemães-orientais por 4 a 1, com três gols de Des Palmer, e ficou torcendo por uma vitória dos germânicos do leste sobre a Tchecoslováquia por uma boa diferença de gols, para embolar o grupo e levar a vaga a ser decidida no critério do goal average (divisão dos tentos marcados pelos sofridos).

VEJA TAMBÉM: Quando outras boas gerações de Bélgica e Gales também se tornaram inimigas íntimas

Fortuitamente, a vitória da Tchecoslováquia por 4 a 1 sobre a Alemanha Oriental em Leipzig, carimbando o passaporte daquela seleção para a Copa, não representaria um adeus à participação galesa no Mundial, mas apenas um “até logo”. A tensão política no Oriente Médio, agravada na época com a crise do Canal de Suez entre egípcios e israelenses, interferiu: primeiro a Turquia, depois a Indonésia e por último Egito e Sudão, todos os eventuais adversários de Israel no caminho da fase de classificação se negaram a enfrentá-lo e abandonaram as Eliminatórias.

A Fifa, entretanto, havia criado uma regra que impedia uma seleção de chegar ao Mundial sem ter disputado pelo menos uma partida pelas Eliminatórias – excetuando, obviamente, o país-sede e na época o atual campeão –, algo que vinha sendo comum em edições anteriores da competição. Desta feita, a entidade determinou que os israelenses jogariam uma repescagem contra um dos segundos colocados dos demais grupos eliminatórios, escolhido por sorteio. De saída, vários países (entre eles Bélgica e Uruguai) abriram mão de participar da escolha, realizada em 16 de dezembro de 1957, na sede da Fifa em Zurique. Aí a sorte sorriu para Gales.

Na repescagem, não houve grandes surpresas. Em Tel Aviv, no estádio Ramat Gan, em 15 de janeiro de 1958, vitória tranquila dos galeses sobre os inexperientes israelenses por 2 a 0, gols do ponta Len Allchurch e do médio Dave Bowen. Na volta, no Ninian Park, em 5 de fevereiro, o goleiro Yaacov Hodorov vinha fechando o gol contra o ataque da seleção da casa até se chocar fortemente com o parrudo John Charles em uma dividida pelo alto, a 20 minutos do fim do jogo. O atacante galês nada sofreu. Mas o arqueiro quebrou o nariz, torceu um dos ombros e sofreu concussão cerebral. Meio zonzo, teve que continuar em campo, já que as substituições não eram permitidas. Os galeses então marcaram duas vezes, com Ivor Allchurch e Cliff Jones, num espaço de quatro minutos e garantiram a vaga. Já Hodorov saiu do campo direto para o hospital local.

O jogo contra Israel em Cardiff também teve importância literalmente vital para o treinador Jimmy Murphy. Dividindo a função de selecionador galês com a de auxiliar técnico de Matt Busby no Manchester United, ele fora liberado de viajar com o clube até Belgrado – onde os Red Devils enfrentariam o Estrela Vermelha pela Copa dos Campeões – para que pudesse, no mesmo dia, comandar o País de Gales no jogo que valia a classificação para a Copa do Mundo. Na volta da capital iugoslava, um desastre aéreo em Munique mataria oito jogadores do clube, além de dirigentes, torcedores, jornalistas, parte da tripulação e outros passageiros, ferindo ainda as outras 19 pessoas a bordo. Murphy escapou dessa.

A preparação para a Copa

wales 1958

Confirmado como o 16º classificado para o Mundial, o País de Gales acabou incluído no Grupo 3 pelo sorteio das chaves realizado no dia seguinte ao jogo de volta contra Israel. O cabeça de chave era a Suécia, dona da casa, que tinha uma equipe experiente, com vários jogadores veteranos e outros atuando com destaque no futebol italiano (Liedholm, Hamrin, Gren, Skoglund, Gustavsson). Havia também a Hungria, que mesmo desfalcada dos desertores Puskas, Kocsis e Czibor, ainda mantinha alguns astros do esquadrão vice-campeão na Suíça, como o goleiro Grosics, o médio Bozsik e o atacante Hidegkuti, liderando novos valores, como Matrai, Sipos e Tichy. Para muitos cronistas, era a favorita do grupo, com os suecos em segundo lugar. E por fim havia o México, eterno saco de pancadas das Copas, com um time renovado, do qual pouco se sabia.

A preparação do País de Gales para o Mundial foi prejudicada pela ausência do principal astro da equipe, John Charles, centroavante da Juventus. Naquela temporada, a Federação Italiana decidira ressuscitar a antiga Copa da Itália, que não era disputada desde 1943 e retornaria após o encerramento da liga – o que significaria reter os jogadores em atividade no país por um período prolongado, para compensar a não-classificação da Azzurra para o Mundial. Os demais clubes aceitaram liberar seus prováveis estrangeiros convocados, mas a Juventus e a FIGC fizeram jogo duro. Apenas em 29 de maio, a 11 dias da estreia galesa no torneio, o atacante teve sua participação na Copa do Mundo confirmada, chegando a Estocolmo quatro dias antes da partida.

Caso não tivesse sido liberado, John Charles seria o segundo desfalque de peso dos galeses naquele Mundial. O primeiro era o do atacante Trevor Ford, maior artilheiro da seleção até ser superado por Ian Rush nos anos 80. Em 1957, quando defendia o Cardiff City, revelou que havia recebido “por fora” pagamentos acima do permitido nas três temporadas em que defendera o Sunderland, no início da década, burlando o infame teto salarial que vigorava na época no futebol inglês. Acabou suspenso de qualquer atividade do futebol britânico por três anos, período em que esteve também inelegível para a seleção galesa e no qual acabou migrando para a Holanda, onde defendeu o PSV Eindhoven.

Ainda sem John Charles, os galeses encerraram os treinamentos em Londres e embarcaram para a Suécia sem o menor alarde. No começo de maio foi divulgado o resultado de uma enquete na qual 21 jornais esportivos europeus apontavam seus candidatos aos quatro primeiros lugares da Copa da Suécia. O País de Gales, juntamente com o México, foi o único a não receber nenhuma menção (nem mesmo em casa havia confiança numa boa campanha: o periódico galês “Western Mail” listou, pela ordem, Argentina, Iugoslávia, Hungria e Inglaterra). Enquanto isso, nas casas de apostas de Estocolmo, os galeses também ocupavam a rabeira da lista dos bookmakers: pagava-se 66 para 1 em caso de título.

Equipe e campanha

kelsey

Se não era bem cotado, ao menos o País de Gales tinha uma equipe-base que poderia ser considerada consistente, sob a direção de Jimmy Murphy, grande estrategista que também sabia incentivar e motivar seus jogadores a uma total entrega em campo. A defesa começava com o ágil e seguro Jack Kelsey (na foto acima), goleiro titular do Arsenal, considerado um dos melhores de todo o Reino Unido. Stuart Williams, do West Bromwich Albion, e Mel Hopkins, do Tottenham, eram os eficientes laterais direito e esquerdo, respectivamente, enquanto Mel Charles, do Swansea Town (atual City) e irmão mais novo do craque do time, atuava na zaga central. Logo adiante jogava a dupla de médios de apoio, formada por Derrick Sullivan, do Cardiff City, e o capitão Dave Bowen, do Arsenal.

A linha de frente começava com o ponta-direita Terry Medwin, do Tottenham, substituído em uma partida pelo miúdo Roy Vernon, do Blackburn. Na meia-direita, o titular nos dois primeiros jogos da Copa foi Colin Webster, do Manchester United (outro a escapar do desastre aéreo de Munique, a exemplo do técnico Jimmy Murphy), que acabou perdendo a posição para Ron Hewitt, atacante do Cardiff City. O centroavante era John Charles, complementado brilhantemente pelo talentoso meia-esquerda Ivor Allchurch. E pela ponta-esquerda o rápido e driblador Cliff Jones, que havia trocado o Swansea pelo Tottenham em fevereiro, provia bons passes e cruzamentos.

O primeiro adversário seria a Hungria, a mais cotada do grupo, no acanhado estádio de Sandviken. Apesar de os magiares serem apontados como os favoritos, o que se viu em campo foi uma caçada a John Charles, o jogador mais temido pelo técnico Lajos Bároti. “Eu me lembro de pular em um cruzamento e um dos húngaros me segurar pelo pescoço com as duas mãos”, relembrou o craque da Juventus em sua biografia. A Hungria abriu o placar logo aos quatro minutos, com um balaço de Bozsik da intermediária. Mas aos 27, o camisa 9 galês empataria subindo mais que toda a defesa numa bola alçada na área. O empate em 1 a 1 surpreendeu a crônica, que apostava num tranquilo triunfo húngaro. No outro jogo da chave, a Suécia confirmou as expectativas, batendo o México por 3 a 0.

A segunda partida, contra os mexicanos em Solna, foi um completo anticlímax. A seleção tricolor chegava a sua décima partida em Copas do Mundo com nove derrotas nos nove jogos anteriores, em quatro participações. Mas foi a dona do jogo contra os galeses, que até abriram o placar com Ivor Allchurch, recebendo passe de Medwin e terminaram o primeiro tempo na frente, mas tomando sufoco. O empate que premiou o bom futebol do México e o fez marcar seu primeiro ponto na história dos Mundiais viria apenas no minuto final com o ponta-direita Belmonte. A igualdade beneficiou a Suécia, que derrotou a Hungria por 2 a 1 e garantiu matematicamente sua classificação às quartas.

allchurch encara o méxico

De certa forma, a classificação antecipada dos suecos também beneficiou os galeses, já que no último jogo da primeira fase, no dia 15 de junho, novamente em Solna, os donos da casa decidiram descansar cinco titulares, entre eles os astros Liedholm, Hamrin e Gren, todos com princípio de lesão. No primeiro tempo os suecos tiveram domínio do jogo, mas as melhores chances foram dos galeses, em contragolpes comandados por um recuado John Charles. Na etapa final, a situação se inverteu: Svensson salvou quatro chutes perigosos do País de Gales quase em sequência e evitou a abertura de contagem. Com a vitória da Hungria por 4 a 0 diante do México, o empate sem gols entre suecos e galeses provocou a necessidade de um jogo extra entre magiares e britânicos, de acordo com o regulamento da época, que não considerava critérios como número de vitórias ou saldo de gols.

Dois dias depois da última rodada, País de Gales e Hungria voltaram ao estádio Rasunda, em Solna, para o jogo desempate, disputado em dia ensolarado, mas diante de apenas pouco mais de dois mil espectadores. E novamente John Charles foi o homem mais visado em campo. Sofreu dois pênaltis claros não marcados no primeiro tempo: um ao ser agarrado pela cintura por Kotaz e outro depois de empurrado por Matrai. A Hungria, ligeiramente superior na etapa inicial, foi para o intervalo em vantagem, depois que Tichy recebeu cruzamento de Bencsics e chutou para bater Kelsey. No entanto, na volta, depois de John Charles ter sido novamente agarrado na área em mais uma penalidade ignorada pelo árbitro soviético Nikolai Latychev, os galeses empataram aos 11 e viraram aos 31 minutos, em dois gols com participação direta e indireta do craque da equipe.

No primeiro, John Charles descolou um passe primoroso de primeira para Ivor Allchurch acertar um belo sem-pulo, superando Grosics. E no segundo, pressionando a saída de bola húngara, Medwin interceptou uma reposição do arqueiro magiar para Sarosi e entrou na área, acompanhado por Charles. Indeciso sobre quem concluiria a jogada, Grosics deixou o canto aberto, do que se aproveitou o ponta para tocar forte e rasteiro. Naquela altura, o camisa 9 galês já apenas fazia número em campo, mancando, depois de ser atingido por um carrinho por trás.

allchurch contra Bellini e De Sordi

A classificação do País de Gales agradou ao Brasil, seu adversário na fase seguinte. A Seleção Brasileira temia que as feridas de sua derrota para os húngaros quatro anos antes fossem reabertas num novo confronto pelas quartas de final. Para os galeses, a classificação inesperada teve uma ponta de amargura: lesionado, John Charles não jogaria a próxima partida. Além disso, fariam contra o time da CBD seu terceiro jogo em cinco dias, enquanto os brasileiros teriam mais tempo para descansar e se preparar.

O dia 19 de junho teve céu nublado, ventos fortes e temperatura de cerca de 17 graus em Gotemburgo. A chuva do dia anterior deixou o gramado do estádio Nya Ullevi encharcado, o que, ao menos em tese, prejudicaria o toque de bola brasileiro. Nos primeiros minutos, os galeses chegaram a surpreender, pressionando e criando chances, mas, sem seu maior astro, aos poucos foram recuando, com o Brasil tomando conta do confronto. Com Kelsey particularmente fabuloso sob as traves, os britânicos vinham conseguindo segurar o 0 a 0, até que o garoto Pelé fez das suas, aos 25 minutos da etapa final: recebeu passe de cabeça de Didi, enganou Mel Charles com um belo drible e chutou uma fração de segundo antes da chegada de Williams no canto direito de Kelsey. Foi o gol que colocou o Brasil nas semifinais e encerrou o sonho da surpresa galesa.

Saudados pela imprensa sueca e britânica e vistos com respeito até pelos jornais brasileiros, os galeses não encontraram qualquer tipo de badalação dos torcedores na volta para casa, numa situação completamente inimaginável ao que aconteceria nos dias de hoje. Não receberam homenagens nem desfilaram em carro aberto, como teria sido comum. A repercussão na época foi tão estranhamente pequena que ao chegar na estação de trem de Swansea com seus companheiros de clube, o zagueiro Mel Charles foi abordado por um amigo com uma pergunta intrigante: “Há quanto tempo, Mel! Por onde você andou? Estava de férias?”. Ao que o defensor retrucou: “Como assim ‘de férias’? Eu estava na Suécia disputando a Copa do Mundo!”.

Mal sabiam os galeses que demorariam tanto para ver sua seleção de volta a uma grande competição. Bateram na trave diversas vezes, tanto na Copa do Mundo quanto na Eurocopa. As duas mais doloridas vieram separadas por um período de dez anos: a primeira na fase de classificação para a Eurocopa de 1984, quando um gol do iugoslavo Radanovic nos acréscimos contra a Bulgária tirou a vaga dos britânicos; e a segunda nas Eliminatórias para o Mundial dos Estados Unidos, em 1994, quando o lateral Paul Bodin desperdiçou um pênalti contra a Romênia em Cardiff num jogo em que sua seleção precisava de uma vitória simples.

Dentre aqueles jogadores de 1958, a dupla de ponteiros formada por Terry Medwin e Cliff Jones entraria para a história do futebol inglês como parte do fabuloso time do Tottenham do começo dos anos 60, o primeiro do século XX a fazer a dobradinha, conquistando a liga e a FA Cup em 1961, e em seguida novamente a Copa da Inglaterra em 1962 e a Recopa Europeia diante do Atlético de Madrid em 1963. Mas seria o centroavante John Charles o único a transcender as ilhas britânicas e ser cultuado também no continente.

O craque: John Charles

charles

Após a derrota para o Brasil nas quartas de final, encarada como honrosa pela imprensa britânica, o técnico galês Jimmy Murphy chegou a afirmar: “Com John Charles em campo, poderíamos ter vencido”. O quanto havia de exagero em suas palavras é incerto, mas não é absurdo imaginar que a defesa canarinho teria sofrido um bocado para controlar o camisa 9, se ele estivesse em condições de atuar.

O porte físico extraordinário, em seu 1,88 metro de altura, aliado à sua irrepreensível disciplina e lealdade em campo (nunca foi advertido ou expulso em quase 20 anos de carreira) renderam a ele durante sua passagem pela Juventus o apelido “Il Gigante Buono”, ou “gigante gentil”, na adaptação dos britânicos. Naturalmente, era temível no jogo aéreo e um estorvo constante para os defensores – não raro era preciso destacar dois ou até três jogadores para tentar pará-lo em jogadas na área. Mas nem só de força era feito seu futebol: Charles também tinha facilidade em jogar à húngara, mais recuado, saindo da área para atrair a marcação e servir com excelentes passes os dois meias e os pontas que se infiltravam na defesa adversária.

Nascido em Swansea em 27 de dezembro de 1931, começou a jogar nas categorias de base do time da cidade, o então Swansea Town (atual Swansea City) em 1946. Dois anos depois, foi aprovado num teste no Leeds, da segunda divisão, e se transferiu ainda como amador para o clube de Yorkshire. Nos seus primeiros quatro anos de clube, atuou principalmente como zagueiro, passando a centroavante na temporada 1952/53. Os resultados seriam avassaladores: marcaria 26 gols em 40 partidas naquela temporada e absurdos 42 em 39 partidas na seguinte.

Em 1956, finalmente conseguiu levar o Leeds à elite. E naquela que seria sua primeira – e única – temporada na primeira divisão inglesa, marcaria assombrosos 38 gols em 40 partidas, a melhor marca em 20 anos. A capacidade incrível para criar e fazer gols despertou a atenção da Juventus, numa época em que eram raríssimos os jogadores britânicos atuando fora das ilhas. Em agosto de 1957, assinou com a Vecchia Signora pelo maior valor já pago até então por um jogador de clube britânico para se juntar ao italiano Boniperti e ao argentino Sivori num mortífero trio central de ataque. E mostrou suas credenciais, decidindo os três primeiros jogos (contra Verona, Udinese e Genoa) e também clássicos diante de Torino, Milan e Internazionale a favor do novo clube.

Na Juventus jogou por cinco temporadas, conquistando três vezes o scudetto em 1958, 1960 e 1961 e outras duas vezes a Copa da Itália, em 1959 e 1960. Foi ainda artilheiro da Serie A em 1958, com 28 gols em 34 partidas. No site oficial do clube, é colocado como nada menos que “o maior – e não apenas em tamanho – centroavante da história” dos bianconeri. Em 1959, ficou em terceiro lugar na votação da Bola de Ouro da revista “France Football”, superado apenas pela dupla do Real Madrid, Alfredo Di Stéfano e Raymond Kopa – e foi ainda bem votado na premiação, apesar de fora do pódio, em todos os outros anos entre 1957 e 1962.

Após deixar Turim, teve passagens rápidas de volta ao Leeds e pela Roma, antes de voltar ao seu País de Gales para defender o Cardiff City na segundona inglesa por três temporadas. Pendurou as chuteiras no pequeno Hereford United, das ligas regionais semiprofissionais inglesas, do qual se tornou treinador, passando depois ao Merthyr Tydfil, da mesma categoria. Faleceu em 21 de fevereiro de 2004, aos 72 anos, semanas após sofrer um infarto antes de uma entrevista para a televisão italiana. Mas antes disso, em novembro do ano anterior, teve a honra de ver seu nome ser apontado como o maior da história do futebol galês no panteão da Uefa, quando das comemorações do jubileu de 50 anos da entidade.


Os comentários estão desativados.