Quando um clube muda a fornecedora do material esportivo, cria uma grande expectativa em relação a quem vai entrar. Depois de um período esquecida, a Umbro parece ter voltado com força ao mercado brasileiro. A saída da marca do guarda-chuva da Nike fez a empresa inglesa renascer. Perdeu alguns dos seus times mais importantes no mundo, como a seleção inglesa, mas aos poucos está ganhando mais times. E a sua retomada do estilo clássico tem causado uma boa impressão.

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No Brasil, a Umbro passou a estampar a camisa do Vasco em 2014 e em 2015 tornou-se a fornecedora do Grêmio. Além deles, mantém uma parceria de longa data com o Atlético Paranaense, desde 1996. Chapecoense, Náutico e Joinville são outros clubes patrocinados pela Umbro no Brasil.

Em um mercado global dominado por Nike e Adidas, a Umbro expande sua atuação no Brasil em clubes fortes e parece disposta a ir além disso. Depois do lançamento da camisa do Grêmio, neste mês de janeiro, a reação positiva dos torcedores chamou a atenção. Torcedores de Vasco e Atlético Paranaense já tinham elogiado o modelo das camisas em 2014.

Resolvemos conversar com executivos da empresa para saber o que a Umbro pensa para o Brasil em 2015. Dante Grassi, gerente de marketing da Umbro Brasil, e Adriano Eziliano, diretor de produtos, conversaram com a Trivela sobre as estratégias da marca no país e como pensam as camisas, em uma época que os torcedores são exigentes com as camisas.

Umbro era a fornecedora da seleção brasileira na Copa de 1994
Umbro era a fornecedora da seleção brasileira na Copa de 1994

Trivela: A Umbro foi muito forte no Brasil até os anos 1990, tendo patrocinado a seleção brasileira e clubes importantes como Flamengo e Santos. Depois de um período fora dos grandes clubes, a marca volta a patrocinar Grêmio e Vasco, além de Atlético Paranaense e Chapecoense, todos da Série A. O que aconteceu para a Umbro voltar a atuar com mais força?

Dante Grassi: Foi uma retomada de mercado, depois que a Umbro passou por essa fase inclusive com a direção da Nike. Foi uma retomada para o prestígio que ela sempre teve no futebol mundial. Com o design de alfaiataria, algo que a marca levou ao futebol desde o começo da sua atuação, na Inglaterra. A Umbro sempre foi colocada como uma linha de camisas premium. O DNA da Umbro se mantém o mesmo desde que nasceu até hoje. É assim que estamos retomando o mercado no Brasil. Temos uma perspectiva de aumento do número de clubes, mas não podemos revelar nem o número nem com quais estamos negociando.

Trivela: Cada marca entra no mercado de um jeito. A Nike entrou no futebol procurando só os grandes clubes; a Adidas muitas vezes aposta em opções de segurança, com contratos longos. Como a Umbro pretende se posicionar? Como escolhe os clubes que patrocina?

Dante Grassi: Não é só pelo tamanho do clube, mas principalmente pela torcida dele. Nós trabalhamos só com futebol, nenhum outro esporte. A nossa tecnologia é toda pensada para isso. Procuramos clubes que são conhecidos, independente do tamanho da torcida, mas levando em conta a sua relação com o time. A marca quer ser uma extensão do clube. Queremos os torcedores mais fiéis e mais leais. Sabemos que isso vai trazer um retorno não só pra marca, mas comercial também, porque são estes torcedores que consomem mais, compram mais produtos. Quando entramos em um clube com uma torcida fanática, ganhamos torcedores da marca também. Vemos muito isso pelo retorno que temos nas mídias sociais.

Trivela: A Umbro era praticamente a representante do futebol mais tradicional e muito associado à seleção inglesa. Deixar de patrocinar a seleção inglesa foi uma perda grande para a imagem da Umbro?

Dante Grassi: Não teve impacto negativo nenhum. O impacto que sentimos é positivo. Muita gente ainda acha que a seleção inglesa é patrocinada pela Umbro e os que sabem que mudou o fornecedor falam de uma maneira nostálgica, pedindo a volta dela. Então, é um retorno positivo que tivemos. Não tivemos nenhum impacto negativo para nós no Brasil.

Em 2014, o Vasco passou a vestir Umbro
Em 2014, o Vasco passou a vestir Umbro

Trivela: A entrada de marcas que não costumavam atuar no futebol, como Under Armour e Warrior, e o fortalecimento de outras, como a Puma, tornou o mercado mais disputado?

Dante Grassi: Eu diria que o mercado está mais disputado sim, mas não se torna mais difícil para a Umbro atuar nele. Uma coisa que muitos clubes buscam são marcas que já são conhecidas e que já provaram que conseguem entregar materiais de qualidade superior. Mesmo clubes em algumas das gigantes de material esportivo, torcedores pedem que a Umbro patrocine pelo formato das camisas, pelo design. Com os mais de 90 anos de mercado, o mercado ficar mais disputado não é um problema para a Umbro.

Trivela: O que é mais importante ao patrocinar um clube: a exposição que ele traz para a marca ou as vendas da camisa?

Dante Grassi: Eu diria que é um misto. O que mais ajuda como gerente de marketing é a exposição que o clube ou jogador traz para expor a marca. Pelo lado comercial, a maior vantagem é ter um canal direto com a torcida e com o consumidor. Você está espalhando a marca direto com esse consumidor, vai ver direto com o consumidor. Quando fechamos com um clube, nós pensamos nos dois aspectos.

Trivela: A Umbro sempre teve uma atuação marcante entre as seleções, incluindo o Brasil na Copa de 94. O quanto foi importante patrocinar a seleção para a atuação da Umbro no Brasil?

Dante Grassi: Foi importantíssimo. As gerações um pouco mais velhas lembram. Dos cinco títulos mundiais do Braisl, quatro foram com Umbro. Essa conquista de 1994 foi muito importante porque veio de muito tempo sem título mundial, foi em uma nova era de fornecimento de material esportivo e novos tecidos para alto desempenho e na Copa de 1994 tinha muitos clubes co m a Umbro. Quando a gente relançou a numeração que usaram em 1994, isso encontrou eco naquela época.

Adriano Eziliano: Não diria que é uma volta ao design mais clássico, é o jeito da Umbro da umbro de ter design mesmo na camisa. É ter uma equipe focada em cada clube. Estamos fazendo uma homenagem à Copa de 1994, mas vamos retomar isso e vamos continuar com isso em 2015. Não diria que é uma retomada, porque nós estamos trazendo o design inglês, que é a nossa característica.

Trivela: Hoje se fala muito na ultra tecnologia do material esportivo. Como a Umbro se prepara para isso?

Adriano Eziliano: Sempre primamos muito por confecção. As preocupações vão mudando nos 90 anos. São produtos que exigem características diferentes do jogador. Temos uma preocupação muito grande em procurar tecnologias para deixar o produto o mais próximo possível do que os atletas esperam e saber as expectativas que eles têm do material esportivo e aproximar o máximo possível. O Brasil é um país continental, com tipos de clima muito diferentes. As exigências climáticas do Remo, no Pará, norte do país, são diferentes do Grêmio, no sul. Podemos pensar em tecidos específicos e é algo que estudamos.

Camisas do Atlético Paranaense em 2014
Camisas do Atlético Paranaense em 2014

Trivela: Há algum tipo de exigência dos clubes que a marca precisa lidar?

Adriano Eziliano: Todo clube tem desafios e exigências. Os clubes têm estatutos. Cuidado grande com relação a cor por conta de rivalidades locais. Não existem exigências impossíveis. Há um desenvolvimento muito grande em desenvolvimento de produto. Temos que trabalhar bem as expectativas dos clubes.

Trivela: O design das camisas da Umbro costuma ser muito elogiado pelos torcedores. Os uniformes são bastante clássicos no seu design. Isso é estratégia?

Adriano Eziliano: Temos muitas conversas com os clubes para atender as expectativas deles. Tem vários públicos. Tem os atletas, tem os diretores, tem a história do clube, tem o design global também, temos um redirecionamento global, com diretrizes dos produtos. Tentamos entender o que os atletas mais gostam nas camisas. Consideramos muito a história do clube e a história da Umbro para criar um design reconhecido pela torcida.

Dante Grassi: A Umbro é uma marca inglesa, até hoje com uma sede inglesa, e começou com uma alfaiataria. Isso segue no DNA da marca, desde a sua criação, lá em Manchester, onde ainda fica a nossa sede, até hoje.

Camisas do Náutico, fabricadas pela Umbro
Camisas do Náutico, fabricadas pela Umbro
A camisa de 2015 da Chapecoense, da Umbro
A camisa de 2015 da Chapecoense, da Umbro