Poucos contestam que Lionel Messi é um dos melhores do mundo, no mínimo entre os dois melhores. O craque do Barcelona, aos 32 anos, segue brilhando não só com gols, mas também com grandes atuações, por vezes salvando até o próprio Barcelona. O entrevero recente com Eric Abidal, atualmente diretor do Barcelona, que criticou o comportamento dos jogadores publicamente, fez com que uma onda de especulações surgisse. Os rumores da sua saída são improváveis, mas mesmo assim, o ex-jogador Emmanuel Petit, campeão do mundo em 1998 pela França, acha que Messi não se daria bem se fosse na Inglaterra.

“Messi não é Cristiano Ronaldo. Fisicamente, ele não é a mesma máquina”, afirmou o ex-jogador à Paddy Power. “Ronaldo é um monstro, mas aos 32 anos, Messi só tem mais um ou dois anos jogando no mais alto nível”, continuou o treinador. “Mesmo jogando com grandes jogadores no Barça, ele não vai ter a mesma velocidade ou habilidade de driblar. Eu tenho certeza que ele sabe que o fim não está muito distante”.

“Honestamente, eu não acho que ele seja adequado à intensidade da Inglaterra. Ele não gosta de ter espaço fechado e ser combatido. Na Espanha, ele é protegido”, continuou Petit, ex-jogador do Arsenal, Chelsea e do Barcelona. “Seria um prazer para os torcedores ingleses vê-lo lá, mas eu não vejo por que um clube como o Manchester City, por exemplo, iria tentar contratar Messi aos 32 ou 33 anos. Se o City quisesse contratá-lo, eles deveriam ter tentado alguns anos trás”.

“Messi ganhou muitos títulos e quando eu olho para o time do Barcelona de 10 anos atrás, é claro que o clube estava no seu auge. Os jogadores escreveram suas próprias lendas naquele período. É normal que depois que você atinge esse nível você perceba que não há mais nada acima disso e o único caminho é para baixo. Você não pode ficar no topo para sempre”, analisou o ex-volante.

“Se você olhar para os jogadores que eles contrataram depois, você pode perceber que eles não tiveram a força financeira para competir contra as maiores forças no mercado de transferências. É um dos maiores clubes, mas financeiramente eles estão em um pesadelo recentemente. Agora, eles têm que vender antes de comprar e atualmente, se você quer trazer os melhores jogadores do mundo, irá custar € 80 milhões ou mais”, continuou Petit.

O que é mais curioso é que Messi faz muitos gols contra times ingleses. Inclusive na Inglaterra. São 26 gols contra times ingleses ao longo da sua carreira. É o jogador que mais fez gols contra times ingleses, inclusive. O Liverpool era um dos poucos que já tinha o enfrentado sem sofrer gols. Isso mudou na temporada passada, 2018/19, quando o atacante marcou contra os Reds no jogo de ida – antes dos ingleses massacrarem na volta e conseguirem a classificação.

Petit fala de um tipo de jogo físico, que faria com que Messi sofresse. Um jogador de um nível muito abaixo, mas com problemas físicos tão ou mais sério que o argentino, o brasileiro Bernard, tem conseguido ter destaque na Premier League. Outros, como Gerrard Deulofeu ex-Barcelona, também consegue jogar bem pelo Watford. Isso sem falar em jogadores de porte físico similar, como Bernardo Silva e mesmo Mohamed Salah. Soa apenas um chute de Petit sobre a fisicalidade do jogo inglês, ignorando que Messi já passou por cima de clubes ingleses várias vezes.

Seja como for, Messi não deve deixar o Barcelona ao final da temporada, ainda que a loucura das especulações já faça vários sites e TVs falarem sobre essa possibilidade. Tudo porque ele teria uma cláusula que o permite sair quando quiser, basicamente, sem pagar. O Barcelona não confirma a existência disso, mas ainda que exista, é bastante improvável imaginar que Messi queira deixar um clube pelo qual se tornou quem ele é. Há como voltar a vencer pelo clube e Messi sabe disso. De qualquer forma, se Messi considerar ir para a Inglaterra um dia, ele não parece ter motivos para se preocupar. Aliás, se o Manchester City quiser (e conseguir) contratar Messi, pode ter certeza que terá um jogador do mais alto nível como poucos na história. Mesmo aos 33 anos. Apesar do que pensa Petit.