A gambiarra no calendário que classifica os times brasileiros à Sul-Americana

Regulamento bizarro que classifica para o torneio continental é um remendo de um calendário altamente problemático do Brasil e América do Sul

Você sabe como um time se classifica para a Copa Sul-Americana? Bom, a fórmula não é simples. Primeiro, é preciso ver quais dos eliminados na Copa do Brasil até a fase oitavas de final. Sim, é isso mesmo, o ponto de partida é pegar times eliminados de um torneio. Depois, entre os eliminados, ver quais os sete clubes irão disputar o torneio, de acordo com a classificação no Campeonato Brasileiro do ano anterior. Além deles, uma vaga é reservada ao campeão da Copa do Nordeste – neste ano, o Sport. É um desastre, mas projetado por dirigentes que acharam que isso é bom. Ou menos pior. Ou até aceitável. Não é. Depois de uma quarta-feira de três times importantes sendo eliminados da Copa do Brasil (de forma merecida, aliás, porque os adversários foram muito melhores) e ganhando uma vaga no torneio, a hora é mais do que apropriada para se discutir a forma como as vagas são distribuídas.

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A primeira pergunta quando se vê esse regulamento para definir os participantes brasileiros da Sul-Americana é: por que é assim? Bom, a explicação é muito mais simples que essa fórmula maluca. Os dirigentes fizeram esse malabarismo com as vagas porque as datas que a Copa Sul-Americana é disputa coincidem com a Copa do Brasil, desde que a CBF resolveu incluir os times que jogam a Libertadores no seu torneio mata-mata mais importante.

Até quando acerta a CBF erra. Porque incluiu os times da Libertadores e, assim, tornou a Copa do Brasil um torneio melhor tecnicamente e com mais atração ao torcedor. Mas, para isso, precisou criar uma fórmula maluca que classifica os perdedores dessa competição à Sul-Americana, porque seria impossível um time disputar as duas competições. Verdadeiros gênios.

Isso tudo significa que Internacional, eliminado pelo Ceará e São Paulo, eliminado pelo Bragantino, se garantiram na disputa da Copa Sul-Americana, ao lado de Bahia (eliminado pelo Corinthians), Vitória (eliminado pelo J. Malucelli), Criciúma (eliminado pelo Londrina), Goiás (eliminado pelo Botafogo-PB) e Sport (eliminado pelo Paysandu e campeão da Copa do Nordeste). “Mas e o Fluminense?”, perguntará alguém. Bom, o Fluminense ainda não está garantido. Como a sua campanha no Brasileirão 2013 foi ridícula – acabou rebaixado, lembram? -, o time depende do Santos. Se o alvinegro da Vila Belmiro eliminar o Londrina nesta quinta, o tricolor carioca está na competição sul-americana. Caso o Peixe seja eliminado, é ele quem vai para a SULA, como carinhosamente o torneio é apelidado, e não o time das Laranjeiras.

A forma bizarra de classificar times à Copa Sul-Americana é só um reflexo do péssimo calendário brasileiro e sul-americano. Basta lembrar que Ignazio Piatti, um dos destaques do San Lorenzo na campanha que culminou em título na Libertadores, não pode disputar o jogo de volta da final. Por que? O contrato dele só ia até o dia 6 de agosto. Isso porque a temporada, na Argentina, é de agosto a maio do ano seguinte. Quando o contrato foi feito, fazia todo sentido ser até aquela data.

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Só que teve a Copa do Mundo e as finais da Libertadores acabaram sendo muito mais tarde do que o normal. E aí o San Lorenzo vendeu o jogador parta o Montreal Impact, time canadense da MLS. A Fifa não permitiu o seu contrato fosse estendido por alguns dias. A entidade exige que os contratos tenham duração mínima de três meses. E, por isso, Piatti teve que assistir o segundo jogo da final de fora do campo. Tudo por causa de um calendário que é ruim para todos, argentinos, paraguaios, brasileiros, bolivianos…

Afinal, o correto seria a Libertadores ser disputado o ano inteiro, paralelamente à Sul-Americana, assim como a Copa do Brasil. Os times da Libertadores podem entrar em uma fase avançada, como é hoje, o que economiza algumas datas. Passa por um problema de todas as instâncias do futebol sul-americano. A CBF monta um calendário ruim, a Conmebol idem. E aí o que vemos é que os dirigentes fazem gambiarras quando precisavam de uma reforma completa. Com o passar dos anos, há mais gambiarras do que qualquer outra coisa e o calendário brasileiro e sul-americano se torna esse monstrengo desajeitado, andando como um Godzilla em Tóquio, destruindo os prédios. Só que neste caso, é como se os prédios votassem para que Godzilla continuasse ali. Esses são os clubes sul-americanos, votando nos seus dirigentes incompetentes.

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