Começou um pouco devagar, mas a Liga das Nações pegou no tranco nas rodadas finais dos grupos e chega, pela primeira vez, à sua fase final. Todas as partidas serão realizadas em Portugal. Nesta quarta-feira, o dono da casa recebe a Suíça, no Estádio do Dragão. Na quinta, Holanda e Inglaterra medem forças em Guimarães. A decisão será no fim de semana, no Porto. Confira como os quatro concorrentes chegam ao final four em busca do inédito título da competição europeia.

Holanda

Virgil Van Dijk, zagueiro da Holanda (Foto: Getty Images)

O que aconteceu com a Holanda na Liga das Nações foi um renascimento. Fora das últimas duas grandes competições internacionais, a Laranja caiu em um grupo com os últimos dois campeões do mundo, um deles bem recentemente, e conseguiu passar com vitórias em casa e um empate na Alemanha, com dois gols nos cinco minutos finais para arrancar a vaga. A revanche veio com uma derrota em casa, por 3 a 2, nas Eliminatórias da Eurocopa, mas a Holanda tem motivos para ficar otimista.

A começar pela sua dupla de defesa que conta com dois dos melhores zagueiros do mundo: o campeão europeu Virgil Van Dijk e o jovem Matthijs de Ligt. Ainda há Daley Blind, também do Ajax, mas usado na lateral esquerda na seleção. No apoio, Stefan de Vrij vem de boa temporada na Internazionale e Nathan Aké disputou todos os jogos do Bournemouth na temporada, o que permite a Koeman usar três zagueiros, como testou em amistoso contra a Bélgica.

O Ajax também forneceu a talentosa dupla de meio-campo Frenkie de Jong e Donny van de Beek, que pode atuar junto com Georginio Wijnaldum, que cresceu nesta temporada com a camisa do Liverpool. O ataque pode ser um ponto fraco. Depende demais de Memphis Depay, que fez uma temporada com mais altos e baixos pelo Lyon do que a anterior. Steven Bergwijn, pelo menos, cresceu no PSV. Ainda há Quincy Promes e Ryan Babel, um dos poucos que fez alguma coisa nos últimos seis meses do Fulham. Luuk de Jong é a opção para presença de área.

Inglaterra

Harry Kane, do Tottenham (Foto: Getty Images)

A Inglaterra é vítima do sucesso dos seus clubes. Quatro deles chegaram às finais europeias e tiveram poucos dias de descanso – os de Liverpool e Tottenham encerraram suas obrigações pelos clubes apenas no último sábado. Houve uma pausa de quase três semanas entre o fim da Premier League e as decisões da Liga Europa e da Champions League, utilizada, porém, para preparação, tanto física quanto mental.

De Chelsea e Arsenal, que se enfrentaram em Baku, apenas Ross Barkley foi convocado. De Tottenham e Liverpool, muito mais: Danny Rose, Joe Gomez, Alexander-Arnold, Eric Dier, Jordan Henderson, Dele Alli e Harry Kane.

A missão de Gareth Southgate é desenvolver a equipe além da solidez defensiva e precisão nas bolas paradas que foram suficientes para chegar às semifinais da Copa do Mundo. A equipe ainda é muito jovem. Tom Heaton é o único acima dos 30 anos. Perto disso, apenas Kyle Walker (29), Fabian Delph (29) Danny Rose (28), Henderson (28) e Callum Wilson (27).

Wilson é uma das novidades da convocação. Com média de um gol a cada três jogos pelo Bournemouth, ganhou duas chances na seleção durante a temporada e vira opção para o ataque. Também recém-chegado é Declan Rice, do West Ham, uma das revelações da Premier League. Ele tinha a possibilidade de defender a seleção da Irlanda, mas preferiu a Inglaterra.

Alguns jogadores cresceram desde a Copa do Mundo, especialmente Jadon Sancho, outro novato, um dos principais jogadores do Borussia Dortmund na Bundesliga. Sterling colecionou mais dezenas de gols pelo Manchester City e ainda tem o desafio de transferir esse desempenho para a seleção. Alexander-Arnold estabeleceu-se como um dos principais laterais do mundo, e Ross Barkley teve bons momentos pelo Chelsea. No outro lado da equação, as atuações de Dele Alli preocupam.

A Inglaterra começou mal a Liga das Nações, com derrota para a Espanha, em casa, e empate contra a Croácia, fora. Recuperou-se ganhando os últimos dois jogos e avançou às semifinais. Começou a campanha nas Eliminatórias da Eurocopa com duas goleadas, contra República Tcheca e Montenegro, marcando cinco gols em cada uma delas. Depois da derrota para a Espanha, Southgate abriu mão do esquema com três zagueiros e voltou à linha de quatro, mas quase sempre usou Eric Dier como volante, o que permite retomar um trio defesa durante o jogo se necessário.

Portugal

Rui Patrício e Cristiano Ronaldo (Foto: Getty Images)

Difícil precisar se Portugal já chegou a uma competição internacional com tanto talento à disposição, e não apenas potencial bruto, mas jogadores que terminaram temporadas como peças relevantes em times e ligas fortes, além da óbvia presença de Cristiano Ronaldo, após sua primeira campanha italiana.

Desde Bernardo Silva que foi de reserva do Manchester City, antes da Copa do Mundo, a um dos melhores jogadores de um título inglês, à colônia de portugueses do Wolverhampton, formada por Rui Patrício, João Moutinho, Rúben Neves – que nem foi para a Rússia – e Diogo Jota, todos em forma da principal campanha inglesa fora dos seis grandes.

A defesa, ponto crítico de renovação do elenco de Fernando Santos, também teve o que comemorar, com Rubén Dias terminando a temporada passada como titular do Benfica e se firmando ainda mais nesta. João Cancelo foi muito bem pela Juventus. Raphaël Guerreiro recuperou-se de lesão e foi bastante utilizado pelo Borussia Dortmund na reta final da Bundesliga, embora mais como meia do que como lateral.

Há muita expectativa sobre dois recém-chegados, destaques da temporada portuguesa. João Félix ainda nem estreou com a camisa da seleção, mas foi um dos melhores jogadores do Benfica, com 20 gols em 43 jogos, atraindo o interesse de grandes clubes. Bruno Fernandes tem 11 internacionalizações e vem de 32 gols pelo Sporting, também gerando especulações no mercado.

O desafio de Santos é o mesmo de sempre: montar um time que aproveite as qualidades de Cristiano Ronaldo sem depender exclusivamente do seu principal craque. Não houve derrotas desde a Copa do Mundo, nem em jogos oficiais, nem em amistosos, mas foram cinco empates e apenas dez gols marcados. Ronaldo não atuou no segundo semestre do ano passado. Voltou apenas para os duelos contra Ucrânia e Sérvia pelas Eliminatórias da Eurocopa.

Sem Ronaldo, Santos não fugiu muito de um esquema com três meias, geralmente William Carvalho, Pizzi e Neves, dois jogadores abertos, Bernardo Silva e Bruma – que não foi convocado – e um centroavante. Com o retorno do craque, atuou com dois atacantes: André Silva em um jogo, e Dyego Souza, do Braga, no outro. Silva não foi convocado, mas Diogo Jota pode executar essa função, depois de boa temporada pelo Wolverhampton.

Suíça

Shaqiri, da Suíça (Foto: Getty Images)

Não que precisasse de outra demonstração de que este time não é mais um ferrolho defensivo, sempre retrancado, mas a Suíça chegou à semifinal da Liga das Nações porque soube fazer gols. Especificamente, os cinco contra a Bélgica que valeram a vitória na rodada final e a vantagem no confronto direto, mas também houve 6 a 0 contra a decadente Islândia e, nos amistosos, um empate por 3 a 3 contra a Dinamarca.

A espinha dorsal do time segue a mesma – há anos. O goleiro Yann Sommer, o lateral Ricardo Rodríguez, o zagueiro Fabian Schär, o volante Xhaka, o meia Shaqiri e o atacante Seferovic. O alerta é que as temporadas de Milan e Arsenal, de Rodríguez e Xhaka, respectivamente, não foram excelentes, e Shaqiri atuou menos do que estava acostumado. Depois de um bom começo no Liverpool, virou reserva e somou poucos minutos na reta final.

Alguns jovens começam a se estabelecer como regulares no time nacional. Titular na Copa do Mundo, Manuel Akanji firmou-se como jogador importante do Borussia Dortmund, depois da transferência do Basel, em janeiro. Denis Zakaria, do Borussia Monchengladbach, atuou em todas as partidas da Suíça desde o Mundial, sempre titular, com exceção do 5 a 2 contra a Bélgica.

Vladimir Petkovic manteve um esquema com linha de quatro na maioria das partidas, mas experimentou com três zagueiros em confrontos mais difíceis, como na derrota para a Inglaterra e em amistosos, contra Bélgica e Dinamarca. Pode ser uma variação, até porque Nico Elvedi, do Monchengladbach, atua tanto de zagueiro quanto de lateral direito e pode alterar a tática quando necessário.