Não foi a luta espetacular que muitos esperavam. Floyd Mayweather e Manny Pacquiao protagonizaram um combate morno, que nem de perto teve a espetacularidade e tensão de um Ali-Frazier, Hagler-Hearns, Leonard-Durán ou Chávez-Taylor. Ou seja, nada perto de sustentar a expectativa de “Luta do Século” do qual tanto se falou nos dias que antecederam o encontro em Las Vegas. O seguidor ocasional do pugilismo pode ter se decepcionado, mas o torcedor mais fiel do esporte provavelmente já esperava. Porque Mayweather é uma espécie de Espanha do tiki-taka dos ringues.

VEJA TAMBÉM: No clima da luta do século, relembremos o maior nocaute das Américas: el puñetazo

Deixe um pouco de lado o fato de você gostar ou não do atleta mais bem pago do mundo ou da campeã mundial de 2010 de lado. É apenas uma questão de estratégia, de como ambos usaram um sistema que os adversários sofrem (ou sofreram, no caso dos espanhóis) para responder.

A Espanha conquistou uma Copa do Mundo e duas Eurocopas jogando um grande futebol. Era uma equipe bastante técnica, sobretudo no meio-campo, e de alguma forma ajudou a criar as bases do jogo moderno. Mas não era um estilo particularmente ofensivo. Era o uso da técnica em nome do domínio total das ações, mesmo que isso não significasse jogadas empolgantes, ataques incessantes e placares dilatados. O objetivo era ter a bola nos pés o tempo todo, asfixiar o adversário e buscar um ou dois gols definitivos.

Floyd Mayweather golpeia Manny Pacquiao (AP Photo/John Locher)
Floyd Mayweather golpeia Manny Pacquiao (AP Photo/John Locher)

Mayweather provavelmente nada sabe do futebol do tiki-taka, mas leva um pouco dele aos ringues. Porque suas vitórias têm sempre uma marca parecida. Com jogo de pernas eficiente, velocidade e técnica, consegue controlar a luta ao desferir muitos golpes precisos (ainda que nem sempre duros o suficiente para um nocaute) e ficar fora do raio de ação do oponente.

É impossível não admirar o talento e a capacidade estratégica da Fúria (ou Roja) e de Money, mas também dá para entender porque muita gente torce o nariz para ambos. A Espanha ainda mostrou que sabia crescer no grande momento, como nos 4 a 0 sobre a Itália na final da Eurocopa de 2012. Talvez os amantes do boxe esperassem que Mayweather fizesse o mesmo contra Pacquiao, mas não dá para ignorar sua superioridade sobre os demais.