Demitido do cargo de secretário-geral da Fifa e afastado preventivamente de todas as atividades relacionadas ao futebol por 90 dias em outubro do ano passado, Jérôme Valcke vê seu período de embargo político chegar ao fim nesta terça-feira, mas seus problemas estão longe de terminar. O Comitê de Ética da Fifa encerrou sua investigação sobre o dirigente e recomendou uma punição de nove anos longe do esporte, além do pagamento de uma multa de 100 mil francos suíços, cerca de R$ 395 mil.

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As investigações foram conduzidas por Cornel Borbély, presidente da câmara de investigação do Comitê de Ética da Fifa. A recomendação é de que, imediatamente, a suspensão provisória de Valcke seja estendida por mais 45 dias, à espera da decisão final de seu afastamento por nove anos do futebol. Isso precisará ser decidido pela câmara julgadora da entidade, comandada por Hans-Joachim Eckert.

“Em seu relatório final, o presidente da câmara de investigação do comitê de ética recomendou a imposição de uma expulsão de nove anos e de uma multa de 100 mil francos suíços ao senhor Valcke, por suposta violação das regras gerais de conduta, lealdade, confidencialidade, dever de informação, cooperação, conflitos de interesse, oferta e aceitação de presentes e outros benefícios e violação de sua obrigação geral de colaborar. Até que uma decisão formal seja tomada pela câmara julgadora do comitê de ética, o senhor Valcke é considerado inocente”, diz trecho do comunicado divulgado pela Fifa nesta terça.

Ex-secretário-geral da Fifa, Valcke foi nome forte na política do órgão nos últimos anos, sobretudo na organização da Copa do Mundo de 2014, no Brasil. Esteve bastante na mídia por causa de sua função no Mundial e não hesitava em suas declarações polêmicas, como quando disse que o Brasil merecia um “chute no traseiro” pelos atrasos nas obras dos estádios para a competição.

As primeiras denúncias contra Valcke no Fifagate aconteceram em junho do ano passado. Segundo o New York Times, o francês autorizou um pagamento de US$ 10 milhões a Jack Warner, ex-presidente da Concacaf e atualmente na lista de procurados da Interpol, pelo apoio à candidatura da África do Sul para sediar a Copa de 2010. Valcke negou a informação, mas a investigação da Justiça dos Estados Unidos corroborou as informações, acrescentando ainda a fala de uma porta-voz da Fifa, confirmando que a função do dirigente era de manter as contas da entidade e autorizar transação. Além disso, Valcke enfrenta uma denúncia por ter supostamente participado de um esquema de revenda de ingressos da Copa do Mundo por valores três vezes maiores que os de face.

Braço direito de Joseph Blatter, Jérôme Valcke se encaminha para um destino parecido com o do parceiro político, a quem o Comitê de Ética da Fifa impôs uma sanção de oito anos do futebol. Em seu tempo na Fifa como secretário-geral, o trabalho do francês foi “garantir o padrão Fifa”, participando ativamente do processo de candidatura de países para sediar Copas do Mundo e da inspeção de estádios superfaturados para essas competições. Sua atuação resultou nas escolhas extremamente questionáveis de Rússia e Catar para as próximas duas edições do Mundial. Interesses políticos em detrimento dos esportivos – e sociais. Se confirmada a expulsão por nove anos, uma figura como Valcke não fará falta alguma ao esporte.