Manchester City, Chelsea, Wigan e Everton. É verdade que foram disputadas apenas três rodadas do Campeonato Inglês, mas, mesmo assim, é uma grata surpresa ver que são essas equipes que ocupam as primeiras posições da competição, em vez dos quatro grandes de sempre (só para comparar, nesta altura da temporada passada, os líderes eram Manchester United, Chelsea, Portsmouth e Bolton).

O grande destaque nesse quarteto, sem dúvida, é o City. O time de Sven-Goran Eriksson lidera isolado o campeonato e já é o único com 100% de aproveitamento – em 2006/7, foi o United o último a tropeçar, o que só aconteceu na quinta rodada.

Fora a curiosidade estatística, o que é realmente relevante na liderança do Manchester City é a vitória por 1 a 0 no clássico contra os Red Devils, no último fim de semana. Deve-se dizer que o United dominou totalmente a partida, o que leva a duas conclusões: mesmo com uma equipe montada de última hora, Eriksson já conseguiu montar uma ótima defesa (o City ainda não levou nenhum gol) e o time de Alex Ferguson sente a falta de um atacante matador.

Dado que o maior ponto fraco do Manchester City era justamente a pressa com que o elenco foi montado, a torcida da equipe tem motivos para grande otimismo. Esperava-se que o time começasse devagar o campeonato e depois fosse crescendo. É claro que ninguém realmente pensa em título – nem em vaga na LC –, mas um lugarzinho na próxima Copa Uefa já parece mais que factível.

Do outro lado, o Manchester United é, sem dúvida, a grande decepção deste início de temporada. Ninguém esperava que, com três jogos disputados, a equipe teria apenas dois pontos ganhos – e olha que os adversários eram só Reading, Portsmouth e Manchester City.

Uma possível explicação para os tropeços seria que Alex Ferguson teria voltado a sua tradicional fórmula de começar o campeonato devagar e acelerar no segundo turno. Na temporada passada, o técnico abandonou esse esquema, para não permitir que o Chelsea disparasse na liderança. Deu certo no Inglês, mas foi um dos fatores que derrubaram o United na Liga dos Campeões. Se realmente houve uma mudança nesse aspecto em 2007/8, indica que o técnico estaria disposto a sacrificar o título inglês (já está cinco pontos atrás do Chelsea) para arriscar tudo na LC.

Mesmo o desempenho de Liverpool, Chelsea e Arsenal, neste comecinho, é animador para quem acompanha o Inglês. Os dois primeiros só perderam pontos num confronto direto – aliás, uma partida cheia de polêmicas –, mas o interessante é que, mesmo nas três partidas que venceram, tiveram bastante dificuldade para fazê-lo, sempre por apenas um gol de diferença. O mesmo pode ser dito dos Gunners, que precisaram de um gol no último minuto para bater o Fulham e só empataram com o Blackburn.

É claro que, por mais que times como o Manchester City tenham surpreendido nas primeiras rodadas, os quatro grandes continuam como francos favoritos para ficarem com as vagas na próxima Liga dos Campeões. A novidade é que, pelo menos, parece que vai demorar um pouco até que eles disparem na liderança, devendo perder mais pontos no caminho do que nos últimos três anos. Para o interesse do campeonato e o ânimo do torcedor, isso faz toda a diferença.

Esperando a demissão

Com apenas três rodadas disputadas, parece que já está na cara qual vai ser o primeiro técnico demitido na temporada. E o nome é uma relativa surpresa: Martin Jol, do Tottenham.

O começo da temporada dos Spurs foi realmente decepcionante. Não dava para imaginar que a equipe estrearia com derrotas para Sunderland e Everton. Na diretoria, que faz questão de conseguir uma vaga na próxima Liga dos Campeões, esses resultados causaram pânico e fizeram os cartolas saírem correndo atrás de um novo treinador.

Jol só não foi demitido ainda por dois motivos. Primeiro, ajudou o fato de ter goleado o Derby, na última rodada. Mas o principal fator que o mantém no cargo (por enquanto) é a recusa de Juande Ramos de trocar o Sevilla pela equipe inglesa. Para o holandês permanecer, é indispensável vencer a próxima partida. O problema é que o adversário é o Manchester United, que também vai jogar seco por uma vitória.

É inegável que o Tottenham teve um salto de qualidade nos quase três anos em que Martin Jol esteve no comando. De mais um time perdido no meio da tabela, virou sem dúvida o quinto melhor da Premier League. Além disso, sofreu com grande número de desfalques na defesa neste mês, o que certamente é um dos fatores que explicam os maus resultados do Tottenham, até aqui.

Por outro lado, não dá para negar que Jol também cometeu erros. Logo na estréia, por exemplo, brigou com Dimitar Berbatov – talvez seu melhor jogador – e mandou a diretoria vender o búlgaro. Os dirigentes não gostaram nada da atitude, que é um dos fatores que pesam na resolução de mandar o técnico embora. Além disso, o holandês segue com problemas para achar um time base e não tem nenhum craque no elenco, apesar de ter gasto mais de € 40 milhões em contratações.

Qualquer que seja o contexto, demitir um técnico com apenas três rodadas disputadas é uma péssima decisão. Se realmente fizer isso, o Tottenham estará abrindo mão de qualquer chance de ficar entre os quatro primeiros nesta temporada – afinal, é pedir demais de um novo técnico que alcance esse difícil objetivo com um time montado por outro. A única chance de os Spurs alcançarem sua meta neste ano é segurar Jol e torcer para que ele consiga mudar logo o rumo da equipe.

CURTAS

– Se o Campeonato Inglês começou movimentado e imprevisível, no Escocês a história já é a mesma de sempre.

– O Ranges é líder, com 100% de aproveitamento, e o Celtic vem em segundo, com sete pontos ganhos (mesma pontuação de Hibernian e Kilmarnock).

– Nesta quarta-feira, a Inglaterra faz um amistoso contra a Alemanha.

– Teoricamente, é um jogão; na prática, os ingleses não estão nem aí.

– Ao que tudo indica, a dupla de ataque inglesa será formada por Alan Smith e Michael Owen – o que já mostra o quão ‘séria’ é a partida…