Foi mera coincidência, mas uma das grandes, que Ramires tenha sido reapresentado ao futebol brasileiro, após uma década no exterior, justamente no dia em que a grande campanha da qual ele participou pelo Cruzeiro está completando 10 anos. No entanto, a lembrança não é das melhores. Em 15 de julho de 2009, a Raposa chegou a sair à frente do Estudiantes, mas levou a virada, em um Mineirão lotado, e assistiu ao clube de Juan Sebastián Verón se tornar tetracampeão da Libertadores.

O Cruzeiro chegou à decisão sul-americana na metade de uma sequência de nove finais com pelo menos um brasileiro. Justamente no período em que houve derrotas para times de países vizinhos. Após os títulos de São Paulo e Internacional, o Grêmio perdeu do Boca Juniors, o Fluminense da LDU, e o Cruzeiro do Estudiantes.

Os dois times haviam se encontrado na fase de grupos, com uma vitória categoria para cada lado. O Cruzeiro contou com dos gols de Kléber para vencer o Estudiantes, por 3 a 0, na primeira rodada. Na penúltima, La Plata assistiu à goleada dos donos da casa contra os mineiros por 4 a 0. A Raposa passou em primeiro, com três pontos a mais do que os argentinos.

No mata-mata, depois de eliminar a Universidad de Chile, o Cruzeiro disputou um par de confrontos nacionais para alcançar sua quarta decisão, passando pelo São Paulo em um confronto quente e depois pelo Grêmio. No outro lado da chave, o Estudiantes tirou o Libertad e os uruguaios Defensor e Nacional. Chegou pela quinta vez à decisão, a primeira desde 1971.

Olhando em retrospecto, não era um time maravilhoso. No gol, o Estudiantes de Alejandro Sabella tinha Mariano Andújar que, depois de uma passagem pela Europa, por Catania e Napoli, retornou ao clube de La Plata. A defesa contava com os zagueiros Rolando Schiavi e Leandro Desábato. Um jovem Enzo Pérez corria no meio-campo para auxiliar o veterano Verón e municiar o ataque com Mauro Boselli, artilheiro daquele certame com oito gols, e Gastón Fernández.

A escalação do Cruzeiro de Adilson Batista começava com o sempre presente goleiro Fábio. Jonathan e Gérson Magrão faziam as laterais, Thiago Heleno e Leonardo Silva, a dupla de zaga. O primeiro volante era Henrique, com as saídas de Marquinhos Paraná e Ramires. Wagner armava. Kléber e Wellington Paulista compunham a dupla de ataque do time que havia sido terceiro colocado no Campeonato Brasileiro do ano anterior.

O jogo de ida, em La Plata, terminou 0 a 0. A vantagem era toda cruzeirene. Bastava vencer em casa. O Mineirão contou com 65 mil pessoas, políticos como Aécio Neves (PSDB) e o técnico da seleção brasileira Dunga, convocado pelo então governador de Minas Gerais, segundo a Folha de S. Paulo, para “estimular” os atletas. O Estudiantes, porém, jogou com a atmosfera. Tocou a bola com calma, com cadência, deixando o adversário nervoso a cada minuto que passava.

Mesmo assim, quem abriu o placar foi o Cruzeiro. Henrique pegou de fora da área e contou com um desvio para acertar o canto de Andújar. O relógio marcava 7 minutos do segundo tempo. No entanto, pouco depois, Verón inverteu a jogada para o lateral direito Cellay. O cruzamento rasteiro passou pela defesa cruzeirense e encontrou Gastón Fernández: 1 a 1. Não havia desempate pelo gol fora de casa.

E de qualquer maneira, nem precisaria. Porque aos 28 minutos, Verón cobrou escanteio da direita, e Boselli apareceu para cabecear no canto de Fábio. Thiago Ribeiro ainda acertou a trave antes do fim do jogo, mas não foi possível evitar a festa argentina no Mineirão. Verón, aos 34 anos, repetiu o feito de seu pai e conquistou a Copa Libertadores.