O ano passado foi de contenção de gastos para o Corinthians. Contratações modestas para repor campeões brasileiros que haviam ido embora enfraqueceram o time, junto à dificuldade de encontrar um treinador para substituir Fábio Carille. Refletiu-se em campo. Apesar do título paulista e da final da Copa do Brasil, foi uma temporada difícil, de campanha fraca no Brasileirão e eliminação precoce na Libertadores. Mas a preparação para os próximos torneios traz sinais de otimismo para o torcedor alvinegro.

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A primeira boa notícia foi o retorno de Carille. Passa confiança ao torcedor que o departamento técnico está em boas mãos, com um profissional que superou expectativas antes de levar o cofrinho à Arábia Saudita. Sentimento refrescante depois de passagens ruins de Omar Loss e Jair Ventura. Carille já se mostrou capaz de tirar leite de pedra, mas talvez isso não seja tão necessário em 2019.

Porque, além de repatriar seu treinador favorito (entre os acessíveis), o Corinthians também tem contratado muito bem. São oito reforços, por enquanto: o zagueiro Manoel, anunciado esta semana, o lateral direito Michel Macedo, o volante Richard, os meias Sornoza e Ramiro, e os atacantes Boselli, André Luiz e Gustavo Mosquito. Algumas apostas, e, principalmente, atletas maduros que podem fazer o time subir de patamar, sem contar o retorno de Gustavo, o Gustagol, com moral depois de sua passagem pelo Fortaleza.

Manoel, o mais recente do grupo, é um bom exemplo. Chegou ao Cruzeiro do Atlético Paranaense, em 2014, por € 3 milhões, como um jogador que prometia bastante. Três anos depois, sofreu uma lesão no pé que atrapalhou a sua temporada. Foram duas tentativas de voltar aos campos, sem que o problema físico fosse completamente superado. Quando conseguiu retornar, Dedé havia recuperado a melhor forma e Léo se firmara como seu parceiro. Ele atuou apenas 23 vezes pela Raposa em 2018, a menor marca da sua carreira.

Mas terminou o Brasileirão com seis jogos seguidos pelo Cruzeiro, sendo cinco disputando os 90 minutos, e ainda tem 28 anos. Possui talento e pode formar uma boa dupla de zaga com Henrique, especialmente se Carille conseguir retomar a solidez defensiva que foi a marca do seu time campeão. Protegida e organizada como naquela época, a zaga corintiana eleva o nível dos seus integrantes, o que fica ainda mais apetitoso para o torcedor se eles forem bons jogadores.

Ramiro foi uma aquisição interessante porque parece um jogador perfeito para atuar sob o comando de Carille. Impressionou no Grêmio pela disposição tática, como o jogador que deu equilíbrio ao time de Renato Gaúcho. Pode ser volante ou pode ser meia pela direita, com a saída de Ángel Romero. Tem característica para exercer o mesmo papel.

O meio-campo ganha também criatividade com Junior Sornoza. O equatoriano teve bons e maus momentos no Fluminense, mas não deixou dúvida sobre a sua qualidade técnica. Carille começará o ano com dois meias. Por enquanto, Sornoza atuará pelo meio, com Jadson aberto, em uma tentativa de reviver as parcerias bem-sucedidas do ex-jogador do Shakhtar Donetsk com Rodriguinho e Renato Augusto.

Boselli é a tentativa de resolver um problema relevante: fazer gols. Desde a saída de Jô, o Corinthians tem sofrido para encontrar um jogador consistente para liderar a linha ofensiva. Roger e Jonathas não deram certo. Romero e Danilo foram improvisados. Boselli, 33 anos, tem experiência, um currículo vencedor e vem de boa passagem pelo León, do México, com alto índice de gols marcados.

Com os outros quatro jogadores menos badalados, o Corinthians realizou um bom mercado, e pode não parar por aí. O orçamento para 2019 previa R$ 42,2 milhões para novos jogadores, e, segundo o UOL, apenas R$ 20 milhões foram gastos em três deles: Sornoza (R$ 10 milhões), Richard (R$ 8 milhões) e André Luis (R$ 1,5 milhões). Restam R$ 22,2 milhões que podem ser desembolsados imediatamente ou ao longo do ano. Um dos alvos é repatriar Guilherme Arana para ocupar o vácuo que ele próprio deixou na lateral esquerda. Outro é Vagner Love.

E os sinais de otimismo continuaram, esta semana, com o anúncio do banco BMG como o primeiro patrocinador máster do Corinthians desde abril de 2017 – 21 meses sem uma marca fixa na frente da camisa. Mais detalhes serão revelados em uma entrevista coletiva na próxima terça-feira, mas o diretor de marketing Luis Paulo Rosenberg confirmou que a empresa já adiantou R$ 30 milhões. E o clube começa o ano com outros quatro espaços na camisa ocupados: calção, costas, barra e ombros.

Isso é importante para atingir a previsão orçamentária de 2019. São esperados R$ 42 milhões com patrocínios, valor que, segundo o anúncio de Rosenberg, junto com as outras propriedades, parece perto de ser atingido. Ano passado, a projeção era de R$ 63 milhões e a realidade ficou em apenas R$ 18 milhões. Não significa que o Corinthians de repente ficou rico, porque o orçamento planejado ainda é parecido ao do ano anterior, e existe o problema do estádio, que drena dinheiro do clube, mas são indicativos de cofres reforçados.

O Corinthians tem intercalado anos de seca com temporadas gloriosas na última década. Ainda é cedo para saber qual dos dois será 2019, mas, por enquanto, tudo indica um time mais forte para a segunda passagem de Carille. E perspectivas para o futuro.