Ole Gunnar Solskjaer já deu motivos para seus torcedores reclamarem do Manchester United desde que assumiu o clube. No entanto, não se pode questionar o rendimento dos Red Devils nos duelos contra os grandes oponentes ingleses. É impressionante a maneira como a equipe sobe de produção ante o chamado ‘Big Six’. E, em uma semana na qual os mancunianos vinham de uma ótima vitória sobre o Tottenham, se saíram ainda melhor no dérbi deste sábado. Dentro do Estádio Etihad, o United fez um primeiro tempo excelente e derrotou o Manchester City por 2 a 1 – ajudando também o Liverpool.

Por jogar em casa e por sua própria força nos últimos anos, o Manchester City poderia ser considerado favorito ao clássico. Entretanto, poucos minutos bastaram para que isso caísse por terra. O Manchester United não recuou e fazia um jogo de igual, marcando alto, com autoridade. Durante primeiros minutos abertos, o futebol vertical dos Red Devils se mostrava mais eficiente. Ederson salvava. Logo no primeiro chute, o brasileiro precisou espalmar uma bomba de Daniel James. E depois que Kevin de Bruyne perdoou do outro lado, ele voltaria a trabalhar em arremate de Jesse Lingard.

Gabriel Jesus reclamaria de um pênalti sem muita razão, mas a verdade é que o Manchester United se provava bem mais contundente nos avanços. Ederson realizou sua terceira intervenção aos 15, agora contra Marcus Rashford. No entanto, o merecido gol dos Red Devils sairia na sequência. Bernardo Silva derrubou Rashford na área e o City não teve como reclamar. Na cobrança, o próprio Rashford deslocou Ederson e mandou para dentro.

O gol deu ainda mais segurança ao Manchester United, que não aliviava à fragilizada defesa do City. Rashford comandava as ações. Depois de um bolão de Fred, quase ampliou em contra-ataque. Já aos 26, o garoto acertou um ótimo chute colocado que balançou o travessão. O segundo tento viria mesmo aos 29, contra uma defesa atônita. Anthony Martial tabelou com Daniel James e teve toda a liberdade do mundo para arrematar dentro da área. Chute no cantinho, que beijou a trave antes de entrar. Era um baile.

O Manchester City esboçaria uma reação antes do intervalo, mas nada contundente. Na melhor chance, Gabriel Jesus mandou a cabeçada para fora, sozinho na área. Era um time limitado e que sofria com a velocidade dos avanços dos Red Devils. O mais agressivo que os celestes fizeram foi reclamar da arbitragem, sobretudo ao pedirem outro pênalti em toque de Fred, quando o braço do brasileiro estava colado ao corpo.

Pela superioridade do Manchester United, os dois gols de diferença ficaram baratos. E somente no segundo tempo o Manchester City recobrou os seus sentidos, ainda distante de suas melhores noites. A partir de então, os Red Devils se empenharam mais na defesa e demonstraram sua bravura para segurar o placar. A equipe de Solskjaer dava todo o seu suor para fechar os espaços e travar as finalizações dos Citizens. Aaron Wan-Bissaka, em especial, se agigantava, após já ter auxiliado bastante nas escapadas pela direita durante o primeiro tempo. David de Gea também seria convidado a trabalhar por Rodri, salvando com a ponta dos dedos, enquanto Lingard incomodaria Ederson do outro lado.

Aos 25 minutos, aconteceu o momento mais revoltante da noite. Quando Fred saiu para cobrar um escanteio, os torcedores do Manchester City atiraram objetos no gramado, incluindo isqueiros e uma garrafa de água. O brasileiro foi atingido no pescoço, sem gravidade. Além disso, um boçal fazia gestos racistas, imitando macaco. Após a partida, os Citizens não perderam tempo para publicar uma nota repudiando o ato. O clube também afirmou trabalhar com a polícia para identificar o indivíduo e bani-lo pelo resto da vida.

De volta ao jogo, o Manchester City via suas oportunidades limitadas basicamente às bolas alçadas na área. A pressão aumentou nos dez minutos finais, até que a esperança ressurgisse aos 40. Riyad Mahrez cobrou um dos tantos escanteios da equipe, para Nicolás Otamendi concluir às redes. Somente neste momento é que a vitória do United esteve em real risco. Todavia, De Gea foi brilhante para garantir o triunfo. Mahrez poderia ter marcado num chute rasteiro, que o goleiro buscou. Nos acréscimos, bastou aos Red Devils afastarem os perigos para celebrar.

Impressionou o alto nível do Manchester United, em especial de alguns jogadores. Rashford, Wan-Bissaka, Fred e Daniel James atuaram em seu máximo. Solskjaer claramente consegue extrair o melhor do seu time em ocasiões de peso, por mais que peque na regularidade. O time ainda não perdeu contra adversários do Top Six nesta temporada, com quatro vitórias e dois empates – além de um triunfo contra o Leicester.

O Manchester United fecha o sábado na quinta colocação, com cinco jogos de invencibilidade na Premier League. Soma 24 pontos, a cinco de alcançar o Chelsea no G-4. O objetivo permanece. Já o Manchester City começa a ver o sonho do tricampeonato se tornar muito complicado. O time de Pep Guardiola estacionou nos 32 pontos. Permitiu que o Liverpool abrisse 14 pontos de vantagem. Uma reviravolta dependerá de uma mudança de espírito que não parece muito provável neste momento.

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