O Santos, mesmo mal no início do ano, conseguiu largar bem na Libertadores com duas vitórias. O momento superior dos alvinegros neste começo de Brasileirão até levava a crer em mais um triunfo dentro da Vila Belmiro. No entanto, a atuação santista acabou sendo frustrante diante das circunstâncias, no empate por 0 a 0 contra o Olimpia. Os paraguaios jogaram para se defender e para cometer faltas sobre Marinho, o iluminado do Peixe nas últimas semanas. Mesmo assim, não dá para colocar a culpa no adversário quando o time de Cuca produziu tão pouco e desperdiçou a vantagem numérica após a expulsão de um adversário no segundo tempo.

Desde os primeiros minutos, o Santos não jogou bem. Tinha dificuldades para trabalhar no meio-campo e não conseguia criar. E o Olimpia até fez o goleiro João Paulo trabalhar aos nove minutos, num chute de longe de Richard Ortiz para boa intervenção do jovem. Que os franjeados jogassem duro e cometessem muitas faltas em Marinho, o Peixe dependia demais do ponta e de Soteldo para tentar algo.

O jogo de poucas ações melhorou a partir da segunda metade da etapa inicial. Pituca seria o primeiro a testar o goleiro Librado Azcona, enquanto João Paulo voltaria a brilhar para negar a pancada de Isidro Pitta – que substituiu o lesionado Roque Santa Cruz aos 18 minutos. O Peixe despertou nos 15 minutos anteriores ao intervalo, com mais aproximações. Foi então que nasceu o melhor lance do time, num ótimo avanço de Soteldo pela esquerda. O venezuelano até possuía a opção do passe, mas preferiu finalizar e a bola caprichosa esbarrou na trave. Mais agressivos e compactos, os santistas iam para cima.

Se o primeiro tempo permaneceu travado na intermediária durante boa parte, a segunda etapa começaria acelerada, com os dois times tentando explorar os erros dos adversários. Não surgiam oportunidades tão claras, mas a correria tomava conta do duelo. Raniel poderia ter colocado o Santos em vantagem, mas não alcançou uma bola excelente ajeitada por Carlos Sánchez, aos 10 minutos. O lance fez falta aos anfitriões. Logo Cuca tiraria o atacante, com erros crassos na noite, e apostaria no garoto Marcos Leonardo.

O problema do Santos era a falta de criatividade para romper a defesa do Olimpia. E o time insistia naquela que parecia sua única jogada: as bolas alçadas na área. Entre os muitos escanteios e a falta de associações, o chuveirinho era o caminho escolhido pelos alvinegros. Soteldo era o único que oferecia algo diferente. A defesa do Olimpia agradecia a falta de inventividade e rechaçava a maioria dos cruzamentos. Porém, a resistência paraguaia seria posta à prova aos 22 minutos, quando Rodrigo Rojas recebeu o segundo amarelo e foi expulso.

Diante da desvantagem, o Olimpia ficaria ainda mais satisfeito com o empate. Os franjeados se defendiam com duas linhas de quatro e afastavam os oponentes de sua área. O Santos, pelo contrário, pareceu sofrer um apagão quando mais precisava de sangue nos olhos. O time não se aproveitou da situação favorável e continuou batendo a cabeça contra a parede. Lucas Lourenço, Jean Mota e Madson foram os substitutos de Cuca, chegando a trocar os dois laterais. Mas o Peixe permaneceu preso na armadilha dos olimpistas, que cozinhavam o tempo e distribuíam faltas. Azcona só seria ameaçado depois dos 40, primeiro em falta cobrada por Jean Mota, depois em chute de Madson com pouco ângulo. Foi pouquíssimo ao que os santistas podiam.

Com sete pontos, o Santos permanece na liderança do Grupo G da Libertadores. Soma dois pontos a mais que o próprio Olimpia, segundo colocado. Pelo nível da chave, o Peixe já se vê com a classificação encaminhada. O que incomoda mesmo é a falta de futebol, com uma atuação ruim que impediu uma vitória relativamente palpável.

Santos x Olimpia (Fonte: Soccerway)