As seleções da Bélgica e da Colômbia têm possibilidades de fazer boas campanhas na Copa do Mundo de 2014, mas há outro time que não figura nas listas de favoritos que pode incomodar. A classificação com uma rodada de antecedência da Suíça para o Mundial é o resultado de um forte trabalho de base de um país que tenta afastar o rótulo de possuir um time defensivo e retranqueiro.

No começo do século, a direção do futebol suíço decidiu incentivar jogadores jovens com dupla nacionalidade a escolher a seleção suíça. Isso é importante em um país que tem fronteira com França, Alemanha e Itália e tem 20% da sua população de origem estrangeira. Não à toa, mais da metade da equipe que foi campeã mundial sub-17 na Nigéria, em 2009, tinha descendência de outras nações, como Macedônia, Albânia, Gana, Congo, Portugal, Chile, Sérvia, Kosovo, Croácia e Bósnia.

A discussão de convocar jogadores de outras nacionalidades para a seleção está quente, graças aos casos de Diego Costa, que atou pelo Brasil em amistoso e está considerando defender a seleção espanhola, e Adnan Januzaj, belga do Manchester United que pode atuar por até cinco seleções e está sendo cortejado pela Inglaterra.

Xherdan Shaqiri, talvez o principal nome do time, está no Bayern de Munique e nasceu no Kosovo, mesmo caso de Valon Behrami, do Napoli, e Granit Xhaka, do Borussia Monchengladbach. Haris Seferovic, da Real Sociedad, tem ascendência bósnia.

Essa mistura, sob o comando do experiente Ottmar Hitzfeld, está mudando as características da equipe, que sofreu um gol em sete partidas nas últimas duas Copas do Mundo, mas marcou apenas cinco. Nas Eliminatórias da Eurocopa de 2012, a Suíça ficou apenas em terceiro lugar no grupo de Inglaterra e Montenegro. Fez 12 gols e levou 10 em oito jogos. No torneio classificatório para o Mundial do Brasil, balançou as redes 16 vezes e foi vazada apenas seis. A equipe está procurando um equilíbrio entre o setor ofensivo e defensivo.

Até o ano da conquista na Nigéria, a Suíça havia gastado, segundo o jornal inglês The Guardian, cerca de R$ 9 milhões por ano no desenvolvimento de jovens. O número de treinadores de categorias de base cresceu e se aproximou de uma centena. Também houve um trabalho de convencimento para as famílias permitirem que os garotos se dedicassem mais ao futebol. Os pais do nono maior IDH do mundo incentivam os filhos a priorizarem a educação, mas essa mentalidade está mudando e eles estão correndo mais riscos. Os resultados desse trabalho podem aparecer no Mundial do Brasil, o oitavo da Suíça, que chegou às quartas de final em 1954, quando foi sede, mas nunca mais foi relevante.