O Grêmio sabia que, muito provavelmente, enfrentaria o seu jogo mais difícil pela fase de grupos da Libertadores nesta terça-feira. Pegava o Cerro Porteño, um time embalado e com 100% de aproveitamento nas duas primeiras rodadas. Mais do que isso, encarava um verdadeiro caldeirão na Nueva Olla Azulgrana, o efervescente estádio renovado dos paraguaios. E o resultado não é ruim, embora pudesse ser melhor. Depois de um primeiro tempo em que encontrou mais dificuldades, se contendo a defender, o Tricolor cresceu na partida e criou boas ocasiões durante a etapa complementar. Porém, não conseguiu mudar o 0 a 0 do placar, seguindo atrás do Ciclón na tabela.

Sem Luan, sentindo dores no pé, o Grêmio precisou se virar com Cícero na ligação. E não se intimidou com o ambiente, diante da belíssima festa da torcida do Cerro no recebimento aos times. Durante os dez primeiros minutos, os tricolores criaram as melhores ocasiões. O goleiro Antony Silva fez uma boa defesa e Éverton representava um incômodo constante aos azulgranas, principalmente por sua movimentação, aproveitando os espaços. Em resposta, o Ciclón marcava forte. Chegava duro nas divididas e tentava neutralizar a transição gremista, pressionando a saída de bola de Jaílson e Arthur. O jovem talento, aliás, recebeu uma entrada firme e não conseguiu fazer sua qualidade fluir. Os visitantes reclamavam do critério do árbitro em não coibir os choques.

Aos poucos, o Cerro Porteño tomou conta das ações. Passou a se impor mais no campo de ataque, procurando espaços. Penava para abrir a defesa do Grêmio, muito bem postada, com o costumeiro trabalho de excelência entre Geromel e Kannemann. Assim, o caminho dos paraguaios para ameaçar era através de finalizações de longa distância. E exigiram que Marcelo Grohe mais uma vez brilhasse. Foram duas grandes defesas, em chutes fortes dos azulgranas. Travado no meio, o Tricolor precisava buscar sua saída em ligações diretas, tentando encontrar um contragolpe. Aos 37 minutos, os gaúchos reclamaram bastante de um pênalti, após Everton cair na entrada da área. O árbitro Germán Delfino, que não deu um cartão sequer durante os 70 primeiros minutos de jogo, mandou seguir.

O final do primeiro tempo caiu bem ao Grêmio. Afinal, o time voltou com mais atitude após o intervalo. Começou a pressionar e esteve próximo do gol nos minutos iniciais da etapa complementar. Primeiro, Everton achou Cícero com um grande passe, mas o veterano terminou bloqueado pela marcação. Logo na sequência, após cobrança de escanteio que o goleiro Antony Silva não conseguiu afastar totalmente, Geromel aproveitou a sobra e emendou uma meia-bicicleta que bateu na trave. Além disso, o arqueiro ainda salvou um cruzamento fechado de Ramiro, quase tomando o rumo das redes.

Com o jogo do Grêmio fluindo mais, o Cerro Porteño tinha dificuldades para atacar. Quando tentou, parou em uma saída providencial de Marcelo Grohe. E a linha de zaga tricolor ganhava a maioria das disputas. Com o passar dos minutos, os gremistas diminuíram seu vigor, apesar de um bom avanço de Madson pela direita. Hora de mudar. Renato Portaluppi tirou Cícero, que não se encaixou na noite, e apostou em Míchel na contenção. Surtiu pouco efeito, sem que Arthur ou Jaílson se soltassem no meio. Aos 31, então, foi a vez de Arthur sair para que Alisson desse mais profundidade pelos lados.

Veloz, o Grêmio voltou a tomar a iniciativa, mas sem penetrar na área. Por fim, aos 36, Renato queimou sua última cartada com Thonny Anderson, no lugar de Jael. Na base da pressa, o Cerro até buscou sair um pouco mais, em chama que logo apagaria. O segundo tempo era mesmo gremista, que tentava um último golpe a partir dos contra-ataques puxados por sua jovem linha de frente. Mas o apito final soaria antes que os gaúchos voltassem a incomodar Antony Silva. Por aquilo que jogou, os tricolores até poderiam ter feito mais, embora o empate não seja mau negócio.

Individualmente, Éverton mais uma vez foi o cara do ataque. Impressiona o momento do garoto, ganhando confiança. Na ausência de Luan, foi ele o responsável por dar incisividade ao time. Já atrás, mais uma vez os esteios tricolores garantiram a tranquilidade, sobretudo Grohe, Geromel e Kannemann. Com o resultado, a situação do grupo fica aberta. O Cerro lidera com sete pontos, dois a mais que o Grêmio. Já o Defensor tem quatro, após derrotar o Monagas em Montevidéu. Na próxima rodada, o reencontro entre tricolores e azulgranas, na Arena. Será o jogo decisivo para os atuais campeões continentais tomarem a liderança e encaminharem a classificação.