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Quando Ronaldinho Gaúcho deixou o Flamengo e foi anunciado pelo Atlético Mineiro, o sentimento geral era de desconfiança. Uma loucura de Alexandre Kalil, que cultivou com cuidado essa aura de dirigente propenso a decisões pouco ortodoxas. Mas era mesmo arriscado. O craque havia saído pelas portas dos fundos no clube carioca, cobrando milhões na Justiça e nem estava em grande forma física ou técnica.

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Bom, deu certo. A história conhecemos: Ronaldinho fez um grande Campeonato Brasileiro naquele ano de 2012, foi muito importante na conquista da Libertadores em 2013 e virou ídolo atleticano, mesmo com o fracasso do Mundial do Marrocos. A diretoria montou um contrato para que seu salário se enquadrasse na realidade financeira do clube, com bônus por objetivos conquistados.

Ele deixou saudades quando foi embora. Sua imagem no coração do lado alvinegro de Minas Gerais é bem melhor do que na parte rubro-negra do Rio de Janeiro. O Atlético Mineiro girou a sua roleta branca e preta e a bolinha caiu no rosto de Ronaldinho. Ganhou a aposta, e com isso em mente, tenta novamente a sorte grande com Robinho.

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As situações são diferentes, no contexto maior, ao mesmo tempo em que são essencialmente parecidas. Ele também tem um contrato que apenas bate no teto salarial do Atlético Mineiro, com bônus por objetivos alcançados, e não estava exatamente em alta no seu último trabalho. Foi reserva na China, mesmo no Guangzhou Evergrande, time de Luiz Felipe Scolari.

O fato de nenhum deles ter atingido as expectativas que criaram nos torcedores durante as suas carreiras, cada um na sua proporção, são determinantes para sempre haver uma pulga atrás da orelha, apesar de indiscutivelmente ambos terem muito talento com a bola nos pés. No fundo, a pergunta é: por que Robinho nunca foi o melhor do mundo? Por que Ronaldinho Gaúcho caiu tão vertiginosamente no momento em que alcançou o auge?

Pelo lado esquerdo, Robinho encaixa bem no esquema de Diego Aguirre, e apesar de algumas lesões na última passagem pelo Santos, não apresenta grandes problemas físicos. Está mais velho, claro, como todo jogador de 32 anos em relação a sua versão adolescente, e não tem a mesma explosão, mas consegue se mover bem no ataque. Tem a capacidade de criar com dribles curtos e bons passes.

Pode dar certo, como pode dar errado, como era com Ronaldinho. Tem que ter em mente que a paciência da torcida atleticana não será a mesma da santista. E, também, que se espera dele, além de vislumbres do que já conseguiu fazer um dia, que seja tão importante, como líder e jogador, quanto foi Ronaldinho Gaúcho. Essa tarefa não é muito fácil.

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