O desafio era duro para a Adidas. Depois de apresentar uniformes unanimemente bem aceitos pela torcida no primeiro ano de sua parceria com o Arsenal, não seria fácil dar sequência àquele êxito. Mas eu ouso dizer que a fornecedora de materiais esportivos dos Gunners conseguiu, de quebra acenando a um período histórico do clube.

A nova camisa titular foi divulgada nesta quinta-feira (23), e o seu grande destaque são as formas geométricas que ocupam a parte vermelha da peça. Elas são referência ao rescaldo do primeiro grande período (e talvez o maior) da história do clube, sob o comando de Herbert Chapman, que revolucionou a equipe do norte de Londres assim como o futebol da época, com a introdução de novas táticas, a famosa formação WM, que virou base para todo o avanço no campo desde então. Em termos de títulos, liderou os Gunners na conquista de duas ligas inglesas (1931 e 1933) e uma Copa da Inglaterra (1930).

A influência de Chapman ia além do time dentro de campo. Em uma época em que o clube era sinônimo de modernidade, o treinador esteve diretamente envolvido na supervisão da construção de novas arquibancadas no Highbury, que seguiam o estilo Art Déco popular do período entreguerras. Este mesmo estilo seria levado ao escudo do clube, a partir de 1936 (já depois da morte do treinador, que acontecera dois anos antes), com formas geométricas inovadoras para o distintivo de uma equipe de futebol.

Escudo do Arsenal de 1936 a 1949 (Reprodução)

Aquele escudo havia pegado a inscrição AFC (Arsenal Football Club), trocado o F por uma bola de futebol (“football”), e o A, contundente e agudo daquela maneira, era possivelmente uma referência também ao trio de ataque introduzido por Chapman. Pois é este A pontiagudo que serve de referência para as formas que vemos neste uniforme titular para a temporada 2020/21.

Em um momento de transição importante para o clube, de muita crença no projeto liderado por Mikel Arteta, faz bem ao Arsenal vestir uma peça que remonta a um período que viu um salto significativo à equipe de Londres. Replicar Chapman é tarefa quase impossível, mas este é um bom norte.