Da Arena Corinthians, em São Paulo

O Brasil conseguiu a sua primeira grande atuação na Copa América, depois de vitória na estreia contra a Bolívia e empate um tanto sem graça contra a Venezuela. Desta vez, na Arena Corinthians, a Seleção venceu o Peru por 5 a 0, um placar que poderia ter sido até maior diante do grande número de chances que teve. Os dois gols rápidos no primeiro tempo, antes dos 20 minutos, ajudaram. Um em escanteio e outro em uma falha do goleiro peruano. Ainda assim, o Brasil soube se impor, criou chances e pressionou muito. Este, aliás, foi um ponto chave: pressão na saída de bola e muita intensidade.

Histórico de confrontos

Brasil e Peru se enfrentaram 43 vezes ao longo da história. São quatro vitórias do Peru, 30 vitórias do Brasil e nove empates, com 29 gols peruanos e 90 gols brasileiros. Em Copas América, são 17 jogos, com 11 vitórias do Brasil, três do Peru e três empates.

O último confronto entre os dois times foi Peru 0x2 Brasil, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo 2018, no dia 16 de novembro de 2016. Já com o técnico Tite no comando. O último duelo em uma Copa América, porém, foi mais marcante: no dia 12 de junho de 2016, nos Estados Unidos, pela Copa América Centenário, o Brasil perdeu do Peru por 1 a 0 com um gol irregular e foi eliminado na primeira fase. Aquela derrota culminou na demissão do então técnico Dunga, substituído justamente por Tite. Faz três anos, mas parece que foi em outra vida.

Na última Copa América no Brasil

Na Copa América de 1989, a última realizada no Brasil, Brasil e Peru se enfrentaram. Foi no dia 3 de julho, na Fonte Nova. O jogo acabou em 0 a 0, com a Seleção vaiada. Foi o segundo jogo naquela fase de grupos e o primeiro tropeço do Brasil. Curiosamente, o jogo anterior tinha sido também contra a Venezuela. Só que daquela vez, o Brasil venceu por 3 a 1, também na Fonte Nova.

Naquela edição, eram dois grupos de cinco times e o Brasil terminou a primeira fase em segundo lugar, com seis pontos (eram apenas dois por vitória na época). Foram duas vitórias e dois empates na campanha. Depois da primeira fase, o torneio tinha um quadrangular final, que reuniu Paraguai (líder do Grupo A, do Brasil), Argentina (líder do Grupo B), Brasil (2º do A) e Uruguai (2º do B). Com três vitórias nos três jogos, todos realizados no Maracanã, sendo o último deles contra o Uruguai, o Brasil levantou a taça diante de 148.068 pessoas.

Rapidez pelos lados e finalização

Um dos pontos positivos do Brasil no primeiro tempo foi a imposição do seu jogo diante do Peru. O time esteve no campo de ataque a maior parte do tempo e teve mais a bola (64%). Foram oito chutes do Brasil a gol, sendo quatro deles no alvo. Com 277 passes, teve 91% de aproveitamento, um excelente índice. Dominante, o Brasil criou as suas chances e conseguiu marcar seus gols.

Foi o Peru que levou perigo pela primeira vez, em um cruzamento após cobrança de faltra. Mas foi o Brasil que chegou mais ao ataque e levou mais perigo. Aos 12 minutos, Coutinho cobrou escanteio, Marquinhos tentou o toque de cabeça, a bola bateu na trave e sobrou para Casemiro, quase embaixo do gol, tocar para a rede e sair para o abraço. A Seleção abria o placar na Arena Corinthians.

Com o placar favorável, o jogo pareceu que se abriu para o Brasil. O time começou a chegar com mais perigo, com Éverton sempre surgindo como uma boa opção de ataque no lado esquerdo do campo. Jesus, pela direita, também mostrou muita velocidade. Coutinho, atuando como um meia por dentro, procurou bastante o jogo para distribuir. A bola passou muito pelos pés do camisa 11 do Brasil, que esteve bem na primeira etapa.

O segundo gol surgiu aos 19 minutos, fruto de um erro do goleiro Pedro Gallese. Ele tentou o chutão para frente, a bola tocou em Firmino, bateu na trave e voltou para Firmino. Ele deixou o goleiro peruano no chão e tocou para o gol vazio, olhando para o lado oposto: 2 a 0 no placar.

Ainda na primeira etapa, Éverton foi premiado pela boa partida. Em uma bola que recebeu pela ponta esquerda, fez um lance típico: puxou para o meio e bateu forte, no canto do goleiro, mas sem tempo para reação do arqueiro adversário. Golaço do Brasil e 3 a 0 no placar aos 32 minutos. Dominante no desempenho, a Seleção conseguia também abrir um bom placar.

Éverton Cebolinha chuta para marcar pelo Brasil (Getty Images)

Pontas mais incisivos

Nos dois primeiros jogos, o Brasil teve problemas para atacar e criar chances pelos lados do campo. Tanto Richarlison quanto David Neres não conseguiram transformar a posse de bola brasileira em chances efetivas. Um dos motivos é que Richarlison, destro, atacava pela direita, com a tendência a buscar o fundo; David Neres, canhoto, pela esquerda, fazia o mesmo. Dessa forma, havia menos jogo de diagonais dos pontas para dentro.

Com as entradas de Gabriel Jesus na direita e especialmente Éverton na esquerda, o time passou a ter opções de finalização. E isso fez diferença, com o atacante do Grêmio sendo o melhor jogador da primeira etapa, sempre perigoso e incisivo. Confiante, o camisa 19 partiu para cima dos marcadores várias vezes. O lateral direito do Peru, Luis Advincula, sofreu para marcar o jogador, que acabou marcando o seu gol na reta final do primeiro tempo.

Confiança em alta

O segundo tempo do Brasil começou muito bem. Éverton causou problemas à defesa do Peru e em dois lances deixou os marcadores para trás, quase marcando mais um. E apesar do Peru ter conseguido um chute a gol no alvo com Guerrero, o Brasil continuava trocando bons passes e pressionado a saída de bola. Assim, criou mais uma oportunidade, desta vez pela direita, com Gabriel Jesus, Daniel Alves e Firmino. O lance não resultou em um chute, mas teve boa participação de quase todo o ataque.

Foi por ali, pela direita, que o Brasil chegaria ao seu quarto gol. Em uma linda tabela que teve Arthur, chegou a Daniel Alves, passou por Firmino que passou milimetricamente de volta para o lateral brasileiro. Na cara do gol, Daniel Alves fuzilou o goleiro peruano e saiu para o abraço. Ele foi comemorar no banco de reservas e depois se virou para a torcida, muito celebrado. O Brasil, enfim, goleava na Copa América.

Daniel Alves, do Brasil, comemora o quarto gol contra o Peru (Foto: Getty Images)

Tite aproveitou que o time dominava o jogo e fez três alterações. Primeiro sacou Filipe Luís e levou a campo Alex Sandro, estreando na Copa América. Depois, tirou Casemiro, com cartão amarelo e suspenso para as quartas de final, e colocou Allan, um possível substituto. Deu minutos ao meio-campista do Napoli, que ainda não tinha estreado. Mais tarde, já na reta final, colocou Wilian no lugar de Philippe Coutinho. Os três substituídos foram muito aplaudidos pela torcida.

Com o jogo no Bolso, o Brasil seguiu marcando alto e ficando não só mais com a bola, mas criando oportunidades de gol. Gabriel Jesus, que no fim do jogo foi deslocado para centroavante, com o recuo de Firmino, era um dos que mais buscava. Parece sedento por marcar o seu gol, algo que é normal para alguém que é antes de tudo um centroavante. Com a bola, o Brasil trocou passes e controlou o jogo, mantendo o ritmo que quis. O Peru não esboçava qualquer reação.

No final do jogo, o Brasil aumentou o placar. Willian recebeu pelo lado esquerdo e, com um chute bastante típico, bateu no alto, marcando um golaço: 5 a 0 para o Brasil em Itaquera. E o placar ainda poderia ser maior. Já com o jogo nos acréscimos, o Brasil teve um pênalti a seu favor. Gabriel Jesus cobrou, mas seu chute no canto direito foi defendido pelo goleiro Gallese. Não saiu o gol do camisa 9 brasileiro.

A grande atuação do Brasil teve 69% de posse de bola e 18 chutes a gol, sendo nove deles no alvo. Cinco viraram gols. Além disso, dos 18 chutes, 14 deles vieram de dentro da área. O time chegou mais ao ataque e, desta vez, conseguiu levar efetivamente perigo ao gol adversário. Foram 610 passes ao longo do jogo, com acerto de 91% (558). Há uma evolução em relação aos jogos anteriores. Tem a ver com as mudanças na escalação, claro, mas também por uma postura melhor do time, que soube fazer um jogo mais agudo no ataque.

Casa cheia

Tivemos 45.067 como público total na partida em Itaquera. Lotação praticamente completa no estádio, o que ajudou, sem dúvida. Até porque o time começou ganhando, logo no começo, e isso tornou o clima do estádio muito favorável à Seleção.

Ficha técnica

Peru 0x5 Brasil

Local: Arena Corinthians, em São Paulo
Árbitro: Fernando Rapallini (Argentina)
Gols: Casemiro aos 12’/2T, Roberto Firmino aos 19’/1T, Éverton aos 31’/1T, Daniel Alves aos 8’/2T, Willian aos 45’/2T (Brasil)
Cartões Amarelos:
Yoshimar Yotún, Luis Advíncula (Peru), Casemiro, Thiago Silva (Brasil)

Peru: Pedro Gallese; Luis Advíncula, Miguel Araujo, Luis Abram e Miguel Trauco; Renato Tapia e Yoshimar Yotún (Edison Flores); Andy Polo, Jefferson Farfán e Christian Cueva (Josepmir Ballon); Paolo Guerrero (Christofer Gonzáles). Técnico: Ricardo Gareca

Brasil: Alisson; Daniel Alves, Marquinhos, Thiago Silva e Filipe Luís (Alex Sandro); Casemiro (Allan) e Arthur; Gabriel Jesus, Philippe Coutinho (Willian) e Éverton; Roberto Firmino. Técnico: Tite