A ideia de uma liga conjunta entre Bélgica e Países Baixos já existe há aproximadamente três décadas e nunca foi concretizada. Entretanto, o atual esforço soa cada vez mais concreto. Na semana passada, os principais clubes dos dois países se reuniram para elaborar uma proposta concreta de uma BeNeLiga, como o possível campeonato é chamado. Agora, um estudo da consultoria Deloitte, apontando possível receita de até € 400 milhões com direitos de TV, reforça ainda mais o projeto.

Segundo o jornal francês L’Équipe, 11 clubes encabeçam as discussões e se reuniram na última quinta-feira (23), em Eindhoven, para tratar o assunto. São eles: Anderlecht, Brugge, Standard Liège, Gent e Genk, da Bélgica, e Ajax, PSV, Feyenoord, Vitesse, Utrecht e AZ Alkmaar, dos Países Baixos. A reunião teve ainda representantes das federações neerlandesa e belga.

Um estudo da Deloitte estima que a liga teria potencial de gerar entre € 250 milhões e € 400 milhões com a venda dos direitos de TV – um aumento significativo em relação à avaliação atual, de € 80 milhões de cada uma das ligas nacionais separadas. Inicialmente, a data mais próxima para uma possível criação da liga conjunta seria 2025, já que a liga belga está relativamente presa à sua própria renegociação de direitos televisivos. Porém, Bart Verhaeghe, presidente do Brugge, por exemplo, se demonstrou disposto a fazer o possível para encurtar esta linha do tempo.

Em outubro de 2019, Verhaeghe apontou em entrevista ao francês Le Monde que uma liga em conjunto com os Países Baixos permitiria às duas nações “reduzir a distância para as cinco grandes ligas europeias” e ter um mercado de 28 milhões de espectadores. “O futebol belga está acordando e entrou na modernidade”, afirmou.

Esportivamente falando, o projeto atual da BeNeLiga visa uma competição com 18 clubes. Dez seriam neerlandeses, enquanto os belgas teriam oito equipes. Segundo o L’Équipe, a formação inicial da liga não seria exatamente com base nos resultados esportivos mais recentes. Estas seriam as equipes participantes: Ajax, AZ Alkmaar, PSV Eindhoven, Feyenoord, Vitesse, Twente, Utrecht, Groningen, ADO Den Haag e Heerenveen (Países Baixos); e Brugge, Standard Liège, Anderlecht, Antwerp, Genk, Gent, Charleroi e Cercle Brugge (Bélgica).

As segundas divisões seguiriam nacionais, com uma edição belga e outra neerlandesa, assim como as Copas nacionais. Cada campeão das segundas divisões subiria à BeNeLiga, e um terceiro clube seria promovido por meio de repescagem.

O L’Équipe aponta que uma futura criação desta liga conjunta precisaria da aprovação da Uefa. O jornal afirma ainda que os dirigentes envolvidos no projeto estariam visando três vagas na Champions League: duas diretas e uma nos playoffs, como acontece com os clubes franceses.

Além dos pontos acima, acredita-se que uma liga conjunta, com o potencial grande de arrecadação de receitas, permitiria, por sua vez, a manutenção de algumas das principais promessas dos dois países, hoje rapidamente levadas por clubes mais abastados nas cinco grandes ligas europeias.

Em entrevista ao jornal Algemeen Dagblad, a Federação Neerlandesa confirmou que o encontro da semana passada teve em vista “a elaboração de uma proposta concreta” para um campeonato comum entre Bélgica e Países Baixos, acrescentando que, “nos meses a seguir, todos os clubes dos dois países, as federações, as ligas, a Uefa e os governos trabalharão juntos por este fim”.

Uma BeNeLiga imaginária ocuparia hoje o sexto lugar no ranking de coeficiente da Uefa, que determina o número de vagas por país para a Champions League. Atualmente, sem a liga conjunta, a Bélgica é a 8ª colocada no ranking, enquanto os Países Baixos ocupam a 9ª colocação, ambos pegando apenas duas vagas na Liga dos Campeões.