Recentemente reconhecida pela Uefa, a seleção gibraltina fez sua primeira partida válida por um torneio oficial. Na estreia das Eliminatórias da Eurocopa de 2016, levou um passeio da Polônia, perdendo por 7 a 0, sem quase ver a cor da bola. O resultado pode até ter sido frustrante, mas isso não importa muito para o território ultramarino britânico. Apenas o espaço nas Eliminatórias já é uma vitória por lá. E além de valer como uma conquista gibraltina, a inserção do país no quadro de seleções afiliadas à confederação europeia dá ao futebol mundial mais uma equipe com histórias bem peculiares, muitas delas já sendo elementos desse primeiro jogo, como o próprio título sugere.

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As curiosidades já começam pelo local em que o jogo aconteceu. Mesmo como mandante, Gibraltar não pode jogar em seu território e, portanto, levou a partida para Portugal. Isso porque o país não tem um estádio sequer que se encaixe nas exigências da Uefa. Neste domingo, o palco escolhido foi o Estádio Algarve, construído para a Euro 2004. Curiosamente, com capacidade para 30.305 torcedores, o campo poderia ter recebido toda a pequena população gibraltina, com pouco mais de 29 mil pessoas.

Além do local da partida, o que também chamou a atenção foi a escalação titular de Gibraltar. Obviamente, não por contar com alguma estrela, mas, sim, por ser quase completamente o oposto disso. Dos 11 jogadores mandados a campo, apenas dois eram jogadores profissionais. Todos os outros nove tinham outras ocupações, sendo dois deles policiais (os irmãos Ryan e Lee Casciaro), um bombeiro (o goleiro Jordan Perez) e outro um agente de entregas (Kyle Casciaro; sim, o terceiro dos irmãos Casciaro). Esses detalhes chegaram, inclusive, a aparecer na geração de imagens de uma das transmissões do jogo (imagem abaixo).

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Os gibraltinos esperam que, a médio e longo prazo, a inserção à Uefa sirva para profissionalizar seu futebol e atrair jogadores que não encontraram seu espaço principalmente na Inglaterra e nos países ibéricos vizinhos. Pelo menos a paisagem e as praias já são um belo atrativo para isso.

Se havia dúvidas anteriormente, a lavada da Polônia deixou bem claro quem será o saco de pancadas do Grupo D. Além de enfrentar os poloneses, Gibraltar terá pela frente Alemanha, Escócia, Irlanda e Geórgia. Chegar à Euro, independentemente do discurso otimista de quando foi incluída na disputa pela vaga, nunca foi um objetivo tangível. Em sua imensa maioria formada por jogadores semiprofissionais, a seleção gibraltina chegou para competir apenas, e ter a oportunidade de enfrentar, por exemplo, os atuais campeões do mundo, será uma grande honra para eles. Isso, em si, já faz a conquista de participar valer muito mais.