O Audax recebeu muitos elogios durante o Campeonato Paulista pelos frutos do trabalho que realiza há três anos, com Fernando Diniz à frente da comissão técnica. Chegou à final do estadual, e até mais importante, conquistou vaga na quarta divisão nacional para os próximos dois anos, garantindo mais meses de calendário, um luxo pelo qual qualquer time do seu tamanho daria um braço. Mas construir o seu próprio caminho na pirâmide do futebol brasileiro não parece interessar tanto aos dirigentes do clube de Osasco.

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O presidente do Oeste, Ernesto Francisco Garcia, confirmou ao Globo Esporte que o clube firmou uma parceria com o Audax para disputar a Série B do Campeonato Brasileiro. Precisava de um lugar para mandar os jogos porque o Estádio dos Amaros não foi liberado. A estreia pela segunda divisão foi em Catanduva, com derrota por 1 a 0 para o Atlético Goianiense e apenas R$ 600 de renda. Ano passado, diante do mesmo problema, costurou um acordo para realizar seus jogos no José Liberatti, de Osasco.

No entanto, desta vez, a aproximação entre os clubes irá além do mando de campo. Os jogadores do Audax serão incorporados ao elenco do Oeste, que será comandado por Fernando Diniz. Na prática, os osasquenses estão arrendando o time de Itápolis que, por sua vez, terceirizou a parte técnica para a disputa da Série B. Bom para os dois, certo? O Oeste recebe um time qualificado, e o Audax ganha visibilidade e poder de barganha para manter seus principais jogadores.

Tchê Tchê já foi negociado com o Palmeiras, Bruno Paulo e Camacho estão de saída para o Corinthians e Yuri negocia com o Santos. Segundo o Lance!, era uma situação com a qual Fernando Diniz até mesmo contava para convencer o restante do elenco a continuar no Audax, o que apenas escancara a controvérsia desse acordo: o time classificado à quarta divisão esperava dar um jeitinho de jogar a segunda para segurar os seus jogadores, pensando em 2017.

E como fica a vaga do Audax na Série D? O clube não abrirá mão dela e deve disputá-la com um time secundário. Tratará como coadjuvante a oportunidade de conquistar o acesso à terceira divisão e garantir um calendário definitivo, salvo rebaixamento, para os próximos anos. Deixará em segundo plano o torneio para o qual classificou-se em campo, pulando, artificialmente e por tempo limitado, dois degraus da pirâmide. Ocupará o lugar de outro clube na quarta divisão, que certamente daria muito mais atenção ao campeonato.

E no fim, nem o Oeste terá feito seu time evoluir tecnicamente, nem o Audax terá avançado nas divisões brasileiras, a não ser que seu time “secundário” conquiste o acesso. Mas, certamente, com o principal, essa tarefa seria mais fácil.

Algo parecido aconteceu quando o Audax foi comprado pelo vice-presidente Grêmio Osasco e ex-conselheiro do Bradesco, Mário Teixeira. Em 2013, mesmo com o acesso à primeira divisão do futebol paulista, o grupo Casino, que controla o Pão de Açúcar, decidiu cortar custos e se livrou do clube fundado por Abílio Diniz, que profissionalizou em 2003. O Osasco, 11º colocado naquela Série A2 do Paulistão, pagou o que estavam pedindo, adquiriu o Audax e disputou a A1 do estadual no ano seguinte, mesmo sem ter conquistado o acesso em campo. O Grêmio Osasco continua existindo, na terceira divisão.

A prioridade momentânea do Audax não parece ser cumprir a sua finalidade esportiva e chegar pelos próprios méritos à elite do futebol brasileiro, construindo pouco a pouco a história que um clube novo precisa para se firmar no cenário nacional e construir uma relação duradoura com a sua torcida. Sem fazer isso, não passa de um balcão de negócios.


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