Com os dias contados?

Parece até provocação, e pode até ser, mas a CAF jura de pé juntos que não é isso. Suas intenções, defende, são as melhores possíveis. Vai saber. Tem sido difícil entender o que deu na entidade para ela querer criar mais um torneio num momento em que todos, ao redor do mundo, clamam pela diminuição do número de jogos entre as seleções. Ainda que a sua nova competição, o Campeonato Africano de Nações, não conte com os jogadores que costumam formar os times principais dos países, ela vem tendo a quase total desaprovação de seus filiados.

O CHAN, como também é chamado – anote aí, mais uma abreviatura de um torneio continental, foi lançado, segundo os dirigentes, como uma forma de incentivar o desenvolvimento das ligas domésticas africanas e de seus respectivos atletas. Seus participantes são obrigados a disputá-lo com elencos compostos apenas por nomes de seus cenários locais. Nada de Didier Drogba na Costa do Marfim ou Emmanuel Adebayor em Togo. O que, por si só, já contribui para a sua perda de prestígio perante os torcedores.

A fase final de sua primeira edição está sendo jogada na Costa do Marfim, e como já era de esperar, não tem empolgado a ninguém. A presença dos marfinenses até que chegou a atrair algum público para os estádios, mas com a eliminação precoce dos donos da casa, ainda em seu grupo, o torneio vem atraindo cada vez menos atenção. Suas semifinais reuniram, nessa quarta-feira, Gana e Senegal de um lado, e Zâmbia e RD Congo do outro. A decisão do título será em Abdijan, neste domingo.

Antes dessa atual fase, também foi realizada uma etapa preliminar em 2007, que funcionou, na verdade, como a maior prova da falta de interesse que o campeonato reúne em torno de si. Atual bicampeão africano, o Egito pediu para ficar de fora sob a alegação de que desejava se concentrar na preparação para as Eliminatórias da Copa do Mundo. Bobagem, é claro. Outros foram mais solidários e resolveram encarar o “monstro” criado pela CAF. Porém, daquela forma, que o Vampeta assim diria: eu finjo que estou levando a sério, você finge que acredita.

A África do Sul é o maior exemplo disso. E olhe lá: se os sul-africanos não encararam pra valer, é porque a coisa é feia, afinal de contas, quem mais precisa de testes neste continente que eles? Pois bem, ainda assim, os Bafana Bafana mandaram a campo uma equipe formada basicamente por atletas de sua segunda divisão. Isso mesmo. E acabaram caindo fora logo cedo. Nada que, no entanto, tenha servido para abalar a confiança no comando do ex-flamenguista Joel Santana.

Outras seleções também pararam por aí mesmo. Casos de Camarões, Marrocos e Tunísia, que, com suas derrotas, permitiram que seleções como Tanzânia, Zimbábue e Líbia avançassem para a fase final. De nada valeu para elas também, já que, logo em seguida, também terminaram ficando pelo caminho.

Mesmo com todas essas demonstrações de “carinho” por sua nova criação, a CAF já avisou que, comovida pelo apelo de diversas federações (foi isso mesmo, acredite), expandirá o torneio em sua próxima edição, a ser disputada em 2011 no Sudão. Não serão mais oito países, e sim 16. Assim, de uma forma ou de outra, teremos a chance de acompanhar a algum filho de ex-craque tentar ainda algum brilho em sua carreira. A exemplo de Rahim Ayew, que possui os genes de Abedi Pelé, mas não o talento do irmão, Dede Ayew, e brilha nessa edição do CHAN.

Novo técnico em Togo

A relação entre a federação togolesa e os treinadores de sua seleção é problemática. Desde a Copa do Mundo de 2006, temos acompanhado a diversos episódios de desentendimento entre as partes, que só vêm prejudicando o desenvolvimento de um país que, acreditava-se, poderia alçar vôos mais altos depois de sua estréia em Mundiais. Nada disso. Em 2008, a maior frustração até aqui, com a não classificação para a Copa Africana de Nações. Por pouco, a mesma coisa não se repetiu no ano passado, na primeira fase das Eliminatórias.

Num grupo que tinha ainda Suazilândia e Zâmbia, Togo sofreu para seguir adiante e só carimbou seu passaporte como um dos segundos melhores colocados. Vergonhoso para quem tem o atual melhor jogador do continente, não? Com certeza. Mas a convivência entre os cartolas e a estrela Emmanuel Adebayor também não tem sido das mais serenas. Ou seja, quem está na raiz dos problemas do país? Os dirigentes, claro. Como em quase todo o continente.

Nesta semana, os mesmos designaram o novo técnico dos Gaviões (que eles tentarão não atrapalhar dessa vez, espera-se). É o belga Jean Thissen, que já possui uma grande experiência no futebol africano e tem como destaque em sua trajetória a façanha de ter levado Gabão para a CAN em 1994. Não é para qualquer um, convenhamos. E ele terá de repetir o mesmo com Togo. Trata-se do mínimo que se espera de um país que esteve na Alemanha há pouco mais de dois anos.

A tarefa não será das mais fáceis, porém, ainda assim palpável. Para chegar ao torneio, os togoleses precisam ficar entre os três primeiros em um grupo formado ainda por Camarões, Marrocos e Gabão. Já se quiser estar presente na África do Sul, em 2010, só batendo a todos e ganhando a chave. Vai lá: é complicado, mas possível. Os camaroneses não encantam a ninguém, os marroquinos passam por um momento de transição, enquanto que Gabão é Gabão. Ou seja, com um Adebayor inspirado, quem sabe Thissen não repita o feito de Stephen Keshi.

Mais um desastre

Houve grande comoção por aqui por conta do acidente envolvendo a delegação do Brasil de Pelotas. Na Nigéria, também vem ocorrendo tragédias parecidas. Isso mesmo, no plural. Com algumas das estradas mais perigosas do mundo, segundo afirmam, o país tem sofrido com a morte de jogadores. As últimas vítimas foram registradas há pouco mais de uma semana, num choque do ônibus que transportava o elenco do Zamfara United, da primeira divisão local, com um carro. Um dirigente e um atleta morreram na colisão, enquanto que todos os ocupantes do veículo faleceram.

Um mês antes, outro caso semelhante, porém muito mais grave, aconteceu quando o ônibus de um time amador, o FC Jimeta, capotou e 17 jogadores perderam suas vidas. Nessa mesma rodovia, em dezembro, nove atletas de uma equipe feminina também tiveram o mesmo destino. Um cenário assustador que pede soluções urgentes por parte das autoridades nigerianas, que, aparentemente, vêm assistindo a tudo de forma indiferente.

Segue a Liga dos Campeões

Nenhuma grande surpresa na fase eliminatória da Liga dos Campeões africana. Com algum exagero, poderíamos apontar como única decepção a saída precoce do Heart of Lions, de Gana, para o Étoile Filante, de Burkina Faso. De resto, todos os favoritos fizeram seu dever de casa. Alguns com mais dificuldade, com o camaronês Canon Yaoundé, outros sobrando, casos de Primeiro de Agosto, de Angola, Heartland, da Nigéria, e FAR Rabat, de Marrocos.

A partir da próxima etapa, que se inicia no outro fim de semana, os candidatos ao título entram na disputa. O Al Ahly, do Egito, terá pela frente o Young Africans, da Tanzânia, enquanto que o tunisiano Étoile du Sahel retorna à competição encarando o ASO Chlef, da Argélia. De agora em diante, conheceremos os rumos que o futebol de clubes do continente tomará. Mais do mesmo? Veremos em novembro.

Balanço dos amistosos

Uma rápida pincelada no que ocorreu na última data FIFA para seleções. No confronto entre dois dos melhores times do continente em Cairo, o Egito suou para conquistar um empate com Gana, que marcou um de seus dois gols com Appiah. Em Londres, a Nigéria não saiu do 0 a 0 com a Jamaica para o desespero de seus torcedores, que, pela primeira vez em muito tempo, criticaram o técnico Shaibu Amodu. Voltando à África, os sul-africanos de Joel Santana perderam para o Chile dentro de casa.

Quebrada a seqüência de vitórias dos Bafana Bafana, a preocupação agora não é mais o ataque, e sim a defesa.
Camarões comprovou a boa fase de Eto’o contra Guiné, e venceu por 3 a 1 com dois gols do atacante do Barcelona. Mali deixou os angolanos, anfitriões da CAN de 2010, preocupados ao goleá-los por 4 a 0 em jogo disputado em Paris. É a vida após Oliveira Gonçalves. Costa do Marfim, Tunísia e Marrocos ficaram todas no empate em suas partidas. Turquia, Holanda e República Tcheca foram os adversários, respectivamente.