O Bayern Munique botou o pé na porta da Bundesliga, escancarou sua superioridade em relação aos adversários e já se credencia como candidato ao título que já não vem há dois anos. Se não é tratado como surpresa, o fato causa espanto, sobretudo pela goleada em cima do Stuttgart por 6 a 1 no último domingo. É um daqueles jogos que os adversários assistem e a perna treme mais do que vara verde.

Tudo transcorria de maneira pacata até o Stuttgart abrir o placar aos 26 minutos, com Martin Harnik. Aos 32, começou o bombardeio. Foram, ao todo, seis gols em 19 minutos de jogo, se tirarmos o intervalo. A goleada estava construída ali, assim como o nocaute moral dado no Stuttgart que, coitado, não teve nem como pensar em reagir antes de ser atropelado. A liderança da Bundesliga com seis pontos, ao lado do surpreendente Eintracht Frankfurt, é o curso natural das coisas.

O time de 2012/13 parece ainda mais sólido do que o da temporada passada. A defesa, com a entrada de Dante, já não dá mais tantos sustos, apesar de uma patacoada ou outra de Holger Badstuber, criminosamente improvisado na lateral esquerda enquanto David Alaba se recupera de lesão. No meio-campo, o volume de jogo é impressionante, e a posse de bola é mantida com facilidade. Luiz Gustavo, que fez uma partidaça contra o Stuttgart, mostrou que Javi Martínez pode até virar titular como primeiro volante, mas vai ter que comer muito chucrute para ganhar aquela posição. Bastian Schweinsteiger exibiu a mesma categoria de sempre.

A novidade é Thomas Müller, que voltou a jogar bola. Um dos melhores jogadores da Copa do Mundo de 2010, ele vivia em má fase desde então, mas parece ter se acertado novamente com o time, pois correu feito um condenado durante todo o jogo e ainda fez dois gols. Poderiam ser três, se não tivesse perdido uma chance cara a cara com o goleiro Sven Ulreich, mas Mario Mandzukic aproveitou o rebote para fazer o quarto gol.

Mandzukic, aliás, parece ser a chave para que se entenda os motivos da mudança no ataque. Em 2011/12, o Bayern era um time estático, previsível demais em alguns momentos. Mario Gómez, centroavante competente e artilheiro, ficava parado no centro do ataque e inibia qualquer tipo de movimentação de outro jogador por ali. O croata, que costuma cair pelo lado direito e é mais ágil no toque de bola e abre espaços para que outros jogadores cheguem na área para finalizar. Assim foi no primeiro gol, quando ele cruzou para Thomas Müller empatar a partida.

Engana-se, porém, quem pensa que o Bayern vai nadar de braçada na Bundesliga. É importante ficar claro que ainda existem 32 rodadas a serem jogadas e observar o exemplo do ano passado, quando os bávaros somaram 21 pontos nas oito primeiras partidas e ainda assim foram ultrapassados pelo Borussia Dortmund. É fundamental jogar dessa mesma maneira sempre que possível, e quando não der, ganhar o jogo na marra, com a força do elenco ou um gol vagabundo de bola parada aos 36 do segundo tempo. É a senha para que a hegemonia seja recuperada.

 

Dortmund no Grupo da Morte

O Borussia Dortmund deu um baita azar no sorteio dos grupos da Liga dos Campeões. Encara Real Madrid e Manchester City, além do Ajax, e não é favorito a passar de fase. Mas pode aprontar, porque vai jogar sem responsabilidade nenhuma, no contragolpe e tem qualidade para fazer isso, como mostrou nos três jogos contra o Bayern Munique na temporada passada. Se garantir vaga na segunda fase, essa geração aurinegra pode perder completamente o estigma de ser um time que só atua bem dentro dos limites da Alemanha.