O Internacional conquistou de maneira categórica sua classificação à terceira fase preliminar da Libertadores. Após o empate por 0 a 0 sem muito clima ao futebol em Santiago, os colorados foram empurrados pelo Beira-Rio lotado e tiveram a partida em suas mãos nesta terça. A posse de bola nem sempre garantiu lances perigosos, mas a marcação adiantada abriu o caminho ao triunfo e os gaúchos souberam matar o jogo no segundo tempo. Vitória por 2 a 0, em que ambos os tentos foram marcados por jogadores que saíram bem do banco: Gabriel Boschilia e Marcos Guilherme. Na próxima etapa, o Inter enfrentará Deportes Tolima ou Macará.

Eduardo Coudet repetiu a mesma escalação utilizada no Chile. Mantinha o meio-campo recheado de volantes de origem, em seu tradicional 4-1-3-2. Enquanto isso, a mudança mais sensível na Universidad de Chile aconteceu no gol. Doente, o goleiro Fernando de Paul não pôde entrar em campo e a bomba ficou nas mãos de Cristóbal Campos, jovem de 20 anos que faria sua estreia como profissional. Além do mais, na ausência do suspenso Walter Montillo, o técnico Héctor Caputto reformulou o time no 5-3-2, protegendo a defesa e apostando nos contragolpes.

Como era de se esperar, o Internacional impôs o seu jogo ofensivo desde os primeiros minutos. D’Alessandro apareceu logo cedo para testar o goleiro Campos, que se saiu bem na primeira prova e espalmou o tiro do veterano. Os colorados se punham no campo de ataque e apertavam a saída de bola dos chilenos, embora as chances não fossem tão numerosas. O volume dos gaúchos se convertia mais em cruzamentos, mas sem muita precisão.

Não demorou para que Coudet realizasse sua primeira alteração. Patrick se machucou e, aos 13, deu lugar a Gabriel Boschilia. Apesar do domínio do Inter, La U se trancava ao redor da área. Quando Guerrero tentou, aos 21, Campos novamente apareceu e evitou que Boschilia marcasse no rebote. A partida perdeu ritmo com o passar dos minutos, sem que os colorados achassem brechas. No entanto, a marcação adiantada da equipe fez a diferença e rendeu o gol aos 42 – muito mais por um erro dos adversários. O zagueiro Diego Carrasco dormiu após receber um passe do goleiro e permitiu que Boschilia batesse sua carteira. Totalmente livre, o meia guardou.

Na volta ao segundo tempo, a Universidad de Chile realizou duas alterações. E o jogo ficaria mais aberto a partir de então. O Inter poderia ter ampliado aos seis minutos, quando Guerrero passou pelo goleiro, mas ficou sem ângulo para chutar. D’Alessandro tomou um tranco e não completou o passe na sequência. Apesar da reclamação de pênalti sobre o argentino, houve também um toque de mão do peruano que não foi marcado. Já do outro lado, La U encaixava mais suas jogadas e tentava aproveitar os passes enfiados. Quando Lomba precisou trabalhar, o árbitro assinalou o impedimento.

Por conta da diferença mínima, a apreensão se tornou um pouco maior. O Inter não tinha o mesmo volume, enquanto a Universidad de Chile avançava em campo. De qualquer maneira, claramente faltava mais qualidade aos chilenos na criação, sem que a defesa colorada sofresse tantas ameaças. Moisés aparecia bastante pela esquerda, enquanto a dupla de zaga prevalecia nos combates. Já aos 16 minutos, Coudet sacou D’Alessandro para a entrada de Marcos Guilherme.

Enquanto o Internacional recuava e trocava passes com paciência para evitar os apuros, também ganhava mais espaço para contragolpear. A velocidade determinaria a classificação, com Marcos Guilherme aproveitando a exposição dos chilenos. O substituto deu seu aviso num chute que Campos segurou. Já aos 30, a bola acabaria nas redes. Moisés deu um chutão na defesa e Marcos Guilherme disparou. O substituto driblou um marcador e passou também pelo goleiro, antes de bater às redes vazias. A tranquilidade imperou no Beira-Rio.

A Universidad de Chile se desencontrou depois disso. Ficou perdida em campo, dando ainda mais brechas para a velocidade do Internacional. Enquanto isso, uma sequência de dribles de Cuesta dentro da própria área indicava a diferença de confiança. Foram mais 20 minutos em que prevaleceu a cantoria no Beira-Rio. Os 41 mil presentes estavam satisfeitos pela vitória e pela exibição superior dos colorados, mesmo sem uma quantidade de finalizações tão numerosa.

Durante a próxima fase, o Internacional deverá enfrentar um desafio mais difícil. O Deportes Tolima venceu o Macará no Equador e tem tudo para confirmar o serviço na Colômbia, nesta terça. Como uma equipe ainda em construção, o Inter tem seus ponteiros a acertar e até a escolha dos titulares não parece a ideal. Mesmo assim, nota-se um time com ideias e com iniciativa. A classificação é um passo essencial para seguir crescendo.