O futebol colombiano possui uma interessante divisão de forças. Não existe uma hegemonia no campeonato nacional, já que as três principais cidades do país possuem rivais historicamente fortes. Não à toa, embora Junior de Barranquilla e Once Caldas tenham ascendido nos últimos anos, o título costuma mesmo transitar nas mãos das “capitais do futebol”. Bogotá, de Millonarios e Independiente Santa Fe, e Cali, de América e Deportivo, lideram o ranking com 22 taças cada. No entanto, Medellín tratou de se aproximar neste domingo. Os paisas chegaram a sua conquista de número 21 graças ao Independiente Medellín, que bateu o Junior na decisão do Apertura. Desde 2013, cinco dos sete troféus disputados acabaram na cidade, quatro deles levantados pelo Atlético Nacional, que também superou Millonarios e América de Cali como o maior campeão da história da Colômbia.

O DIM (como o Independiente Medellín costuma ser chamado) não possui o peso de seus arquirrivais. Contudo, o clube passou a frequentar o topo do Campeonato Colombiano com assiduidade maior desde a virada do século. A partir de então, conquistou quatro de seus seis títulos, além de terminar vice-campeão cinco vezes. Neste domingo, a torcida do Rojo encerrou uma espera de seis anos, após já terem registrado a melhor campanha na fase de classificação. Durante os mata-matas, os paisas eliminaram Deportivo Cali e Cortuluá. Muita gente esperava por uma final histórica diante do Atlético Nacional, que não aconteceu por culpa do Junior de Barranquilla, eliminando os Verdolagas (desfalcados por cinco jogadores que disputam a Copa América) na etapa anterior. Assim, o Independiente fez seu trabalho contra os Tiburones.

Durante a primeira partida da final, o DIM voltou de Barranquilla com um bom resultado, graças ao empate por 1 a 1. Deixou a festa preparada para o Estádio Atanásio Girardot, onde 54 mil pessoas acompanharam a decisão de maneira pulsante. Ídolo do clube, o meia Christian Marrugo foi o herói da final, marcando ambos os gols na vitória por 2 a 0. Consagrou o elenco de Leonel Álvarez, também comandante na conquista de 2009, que possui entre os seus destaques nomes tarimbados como Mauricio Molina, Daniel Torres, Matías Cahais e David González. Capitão da equipe, todavia, Torres não pôde erguer a taça por ser o único representante do Rojo na Copa América.

Além dos resultados em campo, o DIM também prima pelo trabalho que realiza nos bastidores. Gerido como uma empresa, após ser adquirido por uma sociedade anônima em 2012, o clube trouxe como presidente Eduardo Silva Meluk, que já tinha liderado a reconstrução do Millonarios. E, apesar da falta de identificação, o administrador trabalhou justamente para reforçar os laços do clube com os seus torcedores. O ápice do fortalecimento acontece neste domingo, com a reconquista do Campeonato Colombiano.

Agora é ver como seguirá o clima da rivalidade em Medellín durante as próximas semanas. Dominante nos últimos anos, o Atlético Nacional vê os maiores rivais, enfim, retomando a coroa. Entretanto, os Verdolagas podem dar um troco ainda maior, caso tenham sucesso em sua campanha na Copa Libertadores. O futebol paisa vive dias de ouro. Um prêmio e tanto para duas das torcidas mais fantásticas das Américas e para um palco tão importante quanto o Atanásio Girardot, garantido mais uma vez na Libertadores 2017.