Foco inicial da pandemia de coronavírus, a China tem a situação sob controle em seu território. O pico de pacientes no país foi superado neste início de março, o número de casos ativos é de apenas 2,1 mil e a quantidade de novos infectados decresce. Parte das atividades cotidianas é retomada pelo governo chinês, e até mesmo o futebol deverá voltar à ativa em abril. A previsão inicial é de que a nova temporada da Super League, após seu adiamento inicial, comece no próximo dia 18. Porém, ainda com influência da situação sanitária: parte dos estrangeiros inscritos no torneio está barrada de entrar na China.

Para evitar novas ondas de contágio, o governo chinês anunciou o fechamento de suas fronteiras no final de semana. Parte considerável dos novos casos registrados no país vinha de viajantes que desembarcavam na China e, por conta disso, o país decidiu revogar a entrada de estrangeiros. Nem mesmo aqueles com visto de trabalho e de residência poderão ingressar neste primeiro momento. Assim, diversos futebolistas terão que aguardar um tempo indeterminado até retornarem aos seus clubes.

Alguns jogadores conseguiram voltar a tempo. Hulk e Oscar, por exemplo, fretaram um avião particular para viajar do Brasil à China e desembarcaram na sexta-feira, pouco antes que as fronteiras fossem oficialmente fechadas aos estrangeiros. Poderão reforçar o Shanghai SIPG no início da Super League. Nem todos tiveram a mesma sorte. Segundo a AFP, cerca de 30 jogadores e treinadores estrangeiros continuam fora da China, entre eles Paulinho e Anderson Talisca. Precisarão esperar a nova orientação do governo local.

Mesmo os estrangeiros que testarem negativo ao coronavírus não podem retomar sua rotina de imediato na China. Conforme as orientações das autoridades sanitárias, eles precisam se manter em isolamento por 14 dias, até o retorno às atividades. Assim, Hulk e Oscar ficarão indisponíveis pelas próximas duas semanas aos treinamentos do SIPG.  O único jogador da primeira divisão chinesa a ter confirmado sua infecção com o coronavírus é Marouane Fellaini, do Shandong Luneng. O belga já tinha retornado à China anteriormente e passa por tratamento.

Vale dizer que os jogadores com cidadania chinesa ainda têm permissão para retornar ao país, mesmo depois do fechamento das fronteiras. É o caso de Ricardo Goulart, do Guangzhou Evergrande, segundo o Globo Esporte. O atacante se naturalizou recentemente e, mesmo no Brasil, poderá viajar à China dentro dos próximos dias. Ainda não está claro quando o governo chinês reabrirá as fronteiras ou se fará uma abertura gradual, conforme a situação em outros países melhore.

Também não está claro se a Super League iniciará sua temporada com portões abertos. Apesar da diminuição no número de casos na China, até pelo risco que os assintomáticos representam, as aglomerações seriam outro potencial caminho para iniciar uma nova onda de contágios. De qualquer maneira, a um país que anunciou medidas mais restritivas a partir do final de janeiro, iniciar o campeonato cerca de três meses depois já se torna uma resposta positiva.