O Guarani viveu um 2016 inesquecível, quando conquistou o acesso na Série C do Campeonato Brasileiro. Já no Paulistão, o Bugre atravessava um calvário na Série A-2. Nesta década, os campineiros estiveram na elite estadual por apenas dois anos: em 2012, logo após conquistarem o acesso, quando alcançaram o histórico vice-campeonato na divisão principal; e em 2013, logo rebaixados. A partir de então, foram quatro anos penando no segundo nível estadual, quase sempre com campanhas intermediárias, sem sequer aparecer nas fases finais. Já na quinta temporada de A-2, enfim, o Índio Guerreiro teve motivos para comemorar. E o acesso terminou em erupção, com as arquibancadas do Brinco de Ouro abarrotadas nesta quarta-feira.

Em uma Série A-2 equilibrada, o Guarani terminou a fase de classificação na primeira colocação. Teve o melhor ataque e venceu 10 de seus 15 jogos, assegurando assim a classificação às semifinais com três pontos de vantagem para o vice-líder. Feito e tanto, considerando que os jogadores bugrinos precisaram superar uma perda sentida, diante do falecimento do goleiro Wallace durante a campanha. Unidos, honraram a memória do companheiro. E completaram o feito no “clássico” com o XV de Piracicaba, em confrontos semifinais valendo o acesso.

No primeiro jogo, o Guarani arrancou o empate por 0 a 0 no Estádio Barão de Serra Negra. Assim, a definição ficou para esta quarta, no Brinco de Ouro. E a torcida bugrina tratou de empurrar o time. A noite inesquecível começou desde a recepção do ônibus com os jogadores. Centenas de fanáticos fizeram um “corredor de fogo” nos arredores do estádio. Já nas arquibancadas, 15,8 mil alviverdes cantaram mais alto e comemoraram o triunfo por 1 a 0, gol de Ricardinho no início do segundo tempo. Ao final, a explosão pelo retorno à elite do Paulistão após cinco anos de espera dos campineiros.

Entre os mais emocionados pela conquista, estava o veteraníssimo Fumagalli. Fundamental na Série C de 2016, o camisa 10 participou do vice-campeonato estadual em 2012, mas vinha convivendo com os percalços na Série A-2. Por conta disso, até postergava sua aposentadoria. Agora, aos 40 anos, chegou a hora de parar, com a sensação de dever cumprido. Emocionado, o ídolo se ajoelhou no gramado e levantou as mãos aos céus, comemorando diante da torcida. Somando mais de 300 partidas e 90 gols pelo clube, a lenda bugrina ainda tentará buscar o título, enfrentando o Oeste na decisão. A final, em jogo único, acontece neste sábado, no Brinco de Ouro.

Se levar a taça, o Guarani ainda garantirá sua presença na Copa do Brasil de 2019. Aos poucos, o Bugre recobra a sua grandeza, na Série B do Brasileirão e na primeira divisão do Paulistão. Lugares mais condizentes à história do campeão nacional de 1978 e também à paixão de sua grande torcida.


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