Benfica e Porto, juntos, cederam dois jogadores ao elenco de Portugal que disputará a Copa do Mundo. Estão bem abaixo do Sporting na representatividade dentro da Seleção das Quinas. Os leoninos contarão com quatro atletas no time de Fernando Santos. Ou contavam, contariam, não sei exatamente te dizer. O tempo verbal da afirmação mudou completamente durante as últimas semanas, diante do caos vivido no José Alvalade. E enquanto o time se concentra para a estreia no Mundial, a debandada se amplia. Rui Patrício foi o primeiro a anunciar a rescisão de seu contrato, considerando a violação de seus direitos. Caminho tomado também pelos outros três companheiros de seleção: Bruno Fernandes, Gelson Martins e William Carvalho. Anteriormente, Daniel Podence adotou atitude parecida. E o holandês Bas Dost se juntou ao grupo.

Os três jogadores da seleção enviaram suas cartas solicitando a rescisão nesta segunda-feira, algo que o clube pode recorrer. Fazem alegações parecidas com as de Rui Patrício, considerando os danos psicológicos e a falta de proteção oferecida pelo clube. Internamente, há apoio dos demais companheiros da seleção ao quarteto. Após a nova leva de rescisões, João Mário falou sobre o assunto e disse que seus colegas estão tranquilos quanto ao futuro, que isso não atrapalhará o foco na Copa do Mundo. Além disso, segundo o site Mais Futebol, o antigo capitão Adrien Silva, hoje no Leicester, auxilia os leoninos e os aconselha sobre o entrave.

Presidente do Sporting, Bruno de Carvalho se nega a compreender a postura, mas admite que pode deixar o cargo se os seis atletas voltarem atrás. É esperado que outros apresentem suas cartas nos próximos dias. “Tenho aqui cinco cartas de rescisão, porque a do Dost acabou de entrar. O que estão aqui nestas cinco rescisões não tem qualquer fundamento a nível de justa causa. Não somos maluquinhos, sabemos perfeitamente o que estamos a dizer. Ao mesmo tempo que temos as cartas a entrar, temos órgãos de comunicação social a dizer que, se este Conselho Diretivo sair, os jogadores voltam atrás”, apontou o dirigente, em coletiva de imprensa nesta segunda.

De qualquer forma, o presidente garante que o clube perderá bastante com sua saída, caso não haja uma conciliação: “Não conseguimos perceber o que isso trazia de bom, o que travaria? A única coisa que achamos é que o Sporting está e estará sempre na mão dos sportinguistas. Se chegarem os jogadores com a tal carta, aí apresentaremos a demissão. Mas que percebam o quão pobre vai ser o Sporting a nível de gestão de ativos, liderança, pois vai perder a sua face negocial. Há quem queira colocar dúvida e angústia nos sportinguistas sobre se haverá clube ou não”.

Neste momento, surgem rumores de que os jogadores já começariam a definir o seu futuro. Rui Patrício e William Carvalho teriam propostas anteriores ao imbróglio, enquanto Bruno Fernandes e Gelson Martins viram seus nomes ligados ao Benfica. Bruno de Carvalho nega: “Não houve proposta pelo William, nem pelo Gelson, nem pelo Bruno. Houve conversas, não houve formalização, parece-me, pelo Rui Patrício. Mas temos lido que o Sporting recusou proposta do Arsenal pelo Gelson, isto e aquilo. Eu disse que o Sporting não ia vender ou renovar a com jogadores, a não ser aqueles que estavam previstos”.

Paralelamente, ocorrem as investigações sobre as agressões aos jogadores no centro de treinamentos do Sporting. Elementos da principal torcida organizada do clube são os principais acusados. Nesta terça, um juiz local determinou a prisão preventiva de quatro suspeitos e criticou as atitudes de Bruno de Carvalho. “As declarações do presidente nas redes sociais potenciaram o clima de animosidade que já existia entre a Juve Leo, os jogadores e a equipe técnica, face a alguns resultados desportivos”.

Além disso, há o claro temor que as finanças do Sporting fiquem comprometidas, caso os jogadores não voltem atrás em sua postura. Suas saídas representam perdas de ativos, podendo mesmo levar a uma falência técnica. Além disso, as saídas sem o pagamento de rescisões ou transferências também comprometem as receitas superiores que poderiam entrar. Diante do cenário, a pressão sobre Bruno de Carvalho aumenta, com pedidos por sua saída independentemente do retorno dos atletas. Há movimentações dentro dos conselhos internos pela destituição, assim como protestos de torcedores na sede do clube. Uma situação que, cada vez mais, se torna insustentável, apesar das irredutibilidades.