Em uma disputa tão acirrada quanto a por uma vaga entre os quatro primeiros colocados da Premier League, que dá uma vaga na Champions League, vencer com constância é fundamental. O Manchester United conseguiu fazer isso contra o lanterna, o que não é exatamente um grande feito. O time, porém, tenta encontrar algo mais difícil: bom futebol. Com talentos de sobra, especialmente no ataque, só foi preciso algumas boas jogadas para vencer o jogo por 3 a 1.

Um dos mantras que se fala sobre a montagem de um bom elenco é ter equilíbrio. Bons jogadores em todas as posições, mesmo que você eventualmente não possa ter um craque. O senso comum fala em dois jogadores por posição, o que soa razoável. O Manchester United é um time de muitas estrelas, mas pouco equilíbrio. O time tem três jogadores que foram à Copa do Mundo como laterais esquerdos, por exemplo: Marcos Rojo, Daley Blind e Luke Shaw. Só o último tem jogado na posição. Tem dois centroavantes de alto nível, Van Persie e Falcao, até três se contarmos jogadores mais versáteis, como Rooney. Escalar o time é uma dificuldade, porque encaixar tantos jogadores com posições parecidas é difícil.

O treinador do time, Louis van Gaal, escalou a equipe muitas vezes com três zagueiros, variando entre 3-5-2 e 3-4-3. A falta de consistência nos resultados tornou o esquema alvo de críticas. Alguns torcedores chegaram a cantar “4-4-2” para o treinador. Neste sábado, contra o Leicester, o time veio no 4-4-2, ou, mais especificamente, 4-3-1-2. Na linha de três do meio-campo, muita qualidade, com Blind como volante mais defensivo, Rooney de um lado e Januzaj de outro. Van Persie e Falcao formaram o ataque, com Di María como a ligação dos dois setores.

Desde o começo, o Manchester United conseguiu se impor, até porque o Leicester, lanterna da Premier League, não parece um time capaz de fazer frente a tantos talentos. O United não é exatamente um poço de organização, nem tem um jogo coletivo assim tão forte. É um time que tem posicionamento, mas ainda não se encontrou totalmente. No segundo tempo, quando o jogo parecia ganho, parecia um time preguiçoso. Tanto que tomou o gol, que diminuiu o placar para 3 a 1.

Os gols de Van Persie, Falcao e o gol contra de Morgan, em uma jogada que teve participação importante de Blind, mostraram que o Manchester United tem talentos ao seu dispor capazes de lances decisivos. No primeiro gol, a precisão e oportunismo de Van Persie; no segundo, uma jogada bem trabalhada por Van Persie, Januzaj e finalizada por Falcao García de carrinho. No terceiro, uma boa cobrança de escanteio e bom posicionamento de Blind. Os gols perdidos no segundo tempo também foram mais um função da qualidade técnica do que uma organização ou de um trabalho coletivo.

Nesse sentido, vale então destacar os talentos que fazem o time funcionar, mas não fizeram gols. Daley Blind, atuando como meio-campista, ajuda o time na organização, na defesa e na saída de bola. Rooney, como um meio-campista central, seria chamado de volante no Brasil pelo posicionamento recuado, atua com inteligência e competência em todos os setores. Fecha os espaços, faz lançamentos longos e chega até a área. Por fim, Di María pode não ter o mesmo brilho da temporada passada com o Real Madrid, mas é um jogador que corre demais, se esforça, aparece e chama o jogo. Os três fizeram bastante diferença no jogo por isso.

Com 43 pontos, o time está na terceira posição, mas ainda um pouco distante dos líderes. Se falta ao Manchester United uma consistência tática e um nível constante de boas atuações, sobra talento, o que acaba sendo suficiente para vencer a maioria dos jogos. Por enquanto, tem sido suficiente. Mas não é suficiente para ir além de uma briga por vaga na Champions League, o que tem que ser uma ambição para um time que gasta tanto.