Uma excelente temporada pelo Nice valeu a Hatem Ben Arfa uma transferência para o PSG, uma das primeiras da passagem de Unai Emery pelo Parque dos Príncipes. Para a surpresa de poucos, não deu certo. Mas o tão errático quanto talentoso jogador francês alcançou a desforra no último fim de semana ao derrotar os parisienses na final da Copa da França, defendendo o Rennes, e ele não perdeu a chance de dar uma cutucada.

Ben Arfa foi uma aposta do PSG. Chegou sem custos do Nice, pelo qual havia marcado 17 gols em 34 partidas na Ligue 1 de 2015/16. Chegou a jogar até que bastante na sua primeira temporada pelo PSG e anotou dois gols na vitória sobre o Avranches, pelas quartas de final da Copa da França. Depois disso, nunca mais entrou em campo.

O PSG tentou despachá-lo durante o mercado do verão europeu de 2017, mas Ben Arfa não quis ir embora. Como retaliação, foi deslocado para o time reserva e não jogou uma vez entre os profissionais na temporada 2017/18. Quando completou um ano sem pisar o gramado, publicou uma foto irônica no Instagram com um bolo de aniversário.

Alegando assédio no ambiente de trabalho, o jogador processou o clube por uma compensação de € 8 milhões. O argumento é que a decisão do clube de mantê-lo afastado do elenco principal causou danos financeiros a Ben Arfa, cujo contrato continha cláusulas de desempenho e bônus por partidas disputadas. Seu advogado alegou que o clube estava “tentando quebrá-lo” e “fazendo de tudo para forçá-lo a ir embora”.

Ao fim do seu contrato, ano passado, Ben Arfa acertou com o Rennes. Tem jogado regularmente, com sete gols na Ligue 1 em 24 jogos. Foi titular na final contra o PSG e cobrou um dos pênaltis da disputa que valeu o título da Copa da França. E na hora das medalhas, foi protagonista deste momento constrangedor com o presidente dos parisienses, Nasseur Al Khelaifi.

Aos microfones, Ben Arfa não perdeu a chance de cutucar seus antigos empregadores. “O resultado foi muito emocionante. Trabalhamos duro para chegar lá”, afirmou à France 2. “É especial. Principalmente em relação a Nasser. Você nunca deve subestimar seu adversário. Um dia ou outro, ele retornará mais forte”.

E ele continuou, lembrando que Adrien Rabiot, cujo contrato está chegando ao fim e que quase certamente sairá do PSG, está passando por uma situação parecida. “Um dia, como eu, Adrien Rabiot ressurgirá contra o PSG. Eu não tenho nada contra o clube, apenas contra os que estão no comando”, disse.

Para terminar, Ben Arfa fez alusão a derrotas dolorosas do PSG, especialmente em confrontos nos quais abriu larga vantagem e perdeu – como aquele 6 a 1 e o recente 3 a 1 para o Manchester United, ambos pela Champions League. O Rennes chegou a estar perdendo por 2 a 0 antes de empatar e levar aos pênaltis. “Conseguimos uma virada, mas o PSG já está acostumado com isso”, encerrou o jogador e 32 anos.