O bom filho sempre volta para casa, e Cristiano Ronaldo é, atualmente, o melhor filho da Ilha da Madeira. O seu retorno foi aguardado por muito tempo. Foram quase 14 anos entre sua última partida de futebol naquele território, em 17 de maio de 2003, ainda com a camisa do Sporting, e o amistoso contra a Suécia, nesta terça-feira, pela seleção portuguesa. Muito simbólico: deixou a Ilha como uma jovem promessa e voltou como craque consagrado, capitão do time nacional, com a taça da Eurocopa na bagagem.

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Aquela partida pelo Sporting foi contra o Nacional, uma das últimas do craque pelos Leões antes da transferência para o Manchester United. Terminou empatada por 1 a 1. Nesta terça-feira, ele mais uma vez não venceu em casa. Apesar de Portugal ter aberto 2 a 0 no primeiro tempo, a Suécia virou para 3 a 2. A única macula – pequena, afinal, era apenas um amistoso – em um retorno para casa cujo significado foi muito além do resultado de uma partida.

Apesar de ter passado 14 anos sem atuar como jogador de futebol na Ilha da Madeira, sua presença ali sempre foi constante. Dá nome a uma praça, há painéis com seu rosto espalhados pela cidade de Funchal, tem uma estátua, um museu e um hotel. Nunca negou suas origens e, quando foi necessário, ajudou financeiramente os madeirenses, como nos incêndios do ano passado, que cobraram três vidas e deixaram mais de 300 pessoas feridas.

Na quarta-feira, haverá uma cerimônia para oficializar o novo nome do Aeroporto Internacional da Madeira. Alguém consegue adivinhar qual será? Além de batizar o aeroporto, Cristiano Ronaldo terá um busto, uma placa e duas figuras luminosas, com o rosto e o nome do craque, nas fachadas norte e sul do local. O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro-ministro, António Costa, estarão presentes. A decisão não é unanimidade entre os madeirenses, que discutem se não seria mais justo homenagear alguém que fez mais pela Ilha.

Antes do apito inicial, no gramado do estádio do Marítimo, Cristiano Ronaldo recebeu a Medalha de Mérito da Associação de Futebol da Madeira, entregue pelo presidente da entidade, Rui Marote. Depois, três jovens jogadores do Andorinha, o primeiro clube de Ronaldo, deram-lhe o troféu da Eurocopa para que o capitão o exibisse ao público.

Com a bola rolando, Cristiano Ronaldo fez o que mais se espera dele: gol. Completou um cruzamento da direita de Gelson Martins para abrir o placar, levando os torcedores à loucura. Granqvist, contra, ampliou para Portugal, ainda no primeiro tempo. Mas a Suécia reagiu e, com dois gols de Claesson, empatou o placar. Nos acréscimos, João Cancelo fez contra, jogando um pouquinho de água no chope de Ronaldo que, de resto, deve ter ficado satisfeito com seu retorno para casa.