O Atlético Mineiro realizou contra o Nacional do Uruguai uma partida representativa da desorganização que impera na equipe no ano de 2019. Sem conseguir exercer qualquer domínio sobre o time uruguaio, o galo perdeu as poucas chances que criou e mesmo sendo pouco ameaçado, ainda conseguiu sair do Mineirão derrotado pelo placar de 1 a 0, culminando na eliminação do clube na Libertadores com uma rodada de antecedência.

O Atlético Mineiro entrou em campo extremamente pressionado. O “eu acredito” entoado pela torcida do galo durante os jogos da Libertadores de 2013 e da Copa do Brasil de 2014 teria que ser mais do que um mantra. Acreditar teria que fazer parte do estado de espírito de cada jogador com a camisa alvinegra. Afinal, com seis pontos de distância do time uruguaio, nem a vitória seria capaz de dar tranquilidade ao Atlético no torneio continental, mas ao menos garantiria uma última chance de sobreviver.

E se de um lado de campo havia a tensão, naturalmente do outro lado estava a calmaria. O Nacional, ciente de que um empate seria o suficiente para confirmar a classificação à próxima fase, entrou no jogo de forma cautelosa, buscando fechar bem os espaços e se lançando raramente ao ataque. Não à toa o Atlético teve que recorrer à bola parada, um dos poucos pontos fortes da equipe neste início de temporada. Aos 13, após cobrança de falta de Guga, Adilson cabeceou em cheio e Mejía praticou uma espetacular defesa. Em seguida, Luan tentou marcar um gol olímpico e o arqueiro tricolor realizou nova intervenção.

O goleiro panamenho voltou a aparecer aos 22 minutos, quando impediu gol de Ricardo Oliveira. O atacante recebeu dentro da área com liberdade, mas não contou com a rápida saída de Mejía. No rebote, Chará cabeceou por cima, mas dessa vez Zunino salvou em cima da linha. Mas ao invés de aproveitar o bom momento e sufocar o Nacional, o Atlético não produziu mais durante a primeira etapa.

O ritmo lento do galo permaneceu no segundo tempo, com uma dificuldade adicional. O Nacional passou a ficar mais com a bola, usando o tempo a seu favor, e tendo mais calma para encontrar os espaços no ataque. Aos 11 minutos, por exemplo, o bolso chegou com perigo em chute de Rodríguez, que Victor espalmou para escanteio. O alvinegro mineiro ainda conseguiu criar algumas jogadas pelo lado esquerdo, nas subidas de Chará e Fábio Santos, mas a construção ficava exclusivamente pelos lados do campo. Ricardo Oliveira ficou completamente isolado no ataque e teve pouquíssima participação durante o jogo. A bola não era trabalhada em nenhum momento pela faixa central do campo e quando o time tentava virar o jogo de um lado para outro, isso era feito de forma lenta, o que facilitava para o Nacional neutralizar.

O interino Rodrigo Santana ainda tentou sacudir o Atlético, trocar peças, mexer no esquema. Mas nada surtiu efeito. E o que já era péssimo conseguiu ficar ainda mais vexatório a quatro minutos do fim do tempo regulamentar. Zunino lançou da direita e Carballo invadiu a área em velocidade, dominou a bola e deu um toquinho por cobertura enterrando de vez qualquer mínima esperança atleticana. Agora, o Atlético ainda enfrenta o lanterna Zamora, pela última rodada, na Venezuela, mas a grande preocupação é saber se esse desempenho terrível apresentado na Libertadores será corrigido a tempo de não fazer feio nos restantes desafios da temporada.