Nos oito anos que passou no comando do Milan, Carlo Ancelotti escreveu seu nome como técnico na história do futebol italiano. O período de grandes conquistas, no entanto, não é suficiente para seduzi-lo para um possível retorno a seu país natal, e os problemas que assolam o esporte na Itália, tanto de estrutura quanto de segurança, são dois dos motivos pelos quais o treinador sequer cogita voltar.

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Em entrevista à Radio Rai, Ancelotti falou sobre a decisão de deixar a Itália, em 2009, quando foi para o Chelsea, e afirmou que não retornaria ao país. “Antes de eu deixar a Itália, pensei nas coisas, não foi fácil, mas tenho me sentido confortável no exterior. Eu não voltaria. O futebol italiano ainda é muito competitivo, a diferença está no ambiente. Os estádios estão vazios em comparação com outros países, e a violência é mais comum na Itália do que em outros países”, criticou.

Em seguida, o técnico do Real Madrid faz referência a episódios de violência recentes — como a invasão de 30 ultras ao centro de treinamento do Cagliari, que teria resultado até mesmo em agressões físicas aos jogadores — para exemplificar seu desolamento. “O que aconteceu no Cagliari, na Roma e no Varese é muito triste. Os jogadores não podem mais ser reféns de torcedores acéfalos”, afirmou.

Para intensificar sua crítica, compara a situação italiana à espanhola, chegando a falar incorretamente que não há ultras na Espanha. No ano passado, por exemplo, torcedores de quatro clubes envolveram-se em confusão em Madri que terminou na morte de Francisco Javier Romero Taboada, torcedor do Atleti. Independentemente disso, entende-se de onde parte a motivação da fala de Ancelotti. A mensagem geral do técnico é o distanciamento que o futebol italiano tem tido em relação às outras grandes ligas. “Aqui, os protestos são limitados a apenas vaias no estádio. Os ultras não existem mais. Mas não é isso que me mantem distante, é mais o prazer que vem de viver uma aventura estrangeira e conhecer outras culturas esportivas”, completou o treinador.

Ancelotti frequentemente é apontado como um dos técnicos que poderiam, em algum momento, assumir a seleção italiana, e ele já disse que pretende trabalhar com seleções apenas no fim de sua carreira, o que já descarta de certa forma a possibilidade de seu retorno ao país acontecer por causa da Azzurra. Já as afirmações desta terça tornam ainda mais difícil que, a médio prazo, o futebol italiano tenha novamente um de seus técnicos de maior prestígio.