O atual vice-campeão europeu sub-21 (tendo perdido a final somente na decisão por pênaltis) deveria chegar à Olimpíada como um dos favoritos à briga por medalhas. Deveria, mas não vai. Com inúmeros problemas para formar o grupo de jogadores, Portugal passou, em um ano, de candidato ao pódio a time que tentará somente disputar a competição de maneira honrada – os mais pessimistas falam até em não passar vergonha como sendo o objetivo principal.

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Em junho de 2015, uma derrota nos pênaltis para a Suécia tirou dos portugueses a chance do título europeu sub-21, mas a classificação para os Jogos Olímpicos estava assegurada. E a boa campanha, tanto nas eliminatórias quanto na competição disputada na Checoslováquia, credenciou o time a ser visto com atenção no Rio de Janeiro.

A partir daí, porém, começou o pesadelo do técnico Rui Jorge. Como os clubes não são obrigados a liberar jogadores para a Olimpíada, ele sofreu demais para fechar o elenco. Inicialmente, foram chamados 35 atletas, dos quais apenas 11 puderam se apresentar.

O técnico passou, então, a trabalhar com segundas, terceiras e até quartas opções para fechar o grupo. Ao todo, 57 nomes foram consultados para que a lista de 18 inscritos pudesse ser finalizada (há ainda outros quatro atletas que participam do elenco para que haja gente suficiente para os treinamentos). Significa dizer, portanto, que apenas 31,5% dos jogadores selecionados foram liberados pelos seus respectivos times.

Ao mesmo tempo em que procura manter o otimismo sobre a participação lusitana nos Jogos, Rui Jorge é realista quando fala sobre o assunto. “Suplicamos por alguns jogadores”, resumiu, numa recente entrevista coletiva em que comentou a dificuldade na convocação. Na mesma entrevista, ele revelou como abordaria o tema com os atletas que agora estão no grupo, mas que nem de longe faziam parte de seus planos no início: “Com a verdade! Temos de ser pragmáticos. Um dos itens principais que pomos quando escolhemos jogadores é a inteligência. Se faço uma lista de 35 e tenho um jogador aqui que não estava nela, ele não seria inteligente a pensar que seria a primeira escolha. Agora, sabe que tem um ou dois à frente dele, mas tem de pensar que tem dez atrás.”

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Do elenco vice-campeão europeu invicto há um ano, apenas sete jogadores vão disputar a Olimpíada, sendo que três deles iniciaram a final diante da Suécia como titulares: os defensores Ricardo Esgaio e Tiago Ilori e o meio-campista Sérgio Oliveira. Um número que dá bem a medida da dificuldade do trabalho do treinador, que convocou os meio-campistas André Martins (ex-Sporting, agora sem clube) e Sérgio Oliveira (Porto) e o atacante Salvador Agra (Nacional da Madeira) como jogadores acima dos 23 anos de idade.

A situação foi tão surreal que chegou um momento em que o simples fato de um determinado clube aceitar liberar seu jogador praticamente credenciava o atleta a ser convocado. Rui Jorge ainda passou por uma situação inusitada com o técnico do Feirense, José Mota. O treinador da seleção queria convocar o meio-campista Tiago Silva, que estava se transferindo por empréstimo do Belenenses ao Feirense. Assim, Rui negociou com Mota antes mesmo que este tivesse qualquer contato com seu novo atleta, que foi liberado para a seleção.

Houve ainda o problema do atacante Nuno Santos, do Vitória de Setúbal, que pediu dispensa por conta própria, alegando despreparo físico.

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A Olimpíada do Rio de Janeiro será a quarta do futebol português. Em 1928 (Amsterdã), ficou em sétimo lugar. Em 1996 (Atlanta), com Rui Jorge no elenco de jogadores, obteve a quarta colocação, perdendo a disputa do bronze para o Brasil por 5 a 0. A última participação ocorreu em 2004 (Atenas), quando os portugueses terminaram na 14ª colocação.

No Brasil, Portugal está no Grupo D, que tem ainda Argentina, Argélia e Honduras. A estreia é diante dos argentinos, na quinta-feira (4), às 18h (horário de Brasília).

Depois de todo o imbróglio para que a convocação finalmente fosse consolidada, o desempenho dos lusitanos tornou-se uma incógnita. É fato que, se havia alguma esperança com a atual geração, ela praticamente se esvaiu quando o treinador foi obrigado a buscar jogadores alternativos. Assim, o máximo que pode se esperar de Portugal agora é raça e muita vontade de mostrar que, mesmo sendo opções secundárias, os atletas merecem estar numa Olimpíada. “Vamos dignificar o país. E quando digo isso, não é pelas medalhas, mas é pelo comportamento e entrega”, prometeu o treinador. É o que dá para fazer.

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