Se a Concachampions permanece monopolizada pelo México há mais de uma década, os clubes das ligas menores ganharam outra possibilidade de brigar por títulos internacionais nos últimos anos. Desde 2017, a confederação organiza a Concacaf League, competição que não conta com a participação dos mexicanos e americanos, servindo de classificatório à própria Concachampions. E, em sua terceira edição, o torneio contou com um épico nas semifinais. Em duelo contra os hondurenhos do Olimpia, o Saprissa arrancou uma das viradas mais impressionantes dos últimos tempos. Após a derrota por 2 a 0 na ida, os ticos buscaram a vitória por 4 a 1 na Costa Rica – com direito a dois gols já depois dos 44 do segundo tempo.

O Olimpia parecia ter a classificação nas mãos depois da primeira partida. Jorge Benguché comandou a vitória por 2 a 0 em San Pedro Sula. Já no reencontro em San José, a torcida do Saprissa lotou o Estadio Ricardo Saprissa Aymá. Os costarriquenhos contavam com casa cheia, mas não teriam vida fácil, sobretudo pela desvantagem se tomassem um gol. Um cenário preocupante, que realmente atrapalhou suas pretensões.

Dominante, o Saprissa até saiu em vantagem na etapa inicial, com Manfred Ugalde. Porém, o Olimpia empatou aos 17 do segundo tempo, com Jorge Daniel Álvarez. O tento dos visitantes esfriou o estádio, diante da obrigação de balançar as redes três vezes em pouco menos de meia hora. Foi então que os costarriquenhos mostraram o seu poder de reação. Marvin Angulo começou a pintar como herói, ao retomar a vantagem para os anfitriões aos 24. O tento sequer rendeu comemoração, a um time consciente de seus problemas.

Logo depois, o Saprissa chegou a balançar as redes novamente, mas o gol terminou anulado por uma falta no goleiro. E a pressão incessante não via a bola entrar. O arqueiro do Olimpia chegou a operar um milagre para evitar o terceiro tento. Os costarriquenhos só voltaram a marcar (e a sonhar) aos 44. Numa cobrança de falta, Angulo bateu com categoria e mandou no canto.

Neste momento, restavam apenas os acréscimos, e os anfitriões precisavam de um gol. O Saprissa partiu ao abafa e até carimbou o travessão. Por fim, o milagre se consumou no quarto minuto dos acréscimos. A defesa do Olimpia deu mole e concedeu o espaço para David Ramírez bater cruzado. O lance decisivo provocou uma verdadeira loucura em San José. Enquanto as arquibancadas tremiam, o time comemorava calorosamente. O próprio narrador não se conteve com a empolgação pela virada. A final era realidade.

A classificação do Saprissa evitou um clássico hondurenho na final. Seu adversário na decisão será o Motagua, que eliminou nas semifinais os salvadorenhos do Alianza. O próprio Olimpia e o Herediano, rival do Saprissa na Costa Rica, foram campeões nas duas primeiras edições da Concacaf League.

Último campeão da Concachampions antes do início da hegemonia mexicana, em 2005, Saprissa busca seu oitavo título continental – são três na principal competição regional, além de cinco no extinto Campeonato de Clubes da América Central. Os costarriquenhos, ao lado de outras cinco equipes da Concacaf League 2019, também asseguraram a classificação à Concachampions 2020.