O Vitória aproveitou o momento terrível do Bahia para quebrar o tabu nos clássicos. Há 12 jogos sem conseguir bater o rival, os rubro-negros jogaram sem sua torcida – os clássicos na Bahia tm sido com torcida única -, mas mesmo assim venceram por 2 a 0 pela Copa do Nordeste e jogou o rival em uma crise. O Bahia mais uma vez apresentou um futebol fraco, sem conseguir reagir diante de um adversário que jogou um pouco melhor. Não por acaso, o técnico Roger Machado foi contestado por torcedores ao final do jogo, que pedem a sua saída.

O principal nome da partida foi o goleiro Ronaldo, do Vitória. Ele fez defesas importantes, não deixando que o Bahia ganhasse força em nenhum dos momentos que chegou ao ataque. Somado a isso, o desempenho do seu companheiro do outro lado não foi bom. O Vitória abriu o placar com um chute de longe de Thiago Carleto, que quicou e enganou o goleiro Douglas. A torcida do Bahia passou a vaiá-lo constantemente.

Carleto aproveitou a onda e tentou novamente em uma cobrança de falta de muito longe, fazendo Douglas espalmar a bola para escanteio. E na cobrança, o lateral cobrou fechado e Vico se antecipou à marcação e tocou de cabeça para vencer novamente o goleiro Douglas: 2 a 0. A torcida do Bahia, única no estádio, ficou em silêncio por alguns minutos. Veio, então, a vaia que ecoava pela Fonte Nova contra o próprio time do Bahia.

O segundo tempo teve o Bahia um pouco melhor com as entradas de Rossi e Arthur Caíke nos lugares de Daniel e Clayson, mas não foi o bastante. O goleiro Ronaldo seguiu muito bem na partida, impedindo todas as chances do gol se transformarem em gols. Sem criatividade, apresentando pouco futebol e nervoso em campo, o Bahia foi perdendo força com o passar dos minutos. O time terminou o jogo desanimado, sob vaias e com muita pressão.

Douglas Friedrich vive uma má fase no gol do Bahia. Falhou no jogo que eliminou o time da Copa do Brasil, contra o River-PI. Por isso, a falha no primeiro gol do jogo acabou com a paciência dos torcedores. Eram 27.290 pessoas na Fonte Nova e, ao final do jogo, o grito era de “Adeus, Roger”, direcionado para o treinador da equipe.

Eram 12 jogos sem que o Vitória conseguisse um triunfo no clássico. A última vez foi no dia 27 de abril de 2017, quando os rubro-negros derrubaram os tricolores por 2 a 1, também pela Copa do Nordeste. Além da derrota no clássico, que já é um golpe fundo para os torcedores do Bahia, o pior é que o time não vê perspectiva. O desempenho é ruim e os resultados têm sido consequência disso.

Como o time tem jogado o Campeonato Baiano com uma equipe sub-23, comandada até por outro técnico, podemos contar os últimos 20 jogos do Bahia com o seu time principal, voltando ainda ao final de 2019. E além do futebol ruim que o time tem apresentado, os resultados são péssimos: são apenas três vitórias: contra o Imperatriz, na Copa do Nordeste, CSA, ainda pela 36ª rodada do Campeonato Brasileiro, e Grêmio, na 26ª rodada. Assim, os últimos 20 jogos são de 10 derrotas, sete empates e só três vitórias. Com esse desempenho, será difícil vencer jogos mesmo. Roger patina e precisará mostrar algo muito melhor para que o time renda mais e consiga resultados.

O Vitória, que nada tem a ver com isso, aproveitou para sair com os três pontos, vencer o clássico e assumir a segunda posição no Grupo B da Copa do Nordeste, com cinco pontos.