Jürgen Klinsmann entrou na Copa América do Centenário contestado. Fez uma Copa Ouro muito ruim ano passado, eliminado pela Jamaica nas semifinais. A estreia no torneio que os Estados Unidos sediam não foi das mais animadoras. Nem tanto pela derrota para a forte Colômbia quanto pela ausência de futebol que os americanos demonstraram. A própria vitória que valeu a classificação, contra o Paraguai, não foi animadora. Mas a seleção deixou tudo isso para trás em Seattle, enfrentou o Equador, líder das Eliminatórias Sul-Americanas, de igual para igual e se classificou às semifinais, com vitória por 2 a 1.

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Os EUA fizeram uma boa partida, principalmente no primeiro tempo, quando o Equador esteve longe do seu melhor. E o time que ainda precisa de mais valores individuais viu o seu mais talentoso jogador ser decisivo. Dempsey começou a jogada e lançou Woods, que perdeu o ângulo. A bola foi recuada para Jones, que cruzou para o craque do time da casa abrir o placar. Em outra boa chance americana, Dempsey dominou dentro da área e bateu cruzado, mas o chute saiu fraco.

 

Se houve algum pecado nesta etapa inicial, foi não ter conseguido matar o jogo contra um Equador inofensivo. Dificilmente o time voltaria tão mal depois do intervalo, mas os EUA continuaram melhor. Mas logo no começo do segundo tempo o cenário poderia ter se modificado: Antonio Valencia deu um pontapé em Jermaine Jones e foi expulso. Jones também levou o vermelho, em um entrevero com Arroyo. Uns viram tapa, outros um soco de esquerda. Fica para a sua própria avaliação.

 

A sorte dos EUA foi que Dempsey estava mesmo em um dia iluminado. Dominou a sobra de uma bola cruzada na área, avançou pela esquerda e cruzou, meio chutando, meio cruzando. Zardes, em posição legal, apareceu na segunda trave para empurrar às redes e praticamente classificar os americanos.

 

Mas ainda faltavam 25 minutos para o fim do jogo, e o Equador não se destaca nas Eliminatórias Sul-Americanas à toa. Tem grandes jogadores, como Jefferson Montero, um demônio pela ponta esquerda. Nove minutos depois do segundo gol americano, Ayovi rolou para Arroyo, em cobrança de falta ensaiada, e o Equador empatou. Bobeada da defesa dos anfitriões, que deixou o equatoriano livre na entrada da área.

 

Na sequência, começou o show de Montero pela esquerda. Ele acertou dois cruzamentos, entre os 32 e os 33 minutos do segundo tempo, na cabeça de Enner Valencia, que teve todas as possibilidades de empatar. Mas, na primeira, cabeceou em cheio para fora. Na segunda, errou o tempo de bola e apenas raspou a pelota à esquerda da meta de Guzan. Aproximando-se do apito final, seu centro encontrou Brooks, que desviou todo atrapalhado para trás e só não marcou contra porque Guzan realizou linda defesa.

Com autoridade, os EUA passaram pelo Equador e igualaram, no mínimo, sua outra melhor campanha na Copa América. Ficaram em quarto lugar em 1995, quando foram derrotados pelo Brasil nas semifinais. Desta vez, enfrentam Argentina ou Venezuela por um lugarzinho na tão sonhada decisão. “Chegamos até aqui e estamos com ainda mais fome pelo próximo passo”, disse Klinsmann.