Contamos a história de Bradley Lowery quando o garotinho de cinco anos, fanático pelo Sunderland e na luta contra um raro tipo de câncer, recebeu a visita do elenco no hospital e entrou em campo como mascote. Neste fim de semana, na derrota por 2 a 0 para o Swansea, o xodó da torcida dos Black Cats voltou a fazer uma aparição no estádio, engolindo a dor para entrar no gramado nos braços de Jermain Defoe, seu jogador favorito, seu herói e seu “melhor amigo”. Desta vez, o encontro foi especial porque pode não acontecer mais: Defoe está de saída do clube e deve ter realizado sua última partida no Stadium of Light.

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Com apenas 24 pontos em 36 partidas, o Sunderland foi o primeiro rebaixado do Campeonato Inglês. A queda aciona uma cláusula no contrato de Defoe, que o permite deixar o clube sem nenhuma compensação financeira para os Black Cats. Essa cláusula, instaurada quando o atacante chegou do Toronto, em janeiro de 2015, deixou o técnico David Moyes bastante irritado. “Estou muito surpreso. Espero que, se eu fosse o treinador na época, eu não tivesse feito um contrato que permitiria alguém ir embora nessa situação”, afirmou.

Moyes sabe que dificilmente conseguiria segurar o atacante, autor de mais da metade dos gols da equipe na Premier League – 15 de 28 -, independente do contrato, mas gostaria de receber alguma quantia pelos seus direitos econômicos, pensando em reconstruir a equipe para a disputa da segunda divisão. Para piorar, o técnico recusou uma proposta pelos serviços de Defoe, em janeiro. “Haveria um preço decente por Defoe, se fossemos rebaixados, e não vamos receber isso. Foi um negócio ruim para a gente”, disse.

Diante da iminente saída de Defoe, Bradley não poderia perder a oportunidade entrar em campo mais uma vez com seu jogador favorito, independente do desconforto que estivesse sentido. “Ele estava sentindo muita dor, mas insistiu que queria ir à partida. Não acho que ele conseguirá parar por todo o jogo, mas ele queria ir e queria que Jermain o carregasse”, afirmou sua mãe, Gemma, ao Sunderland Echo.

Bradley entrou em campo nos braços de Defoe e foi ovacionado pelos torcedores, tanto do Sunderland quanto do Swansea, assistiu à partida no camarote executivo, teve bandeirão em sua homenagem – “Há apenas um Bradley Lowery” – e entregou o prêmio de melhor em campo para o atacante.

“Ele até disse algumas palavras”, contou a mãe de um garotinho que encontra no futebol uma fonte inesgotável de consolo em meio a uma infância muito mais difícil do que deveria ser. Torcemos para que não perca contato com o seu herói, independente do destino de Defoe.