Se os mexicanos sabem jogar a Concachampions como ninguém, poucos times do país são tão bons nisso quanto o Pachuca. E os Tuzos reafirmaram sua grandeza no torneio nesta quarta, derrotando o Tigres e faturando seu quinto título continental – o primeiro desde 2010, embora todos tenham sido conquistados a partir de 2002. A consagração do clube de Hidalgo aconteceu em sua casa, diante da badalada equipe de Tuca Ferretti. A potência ofensiva dos felinos, entretanto, não adiantou muito. Após ficar no lucro com o empate por 1 a 1 no Estádio Universitário, o Pachuca buscou a vitória por 1 a 0, suficiente para garantir seu feito. Além da taça, os alviazuis ganham o direito de disputar o Mundial de Clubes em Abu Dhabi.

Precisando do resultado, o Tigres tomou a iniciativa durante boa parte do jogo. Rondava a área do Pachuca e ia criando chances, mas poucas vezes arrematou com precisão. Exceção feita a uma bola no travessão e a uma ponte do goleiro Alfonso Blanco, ambas no primeiro tempo, os felinos iam errando o alvo. Ainda assim, é preciso ressaltar os méritos dos Tuzos na marcação. Se faltava espaço para finalizar com mais clareza, era pela solidez defensiva do time de Diego Alonso, sobretudo pelas atuações da dupla de zaga composta por Oscar Murillo e Omar González.

Do outro lado, porém, o Pachuca criava as suas oportunidades. O ponta Hirving Lozano era um tormento à marcação por seus dribles e seu jogo veloz, enquanto o goleiro Nahuel Guzmán realizou algumas boas saídas de gol desde o primeiro tempo. Já o lance decisivo aconteceu aos 38 da segunda etapa, quando o time da casa tinha vantagem numérica, pela expulsão de Guido Pizarro. Os Tuzos já jogavam pelo empate sem gols, quando Guzmán deu um presente: bateu roupa em uma bola sem tantas dificuldades e Franco Jara não perdoou no rebote. Vale dizer, no entanto, que o goleiro argentino passara mal em campo minutos antes, solicitando atendimento. Como seu time já havia feito as três alterações, não tinha possibilidades de sair. Ao final, a falta de contundência de André-Pierre Gignac e seus companheiros de ataque pesou contra. Pela terceira vez em três finais continentais, o Tigres fracassa.

O Pachuca, de qualquer maneira, tem muitos méritos na conquista. É uma equipe mais equilibrada, que já havia demonstrado o seu potencial em maio do ano passado, derrotando o favorito Monterrey para conquistar o Torneio Clausura do Campeonato Mexicano – com grande participação do veteraníssimo goleiro Óscar “Conejo” Pérez, que se aposentará após o Mundial. Mesmo que o momento não seja tão bom, os Tuzos souberam jogar a Concachampions. Passaram fácil pela primeira fase e se valeram da força como mandante, vencendo os seus três jogos em casa nos mata-matas. Deixaram para trás Saprissa, FC Dallas e, agora, o Tigres. E por mais que os adversários na final fossem superiores no papel, não demonstraram isso diante da concentração do time de Hidalgo.

E, ainda que sem a repercussão de um Gignac, o Pachuca conta com grandes jogadores. A começar pela dupla de zaga, tarimbadíssima, certamente entre as melhores do continente. Oscar Murillo veio após grande trabalho no Atlético Nacional, parte do time dominante no Campeonato Colombiano e vice-campeão da Copa Sul-Americana em 2014. Já Omar González foi por muitos anos a referência defensiva do Los Angeles Galaxy, titular da seleção americana. Nas meias, Jonathan Urretaviscaya e Hirving Lozano são dois jogadores de seleção – e este, inclusive, entre os melhores mexicanos da atualidade. Já no ataque, o argentino Franco Jara se encaixou no clube, após muito rodar por clubes europeus e sul-americanos – incluindo Benfica, San Lorenzo, Estudiantes, Granada e Olympiacos.

calero

Por fim, um nome que merece destaque especial no elenco do Pachuca ainda busca o seu espaço. Juan José Calero tem 18 anos e não chegou a ser relacionado para o jogo desta quarta, embora tenha entrado em campo três vezes na Concachampions. O jovem atacante é filho de Miguel Calero, goleiro que é considerado o maior ídolo da história dos Tuzos. Recordista em partidas pelo clube, o colombiano esteve presente em quatro das seis conquistas nacionais, assim como nas quatro Concachampions anteriores. El Cóndor ganhou fama pela bandana que usava e pelos gols marcados, mas também era um gigante sob as traves. Não à toa, também fez parte da seleção colombiana em nove competições internacionais, incluindo a Copa de 1998 e a Copa América de 2001. O veterano, entretanto, faleceu em 2012, aos 41 anos, em decorrência de um AVC. Seu corpo foi velado por milhares de torcedores no Estádio Hidalgo, enquanto o clube aposentou a camisa 1 e construiu uma estátua em homenagem. Agora, seu herdeiro triunfa.

Juan José Calero pode ter a sorte que o pai não teve no Mundial de Clubes. Em suas três participações no torneio, todas com Miguel Calero na meta, o Pachuca não passou de uma quarta colocação. Perdeu para a LDU Quito nas semifinais de 2008, assim como nas quartas para o Étoile du Sahel em 2007 e para o Mazembe em 2010. Desta vez, os Tuzos irão para a sua quarta aparição no torneio da Fifa, superando América e Monterrey como participantes da Concachampions mais frequentes, além de ficarem atrás apenas de Al-Ahly e Auckland City entre todos os continentes, igualados com o Barcelona. Os mexicanos nunca permitem muita confiança em suas campanhas no Mundial, mas ao menos este time do Pachuca já provou sua capacidade para surpreender.