O retorno da Bundesliga pode agradar muita gente na Alemanha, especialmente os dirigentes, mas não é uma decisão tão popular assim no país. Nesta sexta-feira, a emissora ZDF divulgou uma pesquisa que aponta: 62% da população é favorável ao encerramento antecipado do campeonato. Autoridades e clubes declaram a volta como positiva, claro, mas há uma forte oposição principalmente entre os ultras. E os movimentos de torcedores ao redor do Colônia realizaram uma série de protestos antes da partida contra o Mainz 05, neste domingo.

Nas ruas de Colônia, inclusive diante da famosa catedral da cidade, era possível se deparar com vários cartazes colados em paredes e postes. “Nosso dinheiro é mais importante que sua saúde. Bundesliga a todo custo!”, dizia a mensagem, simulando pôsteres oficiais dos Bodes. “Não é o meu FC”, também afirmavam os ultras.

Neste domingo, os torcedores do Colônia ainda levaram diversas faixas à entrada do Estádio Rhein-Energie. “Estádios vazios, bolsos cheios: odiar o seu negócio nunca foi tão fácil”, “Não existe futebol sem torcida” e “Acabem a temporada agora” eram algumas das frases. Já o protesto mais criativo aconteceu através de um sofá, colocado também nas imediações do estádio. Estava escrito no móvel, com caneta vermelha: “Estádio em vez do sofá” e “Contra os jogos fantasmas”.

Os principais movimentos de torcida dos Bodes se posicionaram contra a volta da Bundesliga: Wilde Horde, Coloniacs e Südkurv. Além disso, esses mesmos grupos de ultras realizam ações solidárias na comunidade durante a pandemia – como o apoio a idosos e pessoas em condições vulneráveis. Também reforçam o pedido para que não ocorram aglomerações ao redor do estádio, clamando por solidariedade e precaução.

As críticas dos ultras ao longo das últimas semanas se direcionam de várias maneiras. Questionam a forma como o futebol é colocado como prioridade, em detrimento de outros setores da população; avaliam que o esporte perde sentido com as arquibancadas vazias, sem a atmosfera que o marca ainda mais na Alemanha; e apontam a extrema dependência do dinheiro da televisão, quando outras alternativas poderiam ser estudadas, inclusive um enxugamento das cifras infladas na liga profissional.

Já nos últimos dias, um ponto discutido na Bundesliga é o fim da regra “50+1”, que impede os clubes de serem controlados por magnatas em curto prazo. Os opositores da legislação declaram que ela torna as equipes ainda mais dependentes da televisão – ignorando que outras ligas sem a limitação, como a própria Premier League, também têm entraves muito parecidos por causa da TV. Aos torcedores, porém, a justificativa não parece suficiente. Temem perder mais influência, já que a regra garante o poder decisório aos associados.